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quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Ai, meu pé!

Aconteceu semana passada. Quem me segue no twitter acompanhou o drama.

Era uma segunda-feira linda e bela e resolvi ir trabalhar mais ajeitadinha. Coloquei um vestido branco e vermelho bonitão e o sapato mais lindo e caro que eu tenho (R$ 150. Não sou /nem tenho como gastar muito). Ele é de couro, é vermelho e tem um salto do tamanho perfeito. Parece sapatinho de boneca, é do jeito que eu gosto.
Já tinha usado-o umas quatro vezes. Na primeira, o sapato esfolou meu pé, mas acreditei que seria só aquela vez. De fato: nas próximas, foi tudo lindo. Inclusive na vez em que não usei nem band aid, nem meia fininha. Só depois me toquei que naquele dia, eu não andei praticamente nada. Aí, na infeliz segunda-feira passada, resolvi usá-la e descartei acessórios de proteção. Ai.

Nessas horas, só penso no meu mundo ideal, onde as pessoas não se importarão com roupas e o chão será tão limpo que poderemos andar sempre descalços.

Mas então. Sempre que acontece algo com o meu pé - bolhas surgem sempre, mesmo com tênis bom - lembro de uma cena de "Cidade de Deus", quando os bandidos perguntam ao menino se ele prefere levar um tiro no pé ou na mão. Trágico, eu sei.

Como escrevo desde sempre, me incomoda bastante a idéia de ter uma mão inutilizada. Mas ainda teria a outra. Agora, se eu não tiver um pé, fodeu, porque tudo que eu faço é a pé, e ficar perneta nem rola. 23 anos, sem carta e nem pretensão de dirigir. Prazer.

Mas...

Moro perto do trabalho e venho andando, é coisa de 15 minutos. Tudo reto e tranquilo.
Lá pelo 6º minuto de caminhada, começou a pegar. Senti que ia dar merda. No 8ª minuto, já amaldiçoava a escolha de ter vindo de vestido e sandália - a calça jeans e a bota véia de guerra tavam bem ali, mas, não, eu tenho que inventar de vir meio social.
Lá pelo 10º minuto, as bolhas já apareciam. Mas eu não ia arregar, já tava mais perto do trabalho do que de casa. Cheguei com lágrimas nos olhos e fiquei descalça assim que sentei na minha cadeira. Olhei meu pé. Pensei em tirar foto, mas não quis estragar o almoço de ninguém. Bolhas enormes. Duas ou três por calcanhar. E uma vermelhidão latente.

O banheiro fica a quatro passos da minha mesa, mas ter que dar 2 passos com cada pé, com o sapato esfolando tudo, era um sofrimento sem fim.

As meninas (porque só tem mulher aqui no trabalho :P) sentiram pena de mim. A minha vizinha fofa me emprestou a sapatilha de pano dela. Quase tive um orgasmo de alívio ao trocar o meu pelo dela. Agradavelmente instalados, meus pés me levaram até uma lojinha do outro lado da rua, onde vendem sandálias lindas e caras (onde comprei o sapato que me fudeu, aliás.). Tentei uns sapatinhos baixinhos, a la mocassim, mas não conseguia nem colocar. Os calcanhares impediam qualquer coisa. Foi aí botei o olho nelas.

PAPETES.

Nunca tive, fingia que não gostava (coisas muito práticas TEM que ter alguma coisa de errado. O mesmo se aplica aos crocs. Estes, aliás, odeio mesmo). Mas a verdade é que sempre quis ter um par de papetes. Porque conforto: a gente vê por aqui.
Nem pensei duas vezes.
R$ 70 reais. Esse é o preço de algumas bolhas, gente.

Mas daí eu fiquei feliz. O mundo ficou mais bonito e calmo, porque meus pés estavam praticamente nus e absurdamente confortáveis. Meus sapatos de couro vermelho jaziam na minha bolsa.

Nota: era uma segunda-feira, e eu tinha prometido a mim mesma que começaria a fazer esteira. Desnecessário dizer que nem rolou, né?

O pior de tudo era saber que eu já tinha passado por isso antes, e que ainda passaria por isso muitas vezes na vida. Porque eu sou mulher, gosto de usar umas coisas mais legais às vezes e não aprendo nunca.

Só quem viveu sabe.

---

Você, que é mulher e é obrigada a ir trabalhar de salto alto fino. Você, que é mulher e anda com band aids a tira-colo, por usar sapatos desconfortáveis. Você, mulher que compra um sapato lindo e caro, mas que machuca. E ainda assim insiste em usar.
Você entende a minha dor.

Una-se a mim e me conte como dói usar calçados bonitos.

Ou você taca um foda-se gostoso e vai trabalhar de papete? De crocs? De HAVAIANAS?

Conta, conta!

anamyself@corporativismofeminino.com

terça-feira, 27 de outubro de 2009

A ditadura da beleza

Quem aí está familiarizado com o "Extreme Makeover", que passa na Sony? A idéia é pegar gente feia e torná-la bonita. Plásticas, corte de cabelo, implantes, banho de lojas... É a tal história: difícil ser feio com grana.
E uma das coisas que sempre me impressionou nesse programa é que as pessoas feias geralmente são casadas com cônjuges até que bonitos, com filhos, família que a ama e casa-comida-roupa lavada. Então talvez exista gosto pra tudo mesmo.

Enfim. Aproveito a deixa da Patsy no post anterior para falar que lançaram no Brasil um site de encontros, originalmente dinamarquês, que só admite o cadastro de pessoas bonitas. É isso mesmo! Você deve enviar uma foto para "provar" que é atrante: uma banca avalia a foto e diz se você está apto a integrar o site dos bonitos em busca de relações.

O site é o Beautiful People, que eu me nego a linkar. Quem se interessar que procure no Google.

Pergunta para os universitários: o que raios define a beleza para esses avaliadores?
Pergunta de um milhão de reais: é justo?

Não, me perdoem mas não é. Já temos uma cultura suficientemente preconceituosa com quem não está no padrão global de beleza. E eu sei bem, pq definitivamente NÃO sou um padrão "Rede Globo" de beleza.

Minha auto-estima é nula, então minha própria opinião sobre minha aparência não vale muito. Mas sofri a infância/adolescência toda por usar óculos, ser meio gorda, com pele marcada de espinhas e cabelo cacheado. E, pior de tudo: eu definitivamente não era feia naquela época. Mas me sentia a pior das criaturas, porque quem era - e sou - eu perto de uma Ana Paula Arósio, de uma Luana Piovanni, uma Catherine Zeta-Jones? Pq, né, vamos combinar que o padrão de beleza diz: mulher alta, nem mto magra nem gorda, de pele de pêssego e branca, boca carnudinha, olhos bem expressivos, cabelo liso ou levemente ondulado e comprido.

E aí vem uma Carolina Dieckmann, que nunca na vida deve ter ouvido um "feia" ou "gorda" ou nada do gênero, cheia da grana, dizer que a pele de pêssego dela é por causa do leite de rosas, que custa R$ 2.

Ah, claro, eu acredito. Também acredito que Reese Witherspoon usa Avon para realçar a beleza.

É claro. Também vou achar super natural quando Ana Paula Arósio disser que usa minâncora nas espinhas (nunca nem deve ter ouvido falar).

E aí vem uma rede social dessas dizer que, não, eu não sou bonita e não mereço figurar entre os bonitos que vão namorar e ser felizes. Porque eu sou feia e mereço o fracasso.

---Pausa, pensando em que palavrão usar---

Ah, vai se foder, Beautiful People.

Porque, olha, se minha pele hoje é melhor do que era há 5 anos é porque eu gastei MUITA grana num remédio caríssimo (Roacutan, te dedico). Se meu cabelo tem bem menos volume, é porque gasto bem mais num xampu de melhor qualidade. Se não uso mais óculos é porque investi uma grana - poupada por muuuuito tempo - em uma cirurgia de redução de miopia.

Porque se você nasce pobre e bonito, menos um problema na vida. Se nasce pobre e feio, tá na merda.
Mas não necessariamente infeliz.

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Follow me. E-mail me.

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No aguardo de comentários anônimos me xingando.

domingo, 4 de outubro de 2009

Afasta de mim esse cálice

Sabem, eu sou uma boba mesmo. Passo a semana toda comendo salada com voracidade, memorizando as calorias dos alimentos e contando as horas das refeições para manter o metabolismo aceso.
Mas acontece que sou mestra em autossabotagem. Chega o fim da semana, eu digo para mim mesma que mereço aquele happy hour, que um barzinho no sábado à noite é questão de dignidade e aí já viu. Boteco é mais um dos meus fracos, gente. É triste isso...ainda mais porque é no boteco que surgem as discussões que inspiram a maioria dos meus posts inflamados.
Hoje fui para o boteco e sabe o que reparei? O que se consome ali não tem aquelas etiquetinhas da neurose. Sabe aquelas, que marcam o número de calorias, de carboidratos, de proteínas, de sódio e valores (quase sempre não significativos) de vitaminas?
Algo me diz que é porque são alimentos e bebidas que pessoas em eterna dieta não consomem. Quem tá no bar não se preocupa com isso.
Mas eu sou fiel frequentadora de bares e preciso saber, afinal, como faço para compensar as calorias depois? Ou vocês esperam que eu pare de frequentar meus amados botecos?
Assim que cheguei em casa, consultei meu pastor google. Deixo registrada aqui então, minha mais nova tabela de calorias:

Pinga: 198Kcal – dose de 50ml
Batidas e Batidinhas: 251Kcal – copo de 100ml
Cerveja: 108Kcal – copo de 200ml
Licores: 69Kcal – cálice de 20ml
Vinho branco doce: 142Kcal – taça de 100ml
Vinho branco seco: 85Kcal – taça de 100ml
Vinho tinto: 65Kcal – taça de 100ml
Vodka: 101Kcal – dose de 50ml
Wisky: 240Kcal – dose de 100ml

Isso sem falar nos petiscos:

Batata frita: 480 Kcal - porção média
1 porção de amendoim salgado (100g): 565 calorias
1 porção pequena de batata frita (200g): 580 calorias
10 cubos de provolone a milanesa (50g): 200 calorias
1 porção pequena de lingüiça: 320 calorias
1 porção pequena de mandioca frita: 340 calorias
15 fatias de salame: 225 calorias
3 unidades de torresmo: 270 calorias
10 unidades de lula a milanesa: 380 calorias
1 unidade de nugget (50g): 105 calorias
1 porção de iscas de peixe (150g): 494 calorias
1 unidade de pastel de carne: 200 calorias
5 unidades pequenas de croquete de carne: 180 calorias
5 unidades pequenas de bolinha de queijo: 130 calorias
1 unidade de bolinho de camarão (25g): 116 calorias



Ai gente, para que eu quero descer!
Tem horas que dá vontade de fazer a Preta Gil, assumir as gorduras e dar a cara a tapa. Não dá pra ser feliz assim!!

As tabelas de calorias foram retiradas dos sites itodas.

Para convites para o bar na sexta e companhia para malhar nos outros dias, escreva para mel@corporativismofeminino.com

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

Resistindo a uma liquidação

Estava eu, linda, loira e japonesa (oi, Heleninha!), completando dois meses sem entrar numa loja de roupas e comprar como personagens dos livros de Sophie Kinsella.

Como eu consegui ficar DOIS lindíssimos e perfeitos meses sem comprar? Pegando atalhos no caminho para faculdade e estágio por estradas péssimas para meu carro, mas que compensariam na fatura do cartão de crédito no fim do mês. Afinal, eu não passaria na frente daquela porção de lojas gritando seus preços baixos.

Mas ta, como há toda uma conspiração para que eu compre, no belo dia em que completavam dois meses sem compra, precisei fazer o caminho normal de volta para casa porque precisava passar na farmácia. Passo na frente da farmácia e CADÊ LUGAR PRA ESTACIONAR? Rodo uma avenida, passo por ruas e mais ruas, e puts, todas as lojas da cidade estavam em liquidação naquele dia??? Criaram alguma data só para liquidações e eu fui azarada o suficiente para precisar da farmácia justo no tal dia??? É uma conspiração, to dizendo... Como pessoa forte e determinada que sou (cof), ignorei. Mas nada de lugar pra estacionar, até que, perto da farmácia, tem uma vaga desocupando, não uma vaga qualquer, mas A Vaga. Como não sou boba, dou seta, faço baliza, xingo trocentos homens que tentam me ajudar (por que raios sempre que é uma mulher fazendo baliza, os homens começam a parar no meio da rua e fazer sinais de “vem” e “para” com a mão? Ódio mortal.) e estaciono logo. Desço do carro triunfante, olho pro lado e tcha-ram: uma loja com os dizeres em letras garrafais na vitrine: “LIQUIDAÇÃO, DE 50% A 80% DE DESCONTO, SÓ HOJE!!!”. Só podia ser sacanagem, o maior desconto que tinha visto dentre todos, estava bem na minha frente. Senti inveja dos cavalos, juro, porque quem queria estar usando uma viseira era eu! Mais que queria, precisava! Devia ter alguém lá em cima se matando de rir com tudo isso, igual eu faço quando jogo The Sims.

Respiro fundo, abaixo a cabeça e vou até a farmácia. Passo uma hora na farmácia, tempo para eu esquecer a tal liquidação. Volto para o carro, entro, sem querer olho pro lado viseira, cadê?, e lá está a moça limpando a vitrine. Mas como assim? Como ela já estava limpando? Será que não restava nenhuma roupinha com 80% de desconto? O dia de “hoje” dura até meia-noite, como já estavam apagando? Ahhh que raiva! Me segurei para não ir atrás da última peça linda com um descontão. Podia ser uma calça jeans perfeita, ou melhor, uma blusa na cor e modelo ideal para o trabalho. Pensei, praticamente meditei, e depois de ser insultada por um idiota querendo minha vaga, saí.

Cheguei em casa com a sensação de culpa. Deveria ser o contrário, né? Eu fui uma vencedora não entrando na tal lojinha. Mas nããão, fiquei o dia todo pensando na tal promoção de até 80%, na calça jeans perfeita que provavelmente nunca nem existiu naquela loja, e em todas as peças lindas que caberiam perfeitamente no meu corpo. Até que tento me convencer que meu cartão de crédito agradecerá e fiz o melhor.

Final do mês chega e com ele as correspondências, lá está o envelope alaranjado, friozinho na barriga bate, mas logo passa quando lembro do meu feito: Não Comprei Mesmo Com 80% De Desconto. Respiro fundo e abro confiante a fatura! Bem colegas, só lhes digo uma coisa, o cartão VISA é um verdadeiro ingrato: Fatura exorbitante.

E quer saber? Da próxima vez, eu não só entro, como estouro o limite nas ludjinhas. Faço a Becky Bloom. HUNF!
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quarta-feira, 2 de setembro de 2009

Comprar sapatos emagrece

A vitrine anunciava em vermelho (não é à toa que esta é a cor do semáforo em PARE) que havia promoção na loja de sapatos femininos. Todos a preços módicos, quase o que eu gasto para jantar num lugar mais bacana, e fazendo bem os cálculos... Se deixo de jantar fora durante 2 fins de semana, aqueles sapatos seriam pagos. Considerando que jantar fora engorda e que scarpins alongam a silhueta, nada mais justo e sensato do que escolher os sapatos. E não hesitei em atirar o cartão sobre o balcão. Distraída, digitei a senha e, bem, minha senha poderia ser TENSO - caso pudesse usar letras ao invés de números.

A moda atual com estampa de bichos me deprime. Não porque eu não goste dessas estampas. No entanto, pare numa rua movimentada e conte quantas criaturas estarão usando algo de onça, zebra, leopardo e afins - Entendeu a deprê? Mas, bem, estou adorando o fato de ter bolsas-sapatos-vestidos-saias-meias tudo de bicho. Fico pensando em guardar para usar assim que essa coisa toda deixe de virar uniforme feminino. E onde quero chegar? O scarpin comprado no parágrafo anterior era de oncinha. Sim, oncinha.

Então, no dia de sair para estrear os benditos scarpins de oncinha, eu tive que fazer uma engenharia nunca desenvolvida antes. Sábado à noite, eu estava toda maquiada, com sutiã-levanta-peito e com os sapatos de onça atrapalhando o meio de campo, quer dizer, como usá-los e não parecer uma aspirante à perua? Foi aí que tive uma grande e PREVISIVEL ideia, iria de viúva-perpétua, toda de preto, meia preta e tudo mais - O cabelo preto então... Bem, poderia acabar passando por uma sombra com sapatos de onça, conclui assim e atirei longe as roupas.

O anjinho que habita meu ombro direito berrou: "Não se preocupe com isso agora, ponha outro sapato mais sóbrio e use a roupa que quer, simples". O diabinho não deixou barato, gritou: "Porra, você comprou essa porcaria e não vai usar?" Tá, vou usar. Vou usar... assim que descobrir onde está aquele vestido jeans escuro que há tempos não uso por não estar PODENDO muito.

Nesse meio tempo, vesti branco, marrom (não uso marrom!), vermelho, azul e suas variações (royal, petróleo, marinho), depois apelei pro amarelo. Não. Cadê o vestido jeans escuro que eu só uso quando estou PODENDO? Claro, embaixo de tudo, esquecido depois de extravagâncias culinárias da sua dona, envergonhado, recluso por ela ter berrado com ele quando ele conseguiu deixá-la barangona.

Tá. Se eu te achar, saio com você MESMO que fique barangona. Prometo. Sabe, andei passando muita fome nos últimos dias e nós vamos nos acertar, juro. Só apareça. Depois de ter a cara toda derretida, a escova detonada e fazer promessas a Sâo Longuinho (não dou 3 pulinhos nem fodendo se encontrar, já não basta a maquiagem detonada?), encontro o vestido jeans escuro, visto-o e estou PODENDO, quer dizer, se eu não olhar muito para a região do abdômen...

Guarda-roupa no chão, maquiagem borrada, dignidade na puta que pariu e o celular toca:'"Já chegamos, desce aí''. Retoco a maquiagem e vou trepidando até o carro, exausta.

PENSO seriamente em abandonar a academia e viver de comprar sapatos com estampas difíceis. Scarpins além de alongar a silhueta, garantem estripulias para encontrar algo decente que case com eles. Uma ginástica de graça e você ainda sai de sapatos novos...

Leia também:
[x] Toda insanidade será perdoada?
[x] Hora das compras!
[x] Porque odeio ir ao Shopping - PARTE I
[x] Porque odeio ir ao Shopping - PARTE II
[x] Delírios de Consumo
[x] Sonho de consumo: COMPRAR

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Delírios de Consumo de Heleninha Inflável.

BECKY BLOOM MY ASS!
Aki rassa Heleninha ok?
Ok.
A vida inteira convivi numa casa cheia de mulheres, que, juntas deveriam ter, em média, quase 400 pares de sapatos, um pai que vivia perguntando aonde a gente ia enfiar tanta bolsa nova, e uma mãe neurótica por eletrodomésticos novos.

Nunca tinha prestado atenção, mas fui mexer no meu armário de sapatos, e tipos, só este mês eu comprei um scarpin de oncinha, uma bota nova, uma sapatilha vermelha e uma sandália (e já está frio, o que vou fazer com uma sandália?). E tudo teve seu motivo especial de ser comprado.

A sapatilha vermelha, comprei porque comecei a vazar - leia-se menstruar- no meio da rua e entrei na Renner pra comprar uma calcinha nova e tipo ela estava lá, linda e vermelha (um sinal? Vermelha como meu vazamento?) E SÓ 19,90 MEU DEUS! Comprei.

A bota foi porque fui fazer uma entrevista, e, no fim quase pulo no pescoço da entrevistadora, que me chamou lá sabe Deus pra que e quando descobriu que eu estudo (e o fato de eu estudar estava no meu currículo, ela nem deve ter lido isso) simplesmente disse que eu não servia pro cargo, já que ela queria "disponibilidade total". Morri de raiva por ter meu tempo perdido, e passei na frente de uma loja com a coleção de inverno recém chegada. Morri por uma bota marrom, e lógico, comprei.

O scarpin de oncinha foi em comemoração a minha demissão do meu antigo emprego, que eu estava odiando. Chorei de raiva, porque ia ficar sem dinheiro e ria de alegria porque odiava o ambiente de trabalho, e nunca tinha recebido uma carta de demissão antes. Cheguei em casa e colei a tal cartinha na geladeira. E agora eu tinha um scarpin de onça novinho em folha (não pensei em como ia pagá-lo).

E a sandália foi em comemoração ao meu novo emprego - começo hoje - estava feliz porque ia ter dinheiro de novo e PORRA, SÓ 19,90 - de novo - comprei.

Pois é, e este mês eu ainda dei um pulinho na Zara, comprei duas blusas, uma calça, uma bolsa nova, e tudo em 5X sem juros, obrigada Senhor, por ter feito o cartão de crédito, o cheque pré datado e tudo mais! Meu menino querido diz que eu deveria procurar o CA - Consumistas Anônimos - ou pelo menos quebrar um dos meus cartões... Mas é foda! Se tô triste compro, se tô feliz, compro, não sei o que é comemorar sem comprar! Mas eu prometi que este mês eu ia arrumar o amassadinho do meu carro e não ia comprar nem uma blusinha sequer, promessa é divida =/, não vou comprar nada eu juro!

Sabe o que é mais engraçado? No meu primeiro emprego, eu trabalhava meio período, recebia R$280,00 e ainda sobrava dinheiro no fim do mês, SO-BRA-VA. E minha contas estavam sempre pagas em dia (e ainda estão, talvez eu deixe atrasar uma semana, mas nada além disso).

E hoje, sabe Deus aonde eu enfio meu dinheiro. Ele deve ir pra mesma dimensão das meias perdidas, e dos guarda chuvas que somem, ou pior, deve virar clipes de papel! Já reparou que a gente sempre acha clipes de papel por aí?

Mas eu sei que eu não sou a única "doente por sapatos" do mundo. Minha irmã colocou metade do guarda roupa do marido dela pra fora, pois não tinha mais aonde enfiar sapatos e precisou de um novo espaço.

E quais os delírios de consumo de vocês?

;)

Beijos e até sexta


Heleninha

segunda-feira, 13 de abril de 2009

Toda insanidade será perdoada?

Uma troca de frases de 140 caracteres no twitter com a querida Bel e lembrei que já fui uma pessoa muito mais desequilibrada. E não estou generalizando não, porque não há caracteres no mundo para minha insanidade, só me refiro a um dos desequilíbrios naturais femininos: compras! Vou abrir meu coração e liberar três situações que me afligem, assim vocês me dizem se eu sou louca, eu poupo o dinheiro de análise e gasto em coisas úteis, como sapatos novos!

Cena 1
Ocasião: Febre do Shopping (saldo de inverno)
Local: Cavalera
Objetivo: Adquirir bolsa jeans azul índigo com estampa de ganesha em dourado

Eu não sei o que acontece comigo, mas tenho uma tendência a chegar atrasada nas liquidações. Pisco o olho e meu objeto de desejo já está nas mãos de outras pessoas. Mas não ligo, além de obstinada sou maluca, então faço tentativas para recuperar a peça. Nessa ocasião, eu vi a bolsa na mão de uma menina tão novinha e apagada, e pensei que ela merecia uma dona melhor. E eu sou uma ótima dona de bolsas. Eu cuido, lavo e levo para passear. Não pensei duas vezes, me passei por vendedora da loja. É, eu faço isso. Pausa para vergonha.

...

Bom, disse à menina com a bolsa na mão que aquela peça era do mostruário e estava muito sujinha, mas que eu pegaria outra para ela com o maior prazer. Cinismo, trabalhamos. A peça era única, todas as peças naquela área da loja eram únicas, mas ela não sabia disso. Sorri, peguei a bolsa e, enquanto a mocinha se distraía com sapatos 60% OFF, eu paguei e corri do shopping como se alguém gritasse "ruuuun Patsy, ruuuun". Momento de vaias e arremesso de leguminosas.

Cena 2
Ocasião: Trabalho
Local: Loja no shopping (período de liquidação)
Objetivo: Esconder a última sandália Para Raio Anabela Plataforma tam. 37

Amo essa sandália até hoje, mas nunca entendi muito bem porque a quis tanto. Ela tem uns 10cm de salto e eu sou uma mocinha de 1,71cm de fofisse e complexo de altura. Mas eu trabalhava em uma loja repleta delas e desejava uma para chamar de minha. Escondi um par do meu tamanho para retirar no vale-desconto, mas, de alguma forma, ela voltou para o estoque e, de lá, para o pé da cliente na minha frente. Não hesitei em gritar desesperadamente que aquela sandália estava com defeito. E a menina procurava o defeito e eu inventava as coisas mais absurdas. Resultado: a garota foi embora acreditando que aquela sandália não só apresentava um grave desnível entre os saltos, como ainda estava descolando (como? ela é inteiriça!). Recebi a Para Raio no seio do meu lar no mesmo dia.

Cena 3
Ocasião: Sale! Sale! Sale!
Local: Zara
Objetivo: Retirar um lindo vestido preto de cetim das mãos da esquisitinha na minha frente

Não me orgulho não, então vou resumir. Estava na fila do provador quando vi que a pessoa na minha frente segurava o vestido que eu queria, no tamanho que me vestia. Não existiam outros naquele tamanho, eu já havia perguntado. Ela segurava um monte de peças, então eu puxeeeei ele beeeeem devagariiiinho do monte de peças que ela segurava. Feito isso, corri para o outro lado da loja, aguardei um pouco e voltei para a fila. Vesti, amei, paguei. Sou um monstro.

A cereja no topo do milkshake é o episódio do meu cardigan vermelho-sangue, também ocorrido na loja Zara, my personal Meca, e publicado aqui. Graças a ele, eu ganhei uma promoção do CF, antes de virar Corporativete, então toda loucura será perdoada.

Bom, é oficial, eu sou maluca. E você, qual a sua loucura? Conta para mim na nossa comunidade no Orkut!

Você tem twitter? Adicione o CF lá!

Para me enviar o endereço dos compradores compulsivos anônimos mais próximo, envie um e-mail para patsy@corporativismofeminino.com

Besos, besos!

Patsy

domingo, 12 de abril de 2009

Não Mexa no Meu Chocolate!


Eu sou viciada em chocolatee e é uma das poucas coisas que eu não faço a menor questão de esconder e, muito menos, dividir um pedaço com alguém.


Esta semana, como a maioria aqui sabe, eu voltei ao trabalho e fui recebida com uma carinhosa festinha. Ganhei também uma "cesta de páscoa", com todos os tipos de chocolates que vocês queiram imaginar.


Como ando com o estômago e o fígado bem abalados, decidi ser forte e NÃO partir uma jaca ao meio e usar as partes como pantufas e, numa atitude muito madura e sofrida, eu GUARDEI a cesta. Linda, Intocável, Imaculada!


Chego eu em casa nesta última terça, e o que eu encontro? a minha cesta aberta! Sim, alguém tocou na minha cesta e comeu uma das barras.


O Criminoso? Meu próprio pai! Sim, aquele que diz que me ama e insiste em dizer que não liga para doces.




- Paaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaaai, cadê o toblerone que estava na cesta?

- Ué? está aí!

- Não estão não. Só encontrei o grande, tô perguntando do pequeno.

- Ah, sim, esse eu comi... Achei que não ia fazer falta. Tem muita coisa nessa cesta que você não pode comer.

- Não posso hoje, ou amanhã, mas poderei um dia ! Trata de repor o toblerone!

- Credo, sua gulosa! Depois reclama que tá gorda. Tomara que você tenha dor de barriga.



Pois é, titia bruxa não divide chocolate com ninguém! E quem se atrevea quebrar essa regra, tem seu nome devidamente costurado na boca do plínio, meu sapo de estimação.


Boa Páscoa, gente!


Beijos e excelente semana.

B.Beiçola


Nota: Eu quase fiz um post sobre o real significado da Páscoa, mas, para isso, teria que entrar no mérito religioso e, por mais que eu ame o assunto, seria um post gigante e metade de vocês ficariam no prímeiro parágrafo.


Nota2: Para quem duvida, essa históra do roubo do chocolate é real.


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Para depósito em conta corrente, cestas de chocolate, chocolate caseiro, chocolate com pimenta, barras da Hersheys e até chocolates da Diziolli, entre em contato com: bruxinha@corporativismofeminino.com


quarta-feira, 1 de abril de 2009

Mulher à venda, aceitamos cheque pré!

Que as propagandas publicitárias usam a mulher como chamariz para a venda de seus produtos, isso ninguém tem dúvida. A cerveja é campeã nesta abordagem, porém até um produto estritamente feminino, precisamente o absorvente intimus gel, se valeu de tal tática para vender. O comercial mostrava homens olhando para a bunda de uma mulher. A propaganda do absorvente tinha a intenção de alertar à consumidora: "Use intimus gel e, certamente, eles olharão para sua bunda".

[1] Propaganda da Skol, onde sereias mergulham num mar da cerveja.
[2] Homens olham a bunda da mulher que usa intimus gel.




Fora das telas, há a abordagem corpo-a-corpo, vejamos onde estão alguns deles:

NO SHOPPING
É muito comum uma vendedora de roupas simular interesse pelo seu cliente para empurrá-lo produtos. Algumas chegam a paquerar descaradamente, no desejo de induzir o homem-babão à compra. Se você for homem e estiver lendo isso, responda-me: Você já caiu numa dessa, achando que estava abafando? (Duvido que digam que "caíram", mas vale tentar arrancar a honestidade deles).

Condenar a postura dessas mulheres para venderem é fácil, talvez algumas de nós não precisem pagar um aluguel. Essa, talvez, seja uma prostituição sorrateira que ocorre nos grandes centros comerciais. Sorrisos e insinuações estão longe de ferir a dignidade de alguém. E de quem é a culpa? Do homem que cai feito um patinho e garante uma comissão gorda à vendedora, induzindo-a a usar a mesma tática mês que vem?

NO BAR
O Hooters é um restaurante/bar oriundo dos EUA que chegou ao Brasil por volta de 2002, em São Paulo. As garçonetes devidamente equilibradas em patins, exibem micro-short e top ao atenderem seus clientes. A novidade chegou em Brasília, num dos shoppings mais high society da cidade e não raro encontramos homens admirando frangos-assados as garçonetes pela vidraça. Tudo bem, olhar não arranca pedaço. A culpa é de quem? Das mulheres que precisam ter um salário ou dos homens que estão famintos e anseiam aos frangos-assados da vitrine?



Protesto Feminista nos EUA, a mulher, propositadamente de aparência
desleixada (para denegrir a intenção) exibe cartaz "Women are not for decoration".

NO BANCO
Na Rússia, um banco decidiu contratar strippers-mulheres para atrair novos clientes. A culpa é de quem? Da crise econômica que deixou todo mundo para baixo, literalmente, e precisam de uma mãozinha básica?


Strip-tease no caixa eletrônico, que tal?

NO LAVA-JATO
No entorno do Distrito Federal, um comerciante que mantinha um lava-jato foi indiciado por, segundo denúncias, induzir meninas à prostituição. O dono do estabelecimento empregava garotas para lavar carros, vestindo camisa branca de malha sem sutiã e um short também branco. O que posso dizer mais? Sim, elas ficavam semi-nuas enquanto ensaboavam o carro do cliente. O que rendia ao comerciante uma bagatela considerável de lucro com a ideia. De quem é a culpa? Do capitalismo selvagem?

Flanelinha molhadinha: Tio, cadê a mangueira?

PERGUNTAS QUE NÃO QUEREM CALAR!
- Quem é o culpado pela abordagem MULHER-PRODUTO:
1. Dos homens que consomem produtos onde as mulheres estão em destaque?
2. Das mulheres que vendem sua imagem/intimidade?
- Quantos homens voltarão ao blog com o intuito de encontrar MAIS fotos no estilo acima?

Apontar um culpado e procurar uma solução cabível sem parecer antiquada ou feminista é quase impossível. A emancipação da mulher trouxe-nos jornadas intensas de trabalho, dentro e fora de casa, bem como a nossa exposição demasiada, sem fronteiras e repleta de vulgaridade.

Para leitura: Seduzir Clientes, Oliveira, Vanessa de; Toigo, Reinaldo Bim. O livro ensina as estratégias de uma garota de programa para conquistar e fidelizar seus clientes e aplicá-las em seu próprio negócio.

domingo, 8 de fevereiro de 2009

Mão de Vaca Com Orgulho.


Maquiagem:


Estou precisando renovar meu estoque de maquiagem: um rímel novo e um delineador. Só estes dois itens eu faço questão que sejam de uma marca melhorzinha, para não correr o risco de chegar ao final da noite parecendo um urso panda e ser capturada para um Zôo, já que estão em extinção.


Quando eu digo “marca melhorzinha”, refiro-me aos "não-avon" e aos "não-natura." Simplesmente porque, estas duas marcas, não são compatíveis com minha pele oleosa. Sombra, base, blush, batom e outros, me servem de qualquer fabricante.


Aí, eu tive a brilhante idéia de entrar nessas lojas de perfumes importados (aliás, perfume é o ÚNICO item da minha lista mulézinha, que eu faço questão que seja importado. Não porque sou metida, mas porque eu preciso de perfumes que durem).


Então, entrando na loja importadora, eu, inocente, achei que um delineador de uma marca média, custaria uns R$ 60, coisa que eu já acho caro.

Aí, a mocinha me mostra um delineador em forma de lápis – e eu queria o pincel – que custava R$ 142.


- Quanto?

- Cento e quarenta e dois reais, e só tem azul e marrom. É da Lancôme.

- Ok, deixa eu ver as outras marcas?


Como eu demonstrei que não iria comprar, ela ficou cheia de má vontade e me disse que não tinha nenhum de outra marca.


- E rímel?

- Estamos sem rímel na loja.
(mentalmente, mandando a vendedora tomar naquele lugar).


O que eu vou fazer com um delineador azul? Marrom? Eu não uso maquiagem durante o dia... no máximo gloss.


Já faz um tempo que eu tenho vontade de fazer um curso de maquiagem. A Zin já me deu uma dica ótima sobre onde fazer. Os profissionais devem ter dicas creuzísticas de como usar as marcas disponíveis.


Sapatos:


Me RE-CU-SO a pagar mais de R$ 100,00 em sapatos de material duvidoso, ou então, só porque está sendo super procurado... ai, aquelas sandálias estilo “gladiador romano” me dão nos nervos. Desculpem meninas, mas eu acho feias...


Roupa:


R$ 70,00 em vestido de feirinha? R$ 89,00 em uma calça saruel?

Mas nuuuuuuuuuuuuuca! Se é para gastar mais do que R$ 60,00 prefiro uma ximboca/ximbica da vida.

Ou então, queima de estoque das lojas mais ladras.



Bolsas:


Adoro bolsas, mas só compro bolsa barata... geralmente em camelô, feirinha e similares... não ligo para marcas e acho um grande desperdício de dinheiro e energia, querer tanto uma bolsa Louis Vitton... As Prada então... ahahahahahahha.... Fala sério.


Gostaria de deixar BEM CLARO, que eu não tenho a menor intenção de ofender quem pensa diferente de mim.É apenas uma questão de ponto de vista e preservação do meu bolso.

Eu digo NÃO às generalizações!






Beijos e excelente semana,


B.Beiçola.



Para doações de rímel, delineador e depósito em conta, e me ajudar a não generalizar os assuntos, entre em contato por: bruxinha@corporativismofeminino.com

quinta-feira, 1 de janeiro de 2009

Hora das compras!

Me desculpem Me agradeçam por não falar de Reveillón, retrospectiva 2008 ou resoluções de Ano Novo nesse post de hoje, mas o fato é que se eu fosse falar sobre isso o post ficaria demasiadamente pessoal, e além do mais, outras integrantes desse blog já abordaram ou irão abordar o assunto aqui. Meu post de retrospectivas está no meu blog pessoal para quem quiser lê-lo.

Então vamos falar de compritchas ? Vaaaaaaaamoooos!

Em meados de 2002, trabalhei no centro de São Paulo por mais de um ano, e esse período me fez chegar a duas conclusões:

1 – Mil vezes mais vantajoso fazer compras no centro do que nos shoppings, as lojas são infinitamente maiores, tem muito mais opções de lojas e os preços são bem mais atrativos.

2 – Mil vezes mais seguro fazer compra em shoppings. Tenho cagaço total de andar no centro, na maioria das vezes pago o preço mais alto, seja lá onde for, pra não ter que enfrentar uma peregrinação pelo centro.

Meus medos não são infundados. Na época em que eu trabalhava lá, um mendigo tentou me atacar na escadaria de acesso ao Shopping Light , odeio ter que passar pelo viaduto do chá tangendo as ciganas que insistem pra ler a mão, e claro, me cago de medo de ser assaltada, cansei de ver saques de bolsas por lá.

Há muitos anos que eu não ia ao centro, esse ano decidi ir, já que realmente não há lugar melhor pra comprar bijuteria (e todo tipo de parafernália) do que a Rua 25 de março. Eu precisava renovar meu estoque de bijuterias, e tipos que lá é tudo 4 ou 5 vezes mais barato que em qualquer outro lugar.

Fui, mas não sem antes tomar alguns cuidados, e deixo naqui as dicas da Creuza pra vocês:

1° Leve só o necessário: Deixe em casa todo e qualquer tipo de documento original, cartões de crédito que não vai usar e etc.

2° Seja Creuza: Deixe suas roupas finas no guarda-roupa. Tente parecer o mais pé rapada possível.

3° Esconda o ouro: Sabe aquelas calças jeans cheias de bolsos, zíperes e badulaques? Odeio-as. Mas tenho uma que tem um bolso de zíper enorme bem na coxa. Perfeita pra ir ao centro. Coloquei lá minha habilitação, meu cartão de crédito, débito e o pouco dinheiro em espécie que levei. Enfim, qualquer coisa de valor estava ali, disfarçadamente naquele bolso. Podem levar minha bolsa, não tem nada de valor lá, seus vermes!

4° Engane o trouxa: Na bolsa, carregar apenas coisas fúteis e sem valor. E mesmo assim, coloque uma carteira na bolsa, ainda que semi-vazia. Coloque algum trocado nela, pois se algum bandido te pegar, não pode dar muito na cara que é uma carteira falsa. Tem gente que carrega cartões cancelados nessas carteiras – eu não recomendo, pois se o meliante resolver te arrastar até a boca do caixa eletrônico, te fufu neguinha. Eu coloquei na minha R$ 20,00, algumas moedas, cartões sem valor (plano de saúde, cartão telefônico) e notinhas de supermercado.

5° Segure o riso: Bom, depois de todo esse “ritual” preparatório, ainda roubarem sua bolsa, o único problema é se segurar pra não rir deliberadamente da cara do bandido.

Boas compritchas de Ano Novo, moçoilas! (Ta, eu sei que devia ter feito esse post antes do Natal).

Aproveito pra avisar-lhes que ficarei umas semanas sem postar, já que amanhã vou viajar, e estarei em alguns lugares bem afastados, ou enchendo a cara de vinho, onde será mais difícil acessar a internet. But, conseguindo algum acesso a internet, as atualizações das minhas desventuras estarão no meu blog pessoal.

No mais, Feliz Ano novo, muchachas!

sábado, 20 de dezembro de 2008

Natal verde e vermelho-sangue

Fim de ano tem um significado especial na minha vida.
É época de fazer compras de Natal, tudo, tudinho para mim, que se danem os outros.
É época de aproveitar a mega liquidação da Zara.
É época de sair no tapa por uma blusinha laranja de viscolycra da Mercatto, que não vale o dinheiro, muito menos o esforço para adquiri-la.
É época de vasculhar as araras da C&A em busca de algo meramente vestível, como se fosse uma arqueóloga em busca do Santo Graal.
Ai, ai. Meu coração se enche de paz e esperança em dezembro.
Mas, como meu bom senso sempre pede férias neste período para aproveitar as festas com seus primos favoritos, o orgulho e a auto-estima, fico meio "a Deus dará". Tento me cuidar durante estes dias, pensando que tudo deveria ser feito com o máximo de cuidado para evitar constrangimentos e reações adversas, mas... ha! Até parece.
Fui ao shopping há duas semanas fazer minha tradicional compra de Natal acompanhada de meu pai. Tenho 24 anos na cara, mas ainda peço, anualmente, roupinhas bonitas de fim de ano.

Vergonha, não trabalhamos.
Ir ao shopping comigo é uma coisa bem mais simples do que o namorado ironiza. Eu tenho meia dúzia de lojas favoritas e restrinjo minha visita a elas. Caso não encontre nada no TOP 6... aí sim, é guerra, babe. Entro em TO-DAS-AS-LO-JAS. Até nas de jovens senhoras. É daí direto para o Pinel, que, por sinal, fica bem próximo do shopping que eu freqüento.


Mas, meu dia de compras estava sendo produtivo até entrar na Zara. A meca das pessoas que gostam de comprar coisas que nunca usarão, jamais, em qualquer hipótese, na vida. E lá, enquanto vislumbrava toda uma gama de peças que não fariam a menor falta em meu guarda-roupas, avistei o Graal. Sim, o meu cardigan vermelho-sangue. O meu cardigan vermelho-sangue que sempre quis e sonhei. O mesmo que eu vejo em capas de revista e editoriais informais de inverno desde 1992, mas jamais encontrei em qualquer loja por um preço razoável. O mesmo utilizado por Claire Danes, em "My so called life", na pele de Angela Chase, meu personagem/alter ego favorito.


O único problema é que ele estava na mão de outra pessoa. Corri a loja inteira em busca da pilha secreta de cardigans vermelho-sangue que sempre quis e sonhei e NADA.
Quis morrer, quis matar. Matar a lambisgóia que estava roubando meu cardigan, meus sonhos adolescentes de me assemelhar à Claire Danes e a minha sanidade!
Só que, se o bom senso estava de folga, a sanidade mental eu nunca possuí. Percebi que estava vestida com calça e camiseta pretas, assim como as vendedoras da loja, e não hesitei... fui resgatar meu cardigan.
Me aproximei da ninfa etérea loira e curvilínea que se apossou do meu casaco e iniciei o diálogo non-sense:

Eu - "Aaahamp. Oi... er... posso ver este cardigan, por favor? Er... temos que devolvê-lo ao estoque", disse puxando o cardigan.
Lorão - "Ahn? Por quê? Oi?", respondeu puxando de volta.
Eu - "Não posso explicar... eer... olha, é uma coisa meio secreta, eles tiveram um problema. Na fabricação entende?", sussurrei, olhei para os lados, fiz cara de 007.
Lorão - "É mesmo? Uuuuh, tem drogas nessa história, né? Deve ter, sempre tem drogas nessas histórias da Zara. Lembra a de 2003, né?", perguntou suspeitamente com um brilho nos olhos.
Eu - "Hmmm... drogas? É, talvez. 2003? Foi... foi uma coisa louca, né?", respondi, com medo, muito medo do Lorão.
Lorão - "Aaaah, foi", disse com olhar saudoso.
Eu - "Me dê o cardigan. Tudo vai ficar bem. Tudo muito sigiloso ainda. Nada concreto", respondi com palavras soltas em uma espécie de código.
Lorão - "Iiih, então vai dar um trabalho recolher todos eles, né? Ainda tem aquela pilha enooorme ali", disse apontando para um pilha de cardigans de TODAS AS CORES DO ARCO-ÍRIS, bem na entrada da loja.
Eu - "Eer..ééé. Aaanh. Ah", gaguejei e saí.

Até fiquei com raiva de ter feito toda uma representação a troco de nada, mas o cardigan da loira curvilínea obviamente era P e eu precisava de algo maior. Fui em direção à tal pilha e era tão bonito. Eram tantos. Bem na minha frente. O meu "cardigan vermelho-sangue que sempre quis e sonhei" e vários amiguinhos em volta. Eles custavam menos de R$50,00 e, definitivamente,... não caberiam em mim. Nunca. Nunquinha. Nenhum deles. Só nascendo de novo.
Toda a pilha era de "cardigans vermelho sangue que eu sempre quis e sonhei" no tamanho P e, bom, P não é meu tamanho desde os 12 anos. Sou uma mocinha grande, pensei. Fudeu, pensei de novo.


Chamei uma das simpáticas atendentes da loja e, já prevendo que o M não passaria do meu pescoço, pedi o G. Aí, a Terra parou de girar, os pólos magnéticos se inverteram e ela disse:
"Tamanho G? Para você? Hmmmm... Olha, não queria falar nada não, mas essa modelagem é muito pequena... (olhando para meus seios). Honestamente, não vai caber em você (olhando para meus quadris, de forma reprovadora)".


E eu, pensando em de que forma meus quadris se relacionam com um casaquinho, respondi:
"Não queria falar nada não, mas a sua calça também é muito pequena para sua bunda e eu não estou comentando nada, então... chop chop - sim, eu falo isso - você poderia tentar localizar meu cardigan?"


Em tempo, a bunda era realmente muito grande para a calça que se esforçava em vestí-la e esse detalhe ficaria entre eu e minha mente sórdida, mas NÃÃÃÃÃÃO ela tinha que tentar transformar "meu dia fabuloso de compras no cartão do papai" em um inferno. Argh.
O cardigan existia em G e, sim, se ajustou ao meu corpo como se tivesse sido feito por encomenda por habilidosas freiras cegas dedicadas à arte de serzir em um convento no sul da Espanha.
Ao sair da loja o Lorão comentava com uma senhora aleatória algo sobre cardigans azuis. Acho que ela piscou para mim. Surrealismo é o fruto do meu dia-a-dia.
The end.

The end my ass. Cheguei em casa e concluí o ritual anual de sair com o papai e acabar com seu 13º: experimentei tudo o que comprei, combinando com todas as peças pré-existentes em meu armário. Dediquei atenção especial ao cardigan e me impressionei com seu potencial camaleônico. A peça mais coringa que já possuí, certeza. Então, enquanto dobrava-o gentilmente para apresentá-lo ao meu guarda-roupas, sua nova residência, um pequeno detalhe na etiqueta chamou minha atenção.
70% Cotton
30% Nylon
Made in Cambodia.


...

Made in Cambodia!!!!!
MADE IN FUCKIN' CAMBODIA!

Teto preto seríssimo. Não lembro dos cinco minutos seguintes, pois durante este pequeno período eu tive flashes incessantes de crianças de sete anos de idade tendo membros amputados por máquinas assassinas no Camboja. Crianças de sete anos de idade recebendo U$0,04 por dia de trabalho. Crianças de sete anos de idade sendo molestadas pelo dono da fábrica. Crianças de sete anos de idade sendo chicoteadas para acelerar o processo de fabricação de tênis da Nike e CARDIGANS VERMELHO-SANGUE DA ZARA.


Sabe o porquê do nome vermelho-sangue do meu cardigan? Ele é vermelho porque foi lavado com o sangue das criancinhas cambojanas que o fizeram. Argh. Aaaargh. Argh.

Nunca usei meu cardigan. Está no fundo do armário acumulando karma.
Argh.






TEXTO ESCRITO POR Patsy, vencedora da Promoção "Delírios de Consumo", que ganhará o livro "Delírios de Consumo de Becky Bloom" de Sophie Kinsella. Parabéns, querida! Adoramos o seu humor e o espírito Becky Bloom que se apossou de você nessa crônica, aguarde nosso contato ainda hoje!

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Porque odeio ir ao Shopping - PARTE II

Desventuras na Ximbica




Depois do passeio pelas lojas Ximboca, chegou a vez das lojas Ximbica.

Lojas Ximbica são aquelas pequenas, que ao contrário das Ximbocas, normalmente só vendem um estilo de roupa. Ou é feminina, ou é masculina, ou é infantil, ou é esporte, ou é social. Enfim, por serem pequenas, não oferecem cartão Ximbica, em contrapartida, elas normalmente aceitam qualquer tipo de cartão de crédito, débito, cheque pré, contra-vale de padaria, vale alimentação, passe, e têm-se notícia de algumas que aceitam até títulos vencidos da tele-sena.

A possibilidade de visitar lojas Ximbicas me deixa em um velho dilema:

Opção 1: Ir no horário de pico dos shoppings (noite, sábado e domingo) e ter que transitar em Ximbicas com mais de 5 pessoas por metro quadrado de loja.
Opção 2: Ir fora do horário de pico (durante a semana, manhã ou tarde) e ter que suportar 5 vendedoras amyghas pentelhas com um único alvo: EU.

FicaDúvida!

Opto por ir fora de horários de pico, pois não gosto de tumulto, sabendo que lá terei que enfrentar inúmeras vendedoras amyghas, vou à luta!

Após perambular olhando diversas vitrines Ximbiquêsas e reparar nas vendedoras amyghas ociosas na porta de cada loja - sedentas por vítimas, decido entrar na Ximbica que aparenta ter a menor quantidade de vendedoras por metro quadrado. Mesmo assim não há escapatória, logo sou abordada por uma vendedora que diz: - “Posso te ajudar, amygha?” Amiga o caralho. Esboço um sorriso amarelo e respondo pacientemente: - “Estou só dando uma olhadinha” – A vendedora retruca: “- Ok amygha, aqui está o meu cartão!”. Essa parte me remete a aquele quadro da antiga A Praça é Nossa : “Eu sou o Paraíba, aqui está o meu cartão”

Repito o mesmo procedimento em diversas Ximbicas, até que inevitavelmente, decido provar uma peça em alguma delas. Quando penso em acionar a vendedora amygha mais próxima para solicitar a peça, dou um passo pra trás e esbarro em uma delas, escuto: “- Desculpa, amygha!”
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Peço UMA peça pra vendedora amygha, mas ela, muito prestativa, vem com meia dúzia de peças, algumas que não tem absolutamente nada a ver comigo, mas paciência. Pego a peça que pedi, e às vezes mais alguma (devido à insistência da amygha), sigo para o ritual do provador.

Aquela cabine minúscula que antes de entrar, praticamente tenho que decidir se quero ficar de frente ou de costas. Mal passei o trinco na cabine, e a vendedora retorna: “- E ai amygha, gostou?”. Respiro fundo, conto até 10 e respondo: “- Ainda não vesti...” – Distraída pela amygha que incomodou lá fora, bato o cotovelo na porra da parede da cabine, amaldiçôo o ser que projetou essas cabines pra mulheres com menos de um metro e meio e prossigo com o ritual do provador.

Coloco a calça com muito esforço, vejo que ela mal passa pelo meu quadril, percebo que ficou curta, amassou minha bunda. A Calça apertou tanto a minha cintura, que mesmo sendo magra, pude perceber o principio do fenômeno de panetone se formando na minha barriga.
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Novamente a vendedora bate na porta: "- E ai amygha, deixa eu ver como ficou...?”. Respondo: - “Não, não ficou boa..”. Ela retruca: “- Mas deixa eu ver, amygha..”
Vencida pelo cansaço, decido por abrir porta do provador, feliz por saber que o Brad Pitt mora em outro país e não há o menor risco dele estar naquela Ximbica e me ver com aquela calça me apertando como uma embalagem de salsicha. http://Corporativismo-Feminino.blogspot.com

Abro a porta com expressão glútea estampada no rosto (vulga cara de bunda), a vendedora olha, sorri falsamente e diz: “- Mas ficou LINDA em você amygha..”. Respondo: “- Não, ficou curta, tá vendo..?”. Ela diz: “- Mas ta na moda calça assim amygha, em você ficou legal, você tem um corpo bom..”. Respondo: “- NÃO, não gostei, não vou levar sua falsa capitalista!”

Quando fecho a porta pra recolocar minha roupa, a amygha bate na porta novamente: “- Então prova mais esses modelos aqui, amygha..” E joga meia dúzia de peças por cima da porta, 2 ou 3 caem na minha cabeça, perco o equilíbrio, pois naquele momento já estava calçando meu scarpin, bato o cotovelo na porta novamente e só então me recomponho.

Olho para as peças com ar desdenhoso, pego todas, coloco num cantinho. Sento no banquinho disponível na cabine (quando ele existe). Tiro o celular da bolsa, abro o browser, acesso meu gmail, mando sms para meus amigos, jogo tetris por uns minutos, e quando percebo que já passara tempo suficiente para ter provado todas as calças, coloco todas na mão, saio ao encontro da vendedora amygha. Quase tropeço nela ao sair do provador, expresso um sorriso falso nos lábios e digo: “- Vou dar mais uma olhadinha pelo Shopping amygha, qualquer coisa eu volto aqui e procuro por você tá?” – Faço isso mostrando o cartão que ela me dera previamente, para que ela se sinta amada.

Parto para outra Ximbica, e a batalha recomeça.

- Bel -
Bel@corporativismofeminino.com

OBS: Atenção vendedoras leitoras, não levem a mal!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Porque odeio ir ao Shopping - PARTE I

Desventuras na Ximboca


OBS: Ao prosseguir com a leitura, substitua a palavra "XIMBOCA" pelo nome daquela loja varejista pentelha que você odeia, mas sempre da uma passadinha lá: C&A, Renner, Riachuelo, Marisa..

Por que odeio ir no Shopping ? Me acompanhe, vou te contar.

Saio de casa em um sábado de sol, todos os caminhos querem me levar ao parque, a leitura de um bom livro ou até pra bebericar e jogar conversa fora com os amigos, mas não, estou indo ao tão temido pela conta bancária e tão cobiçado pelo guarda-roupa: O SHOPPING.

Vou mentalizando em todo caminho: “Não quero entrar na Ximboca, não quero entrar na Ximboca, não quero entrar na Ximboca”.
Quando chego, claro, vou direto pra famigerada Ximboca, pois a maioria delas estão situadas estrategicamente bem na entrada dos shoppings. Sim, eu sou Creuza e póbrinha, por vezes compro na Ximboca.

Logo quando entro, a mocinha pergunta se tenho o cartão Ximboca, eu não tenho, mas digo que tenho, só pra moça não me pertubar. NUNCA OUSE dizer que não tem, sob pena que ser ter seus ouvidos alugados nos próximos minutos.

Aí vou passando pelas araras, fuçando, fuçando, fuçando, pego uma blusinha aqui, outra ali. Lembrando que cada blusinha que gosto, pode render uma média 4 peças pra provar, pois nunca sei qual tamanho vai ficar bom, qual cor vou preferir, então pego pelo menos duas cores em dois tamanhos. Por favor, digam que eu não sou a única retardada que faz isso.

Passa outra mocinha e pergunta se tenho o cartão Ximboca, uso a arte do blefar mais uma vez: - Sim, já tenho, minha filha. MORRA!

Passo por mais algumas araras, e de repente já começo a sentir os cabides pesarem no braço – és chegada à hora do ritual do provador.
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De longe, já posso observar os maridos e namorados insatisfeitos, segurando as bolsas das amadas esposas / namoradas, aguardando pacientemente com a maior cara de cu do mundo que elas saiam do ritual do provador. Respiro fundo e sigo, sou empurrada por duas ou três crianças no caminho (incrível, o provador sempre fica ao lado do setor infantil) entro no provador só depois de já irritada, dizer pra moça que fica na porta mais uma vez: - Sim, já tenho o cartão Ximboca, moça.

Quando dou sorte, aloco-me em uma casinha no final do corredor, pois lá sei que as chances de crianças pentelhas abrirem a cortina da minha casinha são bem menores.

Coloco a primeira calça, o zíper não fecha.
Segunda calça, ficou folgada.
Terceira calça, o zíper fecharia, mas não passou na batata da minha perna.
Quarta calça, finalmente, entrou e fechou, ó! Dou uma voltinha no espelho e percebo que ela achatou minha bunda. Deixa pra lá, não estou precisando de calças mesmo, vou provar as blusinhas.

Provar blusinhas é uma coisa que exige muita tática e paciência, pois cada uma que eu visto, soa como um velho desafio: Meu cabelo versus Lei da gravidade. Meus cachos não gostam de provar roupas, fato.
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Coloco a primeira, a segunda, a terceira, a quarta...não gosto de nenhuma. Saio do provador com os cabelos em pé! (literalmente), e a moça pergunta: “Gostou de alguma?” – tímida, respondo: “Só essa aqui...”. Saio com uma peça em mãos, pra não passar pela descontrolada que prova 10 peças e não gosta de nada, mas deixo-a na primeira arara que encontro pela frente, logo depois respondo ao simpático mocinho: “Sim, já tenho o cartão Ximboca, moço”. E vou enfiar ele no cu de quem me perguntar isso novamente, porra!

Saio ensandecida. Quanto tempo já perdi aqui provando as roupas inúteis da Ximboca ? uma hora? Meu sais! já estou de saco cheio, quero ir pra casa! - penso.

Antes de sair da Ximboca, olho a inúmera variedade de bijuterias, crio fixação por algum colar que custa R$ 30 na Ximboca, mas provavelmente me custaria 3 vezes menos em qualquer lojinha no centro da cidade. Decido por comprá-lo, afinal, já perdi uma hora inteira ali mesmo.

Vou para a fila do caixa com meu colar. Claro que a fila que eu escolhi é a que não anda. É aquela que tem uma senhora comprando em 20x no cartão Ximboca algumas 25 calcinhas tamanho GG, além de sutien de alta sustentação, e mais roupas para o 5 netos, que estão puxando a saia dela e gritando o tempo todo.

Enquanto assisto a algazarra e espero na fila, respondo pela enésima vez: “- Sim, já tenho o cartão Ximboca moço”. E se tivesse mesmo, é nesse momento que estaria enfiando-o güela baixo do que fez novamente essa infeliz pergunta.
Finalmente, chego ao caixa, ouço uma variação da temível pergunta: “Vai pagar com o cartão Ximboca?”. Respondo: “– Não, minha filha, REDESHOP, pois enfiei o cartão Ximboca no cu daquele seu amigo ali, tá vendo?”

Enfio meu colar na bolsa e saio da Ximboca, já sem paciência pra muita coisa. Ando alguns metros até o quiosque do Mc Donald mais próximo, peço uma casquinha pra esfriar os ânimos, e até lá, vejo uma inocente plaquinha: “PAGUE COM O CARTÃO Ximboca”.

Saio com minha casquinha, decido voltar pra casa.

Caminho de mãos vazias e entoando o mantra: “Dá próxima vez, não vou mais perder tempo na Ximboca...”


- Bel -
bel@corporativismofeminino.com

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Delírios de Consumo

Estou economizando há quase dois meses. E me sinto orgulhosa por isso. Antes, além de poluir a cidade com meu carro e gastar quase R$200,00 por semana de gasolina, eu ainda dava ao flanelinha R$2,00. E se parasse em outro lugar, então, mais R$2,00. Agora não, tomo um metrô abarrotado às 7 da matina por míseros R$2,00 e levo a minha garrafa térmica com água que sempre encho no shopping. Logo, nem compro refrigerantes que só me engordam, e nem preciso ficar pagando R$1,00 por água que temos de graça em bebedouros comerciais! Sem falar que ando de salto alto da minha casa para estação e da estação para o trabalho, o que faz com que eu me exercite até fora da academia! Não é fantástico? Eu acho!

A minha vida desprendida de gastos desnecessários parece mesmo incrível, digo emputecida, enquanto procuro um bebedouro com água gelada e me equilibro em pés que parecem vestir manequim PP. Brasília com uma umidade de dar inveja no Deserto do Saara faz com todos queiram um sorvete, uma coca-gelada ou um ar condicionado de shopping na velocidade máxima. Então, eu decido que não quero nada disso: EU QUERO AQUELA BOLSA!

Sim, estava eu e uma amiga caminhando no shopping quando vi a bolsa dos meus sonhos num cabide de vitrine. Na hora não a reconheci, até porque nunca usei nada dourado. Mas ela era dourada! Dourada! Esmaeci quando entendi que, de fato, a bolsa era dourada. E, sim, eu não uso nada dourado. Inclusive jóias de ouro (amarelo) não é um bom presente para me dar, certamente, eu venderia. Não acho que dourado combine com a minha morenice tropicana e, por isso, tudo que é dourado sempre me arranca um “Que brega!”. Mas a bolsa era algo ultra-mega-hiper-super elegante e, não era só isso, ela era imensa, o que me atraía ainda mais. Esquivei-me, mas a minha amiga se precipitou para dentro da loja conferindo o preço. Choquei-me com o valor, era realmente incrível: Menos de R$100,00. Descobri que havia passado 2 anos da minha vida gastando dinheiro com gasolina, quando na verdade poderia comprar DUAS BOLSAS MARAVILHOSAS iguais aquela 1x na semana.

Na mesma hora recitei meu mantra “Pulsação 12. Pulsação 12. Pulsação 12”. A minha voz secreta me esbofeteou: "Controle-se, é só uma bolsa e ainda é DOURADA! Que ridículo, como você poderia comprar uma bolsa DOURADA? Enlouqueceu?”. Olhei para a bolsa com desdém e disse a minha amiga “Ela é bonita, mas eu não tenho NADA dourado, além disso estou economizando! Vamos almoçar...”.

Percorri o olho no cardápio e nada agradava. Pensei que quando terminássemos de almoçar, eu poderia voltar lá e perguntar em quantas vezes a vendedora poderia parcelar aquela bolsa e, CASO ela parcelasse, eu compraria. Mas a temperatura de Brasília fez a minha amiga desfalecer e lá vamos nós embora do shopping sem a bolsa, digo, sem o almoço.

Dormi pensando na bolsa e entendi que meus figurinos não combinariam com ela. Era só mais uma bolsa inútil no fundo do armário. Até agradeci por minha amiga ter passado mal, afinal eu não me rendi ao consumismo barato. Minha amiga acabou me salvando, vejam vocês!

No dia seguinte, ao ligar o computador no trabalho... A primeira coisa que fiz foi acessar o site da loja e lá estava a bolsa com uma descrição fantástica, em linhas gerais dizia quão RETRÔ e FASHION ela era. E, pasmem, ela podia ser parcelada em 2x sem juros. Pensei “Que maravilha! Que pechincha! Claro que vou comprar!”. Sai para o almoço mais cedo, temendo não encontrá-la na vitrine. Mas lá estava a danadinha me esperando! A loja estava cheia e uma moça de uniforme cinza me cumprimenta com um “Você gostou?”. E eu olho para a bolsa mais uma vez “Vou levar. Ela é dourada, não é?”. Por um minuto pude ler o pensamento da vendedora “Não, filha, é roxa!”.


Enquanto ela a embrulhava com todo cuidado num papel de seda, eu dizia “Então, podemos parcelar em 2x, não é mesmo?”, e sacudia o meu cartão de crédito, também dourado. “Não, senhora, não dividimos este valor!”. Revirei os olhos pronunciando “Mas eu vi no site que...”. Arrogante, ela me responde: “No site tem frete por isso eles parcelam”. Sinto-me arruinada. A condição era SÓ comprar SE fosse parcelado. “Lembra, Zíngara? Você impôs essa condição. Então, saia daí agora!”. A vendedora debocha de mim dizendo que “Essa é a nossa última peça!”. Na mesma hora sinto uma vontade extrema de dizer “Ponha de volta no lugar, não tenho nada que combine com uma bolsa DOURADA, além disso, eu achava que podia parcelá-la!”, mas a minha boca pronuncia “Tudo bem, eu adorei a bolsa mesmo!”.



Uma semana se passou depois que comprei a bolsa, ela continua embrulhada. Ela é linda, acreditem, mas é dourada! Ela é excêntrica e elegante, acreditem, mas é dourada! Acabo de perceber que terei que comprar um sapato que combine com ela. E, ah, uma roupa, talvez um vestido ou uma saia. Talvez eu compre pulseiras também... Porra! Mas quem disse que a moda é andar combinando? Talvez eu volte a andar de carro...


Zíngara


(Contaminada pelo livro Os Delírios de Consumo de Becky Bloom).

quinta-feira, 7 de agosto de 2008

Sonho de consumo: COMPRAR


Não sou boa para dinheiro. Se tenho, gasto com coisas pequenas e banais. Se não tenho, entro no cheque especial e deixo para pensar no outro mês o que fazer com a conta do cartão de crédito. Tenho urgência por consumo. Lembro uma vez de assistir a Grazi Massafera, ex-BBB e aspirante ao cargo de Musa Global, dizer que sobrevivia com um salário mínimo. Sim, há gente que sobrevive com bem menos.

Você diria hoje que viveria bem com a bagatela de R$10.000,00 por mês, mas daqui a um ano essa realidade não seria a mesma. Estou excluindo o fato de que os preços aumentam, estou falando estritamente no fato de que o poder aquisitivo nos leva a um leque de novos confortos.

Bill Gates doou boa parte do seu dinheiro a instituições e, hoje, não é o homem mais rico do mundo. Ter muito dinheiro implica em saber que se pode comprar tudo e "poder comprar TUDO" deve ter um sabor aguado.

Imagine-se riquíssima, adentrando a sua loja favorita e comprando 20 pares de sapatos numa tarde só. No primeiro momento, isso parece um sonho, nem o gênio da lâmpada mágica realizaria esse desejo, mas e depois de alguns anos? O consumo teria esse "sabor"? Para mim não. Nunca fui rica, mas consumir tem um quê de VITÓRIA para quem não tem o luxo de "comprar tudo". Quando compro, levo para casa O NOVO, algo NOVO para me reencontrar. Algo NOVO para me dizer "Olha, você tem coisas novas, haverá AMANHÃ". É como se eu tivesse certeza que ao usar aquele objeto, eu estaria trazendo NOVIDADE ao meu semblante.

Não sei se vocês conhecem a lendária história (estória) da moça que nunca usava um vestido, esperando uma OCASIÃO ESPECIAL, e acabou morrendo sem usá-lo. Essa metáfora servia para dizer "Não deixe para amanhã o que você pode fazer hoje! Curta a vida. Viva como se fosse o último dia da sua vida". As coisas novas nos dão a certeza de que "precisamos" estar vivos para usá-las. Tenho a péssima mania de arranjar ALGO para estrear UM SAPATO, por exemplo. É, eu invento uma saída para jantar, só para usar o bendito. Tenho urgência em tornar a coisa não "mais nova" e perseguir outra coisa nova na vitrine. É uma batalha que eu sempre saio perdendo, óbvio, quem tem dívidas sabe.

Certa vez, percebi que tinha todas as cores de scarpin (o estilo de sapato que mais me atrai). Havia conseguido comprar o último, um pink. A batalha para comprá-lo foi estafante, para amenizar a angústia comprei outros tons parecidos neste ínterim. Quando eu o achei, pus fim na busca e aquilo me angustiou.

Parei diante dos sapatos e me perguntei o que faltava. A busca havia cessado, não precisava ir atrás de nada, nem ir ao novo shopping tal averiguar se lá havia o tal "scarpin rosa". Por um tempo, percebi que o scarpin rosa era o que me movia, conduzindo-me a vitrines e engarrafamentos. Nunca usei o tal scarpin rosa, a minha excitação diante dele não me deixou enxergar que seu salto era 10 (ou seja, impossível que eu me equilibre NUM desses). É, meninas, o bendito sapato é a representação do meu desejo de comprar, apenas o verbo no infinitivo, estático e atemporal...



Zíngara

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