Pouco mais de um ano de namoro a minha menstruação atrasou (logo quando a gente estava brigado, pra terminar). Sempre demorava mesmo, por volta de uma semana. Resolvi esperar mais uma semana. Passado esse tempo, eu fui ficando muito nervosa e preferi fazer logo o exame de sangue pra conferir. Fui pra cidade do meu namorado e fomos fazer o exame, bem cedo. Eu fiquei muito nervosa, tremia de medo. O resultado ficava pronto só daí 2 horas. Duas horas de surto, o resultado ficou pronto. Pegamos o exame e tinha um POSITIVO naquele papel. Eu comecei a chorar e ele a falar que precisava falar sério comigo.Eu não sei o que eu esperava dele, mas sei o que eu não esperava. "Você vai tirar essa coisa, eu não quero ser pai". Na hora eu me desesperei tanto que só conseguia chorar. Eu chorava soluçando e ele falando que ia procurar uma clínica pra tirar, que gastaria o dinheiro que fosse mas que ele não teria essa 'coisa'. Pulo essa parte porque ele repetiu a mesma coisa o resto do fim de semana. Me levando pra rodoviária, ele terminou comigo dizendo que não queria essa responsabilidade.
Assim que cheguei em casa, contei pros meus pais que sempre foram muito compreensivos. Depois do choro e choque, meu pai me apoiou em tudo e minha mãe só dizia que eu precisava me casar. Mal sabiam eles que eu já era uma mãe solteira.
Os dias foram passando e eu surtando, não conseguia trabalhar nem comer direito. Minha mãe estava fazendo dos meus dias um inferno, me deixava muito mal, e o 'namorado' ficava falando sobre as pesquisas sobre aborto e falando que jamais ia ficar comigo porque não me suportava, que não queria ter que passar o resto da vida com aquele vínculo comigo. Eu dizendo que não ia tirar, mas a pressão da minha mãe me fazia refletir sobre. Passaram duas semanas nessa loucura e eu pensando muito em que futuro eu daria pra essa criança que não pediu pra nascer: aos 21 anos, mãe solteira, sustentada pelos pais, estou no meu 4o ano de faculdade e não tenho emprego, só estágio. Eu achei que não seria capaz de enfrentar isso sozinha. Fui fraca e acabei concordando em tirar, com a condição de que depois disso, o 'namorado' me deixasse em paz.Ele pesquisou na Internet, pediu Cytotec e modo de uso, tudo saiu muito caro mas ele disse ter valido cada centavo. Ingerir e introduzir. Feito. Diarréia, dores no corpo, febre e o pior, dor na consciência. Começou a sangrar. Fui ao banheiro trocar de absorvente e caiu uma borra de sangue no chão, era o meu feto. Eu posso viver 100 anos que aquela cena eu nunca vou esquecer.
Voltei pra minha cidade sangrando, não imaginei que seria tão forte assim. Ao chegar em casa, fui ao banheiro e minha placenta desceu perna abaixo. Eu me assustei e gritei. Minha mãe correu comigo ao hospital. Exames e toques. "o que aconteceu com você, acontece com muitas mulheres, má formação no feto causa a própria expulsão, fique tranquila que você ainda terá muitos filhos".
Passei a noite tomando soro e fui pra casa. Nenhuma ligação do 'namorado'. Passados dois dias, tive outra hemorragia, corri pro hospital e o médico disse que precisava de uma curetagem, tinha ficado um pedaço da placenta que não queria se soltar sozinho. Eu tomei anestesia geral, mesa de cirurgia e pânico. Quando tudo acabou, eu só conseguia chorar. O 'namorado' não veio me ver até hoje. Isso tem pouco mais de dois meses e ele me pede pra voltar. Eu não consigo perdoar ele, nem a mim. Sonho com morte e criança sempre. Não consigo ver uma criança na rua e não remeter a cena do meu feto.
E eu só escrevi porque eu precisava falar com alguém, mesmo que só falar. Não façam o que eu fiz.
Paola.
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