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segunda-feira, 16 de agosto de 2010

TEXTO DA LEITORA: Deixa que EU dirijo!

No auge da minha indignação eu venho aqui concretizar a minha teoria: " Por trás de uma mulher barbeira, há sempre um pai que grita!". Nós mulheres somos crucificadas com a famosa frase " Mulher no volante, perigo constante.", somos taxadas de barbeiras e paramos o trânsito não por nossa beleza, mas pela nossa falta de capacidade ao volante! Francamente!

Não é a primeira vez que eu ouço histórias de mulheres que dirigiam mal na frente do pai. Perto da mãe, junto das amigas era tudo flores, mas quando a figura paterna entrava e se assentava no banco do passageiro, com aquele olhar de "você vai errar", era batata! A pobre coitada assassinava o Código de Trânsito Brasileiro, furava o semáforo, subia na guia, deixava o carro morrer, quase batia o carro, entre outras catástrofes que só acontecem, eu disse só acontecem quando estamos dirigindo na companhia de nosso querido pai.

Minha professora de CFC contou que pra piorar a situação o pai dela era instrutor de trânsito, e que quando estava sem ele, ela até que dirigia bem, mas quando o pai entrava no carro, ela cometia barberagens homéricas, como quase entrar dentro de uma agência bancária com o carro! Quando eu ouvia essas histórias, eu até pensava que poderia ser generalização, e eu detesto generalização. Quando comecei a dirigir, meu pai foi muito paciente. Não tinha do que me queixar. Hoje eu percebi que não é lenda urbana, é a mais pura verdade!

Eu tenho carta de motorista, aliás, permissão para dirigir há dois meses e nunca fiz grandes barberagens. Sempre tive cautela, nunca subi numa guia, nem sai cantando pneu no meio da rua. Hoje eu fui com o meu pai buscar o meu irmão, e a cara de "poucos amigos" que o meu fez quando pedi pra ir dirigindo já me deu uma prévia do que aconteceria. Fui conversando com ele, tentando quebrar o gelo, mas ele era irredutível, parecia um instrutor careta e velho ensinando uma patricinha desligada a dirigir. Me falava de tudo que eu tinha que fazer, coisas que eu já sabia, mas ele enfatizava e sua voz soava um grande desconforto.

Daí só pra pior. Gritou comigo, mexeu no volante porque ele achou que eu fosse bater o carro, enfim... Eu não estou aqui pra crucificar meu pai, eu só estou aqui concretizando a minha teoria. Nós mulheres, nós sabemos dirigir sim! Mas o que nos faz tremer na frente do volante são as vozes graves de nossos pais, irmãos, namorados, maridos, que tem a plena convicção que sem os gritos deles só iremos fazer uma bela duma cagada no trânsito!

Eles tem que gritar! Mas será que eles já experimentaram ficar quietos e observar o resultado? Então, homens que estão lendo esse texto, não gritem com suas filhas, suas mulheres, suas qualquer-coisa que estiverem ao volante! Um grito de vocês pode trazer um belo medo de dirigir e até mesmo anos de terapia para nós, pobres mulheres injustiçadas no trânsito, só porque somos MULHERES! E tenho dito!!!


Gabriela Sikorski

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Texto da Leitora: Eu, contra mim mesma, puxando meu próprio tapete

Depressão é uma doença séria, mas infelizmente ainda é menosprezada por muitos. Tanto por alheios, que muitas vezes acham que os que sofrem de depressão na verdade estão de frescura, corpo mole, preguiça, e coisas do gênero, quanto por aqueles que a adquirem e muitas vezes não percebem sua mudança de comportamento e acabam se acomodando em um mundo depressivo sem perceber, sem acreditar. Esse foi meu caso por um longo tempo.

A depressão foi me consumindo aos poucos, a perca de interesse pelos estudos, trabalho e hobbies. Vontade extrema de ficar em casa fazendo nada, falta de coragem e de ânimo pra coisas simples como organizar meias ou sair pra uma festa, enfim, desanimo absoluto. Oscilar entre picos de extrema sonolência e insônia, uma vontade imensa e incontrolável de chorar que vem do nada, e mais uma série de coisas que por muitas vezes preferi chamar de preguiça a acreditar que era depressão.

Eu diria que passei anos menosprezando sintomas depressão, que foram aumentando a cada dia, até que cheguei a um ponto em que já estava decidida a procurar ajuda, mas protelei enquanto pude, e quando já estava de consulta marcada com um psiquiatra para o mês seguinte, o que eu menos esperava aconteceu. Sofri uma crise, tremenda (e horrível) provocada pela depressão. Sem dúvidas, foi uma das piores experiências da minha vida.

Além da depressão, sempre sofri de ansiedade, as duas juntas culminaram nesse momento de crise. Foram dias que, juro, nunca imaginei que fosse vivenciar.

Tive ataques de pânico com direito à coração disparado, insônia, dormência - que começou nos dedos e se alastrou pelos braços, pernas, pescoço, cheguei a pensar que fosse ficar inconsciente, mas graças a Deus isso não aconteceu. Tive que parar no hospital algumas vezes para conseguir remédio pra dormir – sem eles, eu passava uma noite que podemos chamar de noite do terror, sem conseguir dormir, respiração ofegante, com sensação de que ia ter um ataque a qualquer momento. Cheguei a pensar que estava ficando louca. Em uma das crises cheguei a tomar seis calmantes fototerápicos de uma só vez – sem que me provocassem qualquer efeito. E confesso, cheguei a ir na cozinha e pegar uma faca. Mas não tive e não teria coragem de fazer nada contra mim. Na verdade eu achava que precisava ser internada, não suportava mais aquela consciência doentia dentro de mim.

Desde então passei a entender melhor as pessoas que comentem suícidios ou que vivem embriagadas. Não cheguei a pensar serialmente em suicidar-me, mas pensaria se a situação tivesse continuado por mais dias. Ou buscaria algum refugio no álcool ou em qualquer outra coisa que pudesse me entorpecer.

E nesses dias que eu soube verdadeiramente o que é ter uma depressão profunda. O que é querer ficar estatelada em um canto qualquer sem vontade de se mexer, sem vontade de comer, de tomar banho, de trocar de roupa, de pentear os cabelos. A vontade de tentar dormir e não conseguir, pois bastavam 15 minutos de cochilo pra acordar com o coração querendo sair pela boca.

A vontade de ler um livro e perceber não consegue prestar atenção em uma linha sequer. A vontade de ver um filme e perceber que não absorvia 0,001% do que os personagens dizem. A vontade de urinar gotinhas a cada 5 minutos, pois o controle do meu corpo já não era meu.

Ficar encostada em um sofá ou uma cama qualquer não era um conforto, e sim, apenas uma tentativa de conforto, mas aquela sensação ruim continuava dentro de mim o tempo todo.

Fui à psiquiatra, que não precisou de muito para diagnosticar o que se passava. Fui medicada, recebi algumas orientações e a garantia de que aquilo tudo ia passar. Voltei pra casa, e felizmente, passou. O pior passou, a crise passou. Mas ainda continuo na luta contra a depressão, uma batalha à favor da felicidade, que, sinto informar, não é fácil ser vencida. Por mais que eu me esforce, não é fácil. Parece mais fácil que o mundo realmente acabe em 2012, ou melhor, que acabe amanhã mesmo. Meus amigos e minha família sabem o quanto tento lutar contra isso, mas infelizmente não é tão fácil quanto muitos pensam.

Enfim, com esse texto eu só queria dizer e pedir que nunca menosprezem uma doença desse tipo, com você, com amigos ou familiares. Depressão não é frescura, não é preguiça, não é corpo mole. Depressão é uma doença real, e só quem passa ou já passou por algo do tipo, sabe o quão difícil é lutar contra ela.

Rose

domingo, 4 de julho de 2010

TEXTO DA LEITORA: O dia em que eu concordei.

Eu sei que vai parecer um depoimento com voz de ganso no Linha Direta. Mas pra mim, é mais trágico ainda.

Pouco mais de um ano de namoro a minha menstruação atrasou (logo quando a gente estava brigado, pra terminar). Sempre demorava mesmo, por volta de uma semana. Resolvi esperar mais uma semana. Passado esse tempo, eu fui ficando muito nervosa e preferi fazer logo o exame de sangue pra conferir. Fui pra cidade do meu namorado e fomos fazer o exame, bem cedo. Eu fiquei muito nervosa, tremia de medo. O resultado ficava pronto só daí 2 horas. Duas horas de surto, o resultado ficou pronto. Pegamos o exame e tinha um POSITIVO naquele papel. Eu comecei a chorar e ele a falar que precisava falar sério comigo.Eu não sei o que eu esperava dele, mas sei o que eu não esperava. "Você vai tirar essa coisa, eu não quero ser pai". Na hora eu me desesperei tanto que só conseguia chorar. Eu chorava soluçando e ele falando que ia procurar uma clínica pra tirar, que gastaria o dinheiro que fosse mas que ele não teria essa 'coisa'. Pulo essa parte porque ele repetiu a mesma coisa o resto do fim de semana. Me levando pra rodoviária, ele terminou comigo dizendo que não queria essa responsabilidade.

Assim que cheguei em casa, contei pros meus pais que sempre foram muito compreensivos. Depois do choro e choque, meu pai me apoiou em tudo e minha mãe só dizia que eu precisava me casar. Mal sabiam eles que eu já era uma mãe solteira.

Os dias foram passando e eu surtando, não conseguia trabalhar nem comer direito. Minha mãe estava fazendo dos meus dias um inferno, me deixava muito mal, e o 'namorado' ficava falando sobre as pesquisas sobre aborto e falando que jamais ia ficar comigo porque não me suportava, que não queria ter que passar o resto da vida com aquele vínculo comigo. Eu dizendo que não ia tirar, mas a pressão da minha mãe me fazia refletir sobre. Passaram duas semanas nessa loucura e eu pensando muito em que futuro eu daria pra essa criança que não pediu pra nascer: aos 21 anos, mãe solteira, sustentada pelos pais, estou no meu 4o ano de faculdade e não tenho emprego, só estágio. Eu achei que não seria capaz de enfrentar isso sozinha. Fui fraca e acabei concordando em tirar, com a condição de que depois disso, o 'namorado' me deixasse em paz.Ele pesquisou na Internet, pediu Cytotec e modo de uso, tudo saiu muito caro mas ele disse ter valido cada centavo. Ingerir e introduzir. Feito. Diarréia, dores no corpo, febre e o pior, dor na consciência. Começou a sangrar. Fui ao banheiro trocar de absorvente e caiu uma borra de sangue no chão, era o meu feto. Eu posso viver 100 anos que aquela cena eu nunca vou esquecer.

Voltei pra minha cidade sangrando, não imaginei que seria tão forte assim. Ao chegar em casa, fui ao banheiro e minha placenta desceu perna abaixo. Eu me assustei e gritei. Minha mãe correu comigo ao hospital. Exames e toques. "o que aconteceu com você, acontece com muitas mulheres, má formação no feto causa a própria expulsão, fique tranquila que você ainda terá muitos filhos".

Passei a noite tomando soro e fui pra casa. Nenhuma ligação do 'namorado'. Passados dois dias, tive outra hemorragia, corri pro hospital e o médico disse que precisava de uma curetagem, tinha ficado um pedaço da placenta que não queria se soltar sozinho. Eu tomei anestesia geral, mesa de cirurgia e pânico. Quando tudo acabou, eu só conseguia chorar. O 'namorado' não veio me ver até hoje. Isso tem pouco mais de dois meses e ele me pede pra voltar. Eu não consigo perdoar ele, nem a mim. Sonho com morte e criança sempre. Não consigo ver uma criança na rua e não remeter a cena do meu feto.

E eu só escrevi porque eu precisava falar com alguém, mesmo que só falar. Não façam o que eu fiz.

Paola.






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domingo, 27 de junho de 2010

TEXTO DA LEITORA: Até onde os fetiches sexuais são aceitáveis?

Quando ele me adicionou no msn eu já sabia que não o conhecia pelo nome e sobrenome e quando começamos a conversar pensei: ‘Ufa! Pelo menos não é mais um taradinho da internet’, porque se você não sabe, eu devo dizer, sim, eu atraio taradinhos da internet, homens, mulheres, casais, todos querendo me transformar numa praticante de swing, lesbianismo, ménage, entre outras modalidades sexuais. Na vida real, também atraio tipos inóspitos, os comprometidos me farejam à distância. Não sou puritana ao ponto de dizer que nunca fiquei com alguém comprometido, já aconteceu, mas não é algo que eu procure preferencialmente, apenas acho que sou solteira e não devo me preocupar com as namoradas alheias, se rolar o clima, todo mundo é adulto, não? E olha, não vou dizer que sou de parar o trânsito, mas tenho lá o meu charme, se você quer saber.

Eu escrevo, mas nada demais, o blog é minha válvula de escape, meu vício, meu diário, mas ó, é um blog de família, não abordo nada nem perto do sexual. Então, quando ele me disse que me adicionou porque gostou do blog, do meu perfil e porque aprecia mulheres com unhas vermelhas – e eu sou adepta – não achei nada demais. A conversa entre nós fluiu facilmente, logo encontramos várias coisas em comum e muito rapidamente nasceu a vontade de nos conhecermos pessoalmente. Passávamos horas e horas conversando no msn, nos adicionamos no orkut, nos falamos por telefone. E fora um ou outra confissão pessoal, nossas conversas sempre foram num nível bacana, eu o achava até tímido, no princípio. É claro que eu estava encantada por ele, não apaixonada, óbvio, mas muito interessada naquela pessoa tão bacana que morava tão longe, mas que eu queria ter mais perto.

Daí ele me confessou que gostava de pés femininos com unhas pintadas de vermelho e que tinha fetiche em ele mesmo pintar as unhas de sua parceira. Eu achei até bonitinho. Ele me pediu para fazer isso comigo quando me conhecesse e eu nem vi nada demais. Mas fui perdendo um pouco da graça de conversar com ele porque, aos poucos, ele só queria saber dos meus pés e de quando iria pintá-los de vermelho. Foi ficando chato, eu tentava não dar bola, cortar o assunto. E quando ele parava com essas conversas bobas, voltava a ser a pessoa que me encantava e me fazia ter vontade de conhecê-lo melhor, pessoalmente. Bonito, engenheiro químico, 26 anos.

Algum tempo sem conversarmos direito, me pego saindo do trabalho quando ele entra no msn já puxando papo, querendo saber com que cor estavam pintadas as minhas unhas. Estranho, no mínimo. Mas era só a deixa que ele queria para me dizer que ele tinha pintado as unhas dele de vermelho. É claro que fiquei chocada, mas eu nem imaginava o que ainda estava por vir. Foi só o início da série de revelações que ele me faria aquele dia. Gostava de ser escravizado, chicoteado, humilhado, que lhe passassem vinagre no corpo. Gostava de lamber os corpos femininos molhados de vinagre. Não entendi o porquê. Vinagre? Não entendi mesmo. Mas o pior ainda estava por vir, ele me confessou, então, que era adepto de um fetiche estranho e que tinha vergonha de contar. Eu, curiosa ao extremo, disse que ele podia contar, que eu não iria julgá-lo. Sei lá, eu estava preparada até pra ele dizer que gostava de ‘fio-terra’, brinquedinhos, essas coisas, a julgar pelas unhas vermelhas que ele gostava de usar nele mesmo. Mas não, ele me fala uma palavra estrangeira que eu não sei o que é, mas que quer dizer tudo. Então, ele me explica e eu fico petrificada em frente ao computador. Ele sente prazer em comer as fezes da parceira. Sim, isso mesmo. Ele come cocô. Gosta de se lambuzar com o cocô, comê-lo e tudo mais. Nojento, eu sei. Eu só conseguia pensar ‘como dá na cabeça de uma pessoa que ela gosta de cocô?’.

Perguntei logo das suas namoradas, se elas participavam daquilo, ele me disse que isso não era algo que ele contasse a qualquer pessoa, que não partilhava disso com elas. Eu tinha que fazer uma prova na faculdade, saí correndo do msn, mas não conseguia nem me concentrar direito, só pensava nisso. O mundo é cheio de putaria, a gente é que não sabe. Quantas pessoas julgamos ‘normais’ tem essas estranhas preferências? Ninguém conhece ninguém mesmo. As pessoas que ele convive não sabem que há algo errado com ele. Sim, porque não consigo pensar que está tudo bem com uma pessoa que se excita ao comer fezes, deve ser algum problema psicológico grave. Sem contar que deve fazer mal à saúde também. Na saída da prova, liguei pra uma amiga, desabafei. Ela ficou chocada, já sabia sobre o rapaz do msn. Toda vez que eu lembrava do assunto meu estômago revirava.

Ele conversou comigo outras vezes, perguntei detalhes de como ele tinha descoberto essa vontade, curiosa que estava de sua iniciação naquele fetiche, ele disse que se excitou ao ver um vídeo, que pintava as unhas desde moleque, que sempre se excitou bebendo vinagre. Contou histórias de realização das suas fantasias e até mesmo queria me convencer a partilhar dos seus fetiches. Sem ofendê-lo, declinei do convite. E ele, então, quis desdizer tudo o que já havia dito, quis negar o que, àquela hora já era inegável. Não colou, então, acho que ele resolveu não se importar mais com minha opinião. As conversas agora giram em torno de assuntos polêmicos, eu tento cortar, ignorar, mas não sei o que fazer, ele tem todos os meus contatos. O garoto encantado virou um sapo que eu tenho que me livrar.


A leitora preferiu não se identificar.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

TEXTO DA LEITORA: Não relaxe, porque não vai dar certo.

Diz a sabedoria popular, que quando um homem compra cuecas novas, é porque está com um novo relacionamento. E isso se aplica as mulheres também, pois uma das primeiras coisas que fazemos quando começamos a sair com um carinha novo, é correr pra renovar o estoque de lingerie.

Mas e quando o relacionamento já engrenou e a intimidade pegou você e seu namorado de jeito? Ainda rola a preocupação de colocar aquela calcinha especial num sábado a noite?? Ou o gato vai tomar banho na sua casa e vê a sua meia dúzia de calcinhas mais velhinhas penduradas na torneira do chuveiro?? Intimidade demais também é problema.

Eu acabei percebendo isso um dia desses, do alto dos meus 6 meses de namoro, quando fui procurar uma lingerie especial para um dia especial e percebi que há muito tempo eu não me preocupava com isso. E foi daí que bateu um misto de culpa e preocupação. Porque a intimidade tinha que tornado uma namorada largada e acomodada, nada parecida com a gata impecável do primeiro mês de namoro.

Para a minha sorte, lembrei de alguma coisa que foi comprada a muito tempo atrás, só pra ajudar uma amiga que vendia, que eu achei que nunca fosse usar e guardei bem lá no fundinho da gaveta. Deu certo.

No dia seguinte, acordei e corri pra primeira loja de lingerie que eu vi na minha frente, comprei o básico e o especial, e rezei pra ele nunca ter reparado na calcinha furada, ou no elástico rasgado de cada dia.



Texto da leitora Viviane Farias
viviane.farias.santos@gmail.com




Se quiser contribuir com textos para o blog, escreva para: contato@corporativismofeminino.com

quarta-feira, 2 de junho de 2010

TEXTO DA LEITORA: O fora mais educado que eu já tomei

Sabe aquela história de curar um amor com outro? Então. Todo mundo faz, e eu também.

Eu tinha acabado de me decepcionar com um carinha que eu estava saindo, amigo de uma amiga minha, e estava meio tristinha. Como sempre fui uma pessoa de muitas noitadas, logo surgiu uma amiga com uma festa pra gente ir e ver se me dava uma animadinha... Confesso que das 50 pessoas da festa, eu conhecia apenas 5, mas assim mesmo eu fui...

Chegando ao evento, conheci várias pessoas e uma em especial já lá pro final da festa me chamou a atenção, e qual foi a minha surpresa ao descobrir que ele era o dono da festa!! Conversamos durante horas e acabamos ficando. Foi um papo maravilhoso e eu já nem me lembrava mais do babaca que quase me fez ficar em casa naquela noite.

Depois da festa, mantivemos contato pela internet e pelo celular. Sempre tentávamos marcar alguma coisa, aparentemente os dois queriam se ver novamente, mas nunca dava certo. Depois de algumas tentativas frustradas, conseguimos nos encontrar em uma festa. Ficamos. Mas percebi que havia algo de diferente no ar.

Durante os próximos papos, por mais que me tratasse super bem, percebia um certo afastamento. Sempre que eu tentava marcar de sair, ele se esquivava, arrumava uma desculpa. Foi quando no dia que haveria uma festa, e que inevitavelmente iríamos nos encontrar, ele resolveu me contar a verdade.

Com todo carinho do mundo (verdade!), ele veio me falar que uma pessoa que havia sido muito importante para ele no passado, estava de volta na vida dele. E exatamente por ele não querer me magoar, estava evitando sair comigo, para que eu não me envolvesse com ele. E que essa pessoa estaria na festa, mas que acima de tudo ele iria me respeitar e não queria por nada perder minha amizade.

Achei simplesmente demais. Quando ele podia agir como a maioria dos homens, e simplesmente sumir, foi lá e me encarou. Por mais que fosse me magoar, contou a verdade. Ganhou muitos pontos comigo e somos amigos até hoje. Ah, se todo homem fosse assim...


Texto da leitora Viviane Farias
viviane.farias.santos@gmail.com

quarta-feira, 26 de maio de 2010

TEXTO DA LEITORA: O Limite da Privacidade

Outro dia vi no Jornal Hoje uma reportagem sobre namorados(as) que invadem - ou pedem a senha na cara dura - de seus companheiros para bisbilhotar. Sinceramente acho esse tipo de atitude o CÚMULO do absurdo.

Primeiro, porque na maioria das vezes a desconfiança é infundanda;
Segundo - e na minha opinião mais importante -, quem faz isso (e também quem permite que o outro faça isso) não percebe (ou não se importa) que está invadindo não só a privacidade do(a) dono(a) da conta, mas também de todos os que se correspondem com aquela pessoa.

Eu, por exemplo, deixei de escrever para minha melhor amiga há anos.
A história começou quando os e-mails começaram a se popularizar, lá por 2001 / 2002. Nessa época eu fazia um curso técnico muito puxado junto com ensino médio, então quase não tinha tempo pra qualquer outra coisa. Na mesma época essa minha amiga começou a namorar. Como era raro nos vermos pessoalmente e telefone era caro (celular ainda não era comum), eu costumava contar tudo que era importante (e muito pessoal) pra ela via e-mail e vice-versa. Até que um dia fui a casa dela e ela comentou que seu namorado tinha implicado por causa de um e-mail que ela recebeu de um amigo. E eu perguntei:

- Mas como ele viu esse e-mail?
- Ah, eu dei minha senha pra ele.

NA HORA eu tive um xilique!!! Como assim ela expôs TODA a minha vida pessoal para um completo desconhecido (de minha parte) sem a minha permissão e sem sequer me avisar??? Embora nossa amizade não tenha acabo por isso, na época eu considerei uma enorme falta de respeito!

Eu sei que muitos casais compartilham daquela opinião de "tornar-se um só". Mas isso não é literal e para tudo tem limites.
Antes de estar em um relacionamento, você é você... e nada pode mudar isso! Você não nasceu grudado(a) ao seu parceiro(a) e nunca será capaz de ler o que está na mente dele(a)! Por mais que esteja apaixonada(o), é sempre imprescindível pensar não só na sua segurança, como na dos outros também... Pois nem em 1.000 anos pode-se dizer que conhecemos alguém 100%!
Senhas são únicas, individuais e intransferível e se alguém usar esse informação ilícitamente porque você passou esse código para a pessoa, não poderá reclamar e ainda pode ser processada(o) se forem usados os dados de terceiros confiados a você (tá... isso ficou "técnico" demais, rs).

Além disso tem a questão da confiança: se seu namorado(a) confia em você e você nele(a) não há a menor necessidade de bisbilhotar e-mails, telefones, agendas e etc... E eu, sinceramente, não acredito em relações verdadeiras sem confiança!

Acho absurdo anular-se e afastar os amigos só porque está namorando. Será que ele(a) também faria isso por você? Não, na maioria das vezes. E se fizer, o casal acaba vivendo dentro de uma bolha, isolado do resto do mundo. E se o relacionamento acabar, com que você vai contar? Ao abandonar e trair a confiança dos amigos que tinha quando ainda era solteiro(a), muito provavelmente, você perderá todos eles... E quando o namoro acaba, não tem ninguém pra te apoiar!

Me desculpem se pareço radical, mas tendo sido a 'amiga solteira' praticamente minha vida toda, peguei muita raiva de amigas e amigos que só lembram de mim quando precisam e me ignoram quando estão namorando, como se amizade fosse descartável. E destes eu é que acabo optando por me afastar!

Acho que esse é o tipo de atitude sobre a qual as pessoas deveriam refletir melhor antes de fazer algo impulsivo!!!



Texto da leitora Cris Soleitão, e-mail: cris_nog_sol@yahoo.com.br

quinta-feira, 20 de maio de 2010

Drogas, um assunto sérião, mesmo


O relato impressionante de uma leitora, que recebi por e-mail. Não deixo o nome real para não expô-la.

"Lembro muito bem da primeira vez que usei drogas. Eu era uma garota normal, e do nada estava na casa de meus novos amigos. Achei que fosse tudo muito saudável, que íamos fazer um 'esquenta' com bebidinhas. Do nada, surge a maconha. Pra parecer tão descolada quanto eles experimentei. Não sei tragar, mas acho que nem perceberam. Neste mesmo dia resolvi experimentar o sintético, a 'bala'. Só metade. Eu estava querendo viver e essa me pareceu uma alternativa interessante. Não vou mentir: se droga fosse uma merda, não vendia. A sensação do ecstasy é sim algo maravilhoso. Não estou fazendo apologia, mas de repente, amar o mundo, me pareceu uma idéia interessante e eu fiquei feliz pra cacete.

E então me pareceu natural usar todo fim de semana. Não tinha nada demais, era só felicidade com um gosto leve de dramim. Emagreci uns 5 quilos e estava realmente linda e poderosa. Meus novos amigos eram sensacionais e todo mundo era feliz rangendo os dentes - tenho alguns dentes roídos bem de leve, até hoje. E então resolvi experimentar o ácido. Foi divertido ver legendas de filmes dançantes, luzes de Natal com um nível acima da média de cor e beleza, animais com pêlos de pelúcia, cabelos sedosos, arrepios de calor, de frio. E os olhos? Duas opalas. O chato era ficar 12 horas pirando sem parar e morrendo de sede.

Essas pessoas, esses amigos, claro que estavam num nível de drogadição acima, bem acima do meu. Eu gostava de usar pra balada e confesso que me viciei rápido, pra mim, balada não era balada sem algo mais. Fiquei um ano assim. Meus amigos estavam no pó. Todos diziam que era demais, tão demais que era melhor que eu nunca usasse, pois iria gostar e pra me livrar seria um lixo. E assim foi, eu com meus doces sintéticos e eles os monstros do padê. Um dia por alguma razão caiu na minha boca, senti um gosto horrível e tudo amorteceu. Decidi que realmente de cocaína ficaria longe.

Numa noite extravasei no ácido, um e meio, 14 horas pirando sem parar, me deu uma bad horrível eu achei de verdade que fosse morrer. O corpo com excesso de ácido tem espamos sozinho. Lembro bem de eu, deitada na caa e minhas pernas pulando de 15 em 15 minutos e meu amigo me abraçando dizendo pra eu pensar em coisas boas, porque senão a pira demoraria mais pra ir embora. Tive alucinações sonoras, as pessoas não falavam, apenas emitiam sons como "mamamamamamamama", e eu chorava chorava... decidi parar. E parei por um mês. É difícil parar quando se vê outros usando e saltitando de alegria.

Um colega de trabalho teve uma convulsão na frente de todos. Os bombeiros foram chamados e enfim, resto de cocaína nos dentes, mais um usuário próximo a mim. Eu juro por Deus que não sabia. Demissão por justa causa, óbvio.

E então em dezembro de 2008, mais precisamente na virada do ano, usei sintético pela última vez. Já tinha me afastado bem dos tais amigos - ainda são excelentes amigos, eu os vejo de vez enquando e a grande maioria saiu dessa sozinho também, com uma certa força de vontade, graças a Deus. Não vi muita coisa neste um ano, muita gente deve ter visto bem mais que eu, mas entendi que cocaína destrói sim, que deixa demente. A pessoa fica sem banho, sem fazer a barba e acha que está linda. E o pó chama bebida, o que torna tudo pior.

Enfim, não quero me estender muito. Mas quero dizer pros pais ficarem alertas. Droga não é coisa de vagabundo, de mendigo. A cocaína/ ecstasy /ácido chique ainda existem. Nunca furtei um real pra comprar as minhas, assim como meus amigos também não. Está longe de ser coisa de marginal e está muito próximo de todos nós. Há tempos não conheço ninguém que não fume um, ou use um papelzinho de vez enquando. Entendi também que droga tem muito a ver com carência. Todos os que conheço que usam ou foram usuários tem uma carência de amor e atenção incrível. Eu inclusa. Não é demagogia, é a realidade. E digo mais, ninguém nunca "caiu" em casa. Então fica o alerta maior ainda, porque a juvetude anda muito esperta, deixa a loucura passar pra voltar embora. Se você é mãe/pai/educador: ORIENTE.

Betina'




Heleninha

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Texto da Leitora: Desencaixe

Nunca gostei das coisas comuns. O inusitado sempre me foi mais agradável. Essa coisa de usual não me atrai. Ou atrai, mas um curto período de tempo. Me enjôo facilmente do corriqueiro, do padrão. Quanto mais estranho, mais bizarro, mais me interesso e mais eu quero.

Eu gosto dos estranhos e desajustados sociais. Do incomum, do diferente. Tudo que se encaixa num padrão me entedia.

Afinal, para quê ser mais um se podemos ser únicos? Ter o diferencial é importante não só no currículo, mas na vida também. Chega de esticar os cabelos só porque nasceu com eles enrolados, ou de não usar uma roupa/acessório só porque alguém disse que era feio. Assuma-se.

Claro que esses exemplos são banais e fúteis. A diferença está nas suas ações, mas exteriorizá-las é admitir não fazer parte do padrão e que damos a cara à tapa por isso. Gostem eles (os comuns) ou não.

A impressão que tenho, é que o mundo hoje está superlotado de receitas prontas: Para se conquistar um homem, a mulher não deve fazer isso, não deve fazer aquilo, e acima de tudo não deve fazer AQUILO. #Pelamordideus vamos transcender?

Não falo só no quesito homem, não. Falo no geral. Tudo está muito maniqueísta, dividido em certo e errado. O bom é a mistura. O comum parece ser sem sal, sem personalidade e sem nada a acrescentar. Eu gosto dos temperos fortes, aqueles que mesmo depois de terminar, você sente a presença dele.

Pra quê ser igual? Destaque-se! O incomum salta aos olhos. Crie seu próprio estilo, seu sotaque, suas idéias. Não se encaixe em rótulos. Melhor ainda, desencaixe.

Claro, que toda regra tem sua exceção e o que parece ser “normal” nos surpreende às vezes. Mas aparentar ser normal e não ser também não é uma forma de ser diferente? Ah, deixa pra lá.


“Gosto dos venenos mais lentos, das bebidas mais amargas, das drogas mais poderosas, das idéias mais insanas, dos pensamentos mais complexos, dos sentimentos mais fortes… tenho um apetite voraz e os delírios mais loucos.

Você pode até me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
- E daí? Eu adoro voar!

Não me dêem fórmulas certas, por que eu não espero acertar sempre. Não me mostrem o que esperam de mim, por que vou seguir meu coração. Não me façam ser quem não sou. Não me convidem a ser igual, por que sinceramente sou diferente.

Não sei amar pela metade. Não sei viver de mentira. Não sei voar de pés no chão. Sou sempre eu mesma, mas com certeza não serei a mesma pra sempre”

(Clarice Lispector)

Clarisse Simão

segunda-feira, 29 de março de 2010

A poeira jogada embaixo do tapete

A poeira jogada embaixo do tapete. Foi assim que me senti naquele momento. Não havia palavras que poderiam me confortar, o “alguém tá com ciúmes aqui” se repetia na minha mente como se estivesse gravado em algum lugar, e eu apertasse o play a todo instante sem querer. Eu não podia chorar, seria ridículo, eu assumiria que ainda o amo na frente de todos, até mesmo na frente da talvez atual ficante dele, e como disse Clarice Lispector: “Como se ela não tivesse suportado sentir o que sentira, desviou subitamente o rosto e olhou uma árvore. Seu coração não bateu no peito, o coração batia oco entre o estômago e os intestinos.” Ao invés de olhar uma árvore, eu arrumava meu sapato, pra poder não olhar nos olhos daqueles que esperavam minha reação ansiosamente, e não havia reação alguma, eu tentava conter as lágrimas e naquele momento, quando um idiota fez mais uma piadinha, eu escutei uma gargalhada feminina entre as risadas, e era de uma das minhas amigas, eu realmente não esperava que ela viesse me confortar, mas esperava menos ainda que ela me zoasse diante de todas as outras pessoas.

Não consigo culpá-lo por nada, afinal não foi ele quem brincou, quem me provocou, ele so fez a proeza de convidar a talvez atual ficante para a festa de aniversário dele, e pra variar, ele tem amigos ridículos a ponto de fazer piadas do tipo “alguém tá com ciúmes aqui”, depois do parabéns, em que cantaram que ele casaria com ela, mas eu não fiquei triste por causa do “casar”, sou idiota, mas nem tanto, fiquei triste pela falta de senso, pela falta de humanidade que eles tiveram comigo, eu sou a ex da situação e obviamente fiquei incomodada. Não houve reação nenhuma da minha parte na hora de cantar o parabéns, eu tinha ido preparada pra que aquilo acontecesse, tanto é que tentei me manter com uma feição de amiga que sou hoje dele, mas infelizmente eles não foram amigos, e conseguiram me deixar tremendamente rebaixada.

Citando novamente Clarice Lispector: “Minha alma tem o peso da luz. Tem o peso da música. Tem o peso da palavra nunca dita, prestes quem sabe a ser dita. Tem o peso de uma lembrança. Tem o peso de uma saudade. Tem o peso de um olhar. Pesa como pesa uma ausência. E a lágrima que não se chorou. Tem o imaterial peso da solidão no meio de outros.” Me senti a pessoa mais sozinha, mesmo estando em uma festa cheia de gente conhecida.

Mas minha mãe me ensinou que não devo desistir daquilo que quero quando levo o primeiro tombo, devo continuar tentando, por isso não tomei a decisão de ir embora naquele momento, fiquei mais, e eles cansaram de me perturbar, o aniversariante continuou conversando comigo, pegou na minha mão, a beijou, a segurou, como se quisesse dizer que estava ali para me proteger, como me protegia quando estávamos juntos.

E apesar de todo constrangimento que passei naquele dia, eu cheguei mais leve em casa, por ter enfrentado e não ter me exaltado. Me sinto superior a todos os comentários idiotas daquela noite.


O texto foi enviado por uma leitora que pediu o anonimato. Se você quer escrever aqui também, mande seu texto para: contato@corporativismofeminino.com

domingo, 14 de março de 2010

"Os seus serviços não são mais necessários"

Na quinta-feira houve um post sobre DAR o pé na bunda. Por isso, achamos mais que providencial publicar o texto da leitora Ana Paula Paz, já publicado no seu blog: Limonada Diária, sobre RECEBER o pé na bunda.

Segue:

Tão certo como a morte e os impostos, o cartão vermelho em relacionamentos é algo que pode pegar muita gente desprevenida. A frase “your position is no longer available” (ao pé da letra, seria algo como “o seu emprego não está mais disponível”, mas, na verdade, a ideia é “os seus serviços não são mais necessários”) – dita por Ryan Bingham, vivido por George Clooney no filme Amor sem Escalas, às pessoas que estava despedindo – é bastante emblemática. As reações dos personagens que ouviam uma notícia dessas são bastante semelhantes às de quem recebe o tão famoso “pé na bunda”.

Variações de frases como “o que posso fazer para melhorar?”, “isso não é possível, dediquei anos de minha vida a esta empresa” ou ”vocês estão cometendo um grande erro” eram ditas por todos que estavam sendo dispensados de seu cargo. Declarações mais ou menos parecidas são feitas por quem está sendo dispensado em um relacionamento. Assim como é difícil ter que despedir um funcionário, também não é das tarefas mais fáceis informar a uma pessoa que a presença dela não é mais essencial. A “beleza” da coisa toda reside no fato de que, um dia, você pode estar despedindo alguém da função de namorada(o) e, depois, num belo dia, a(o) despedida(o) pode ser você.

Bem, por já ter vivido os dois lados da história, posso dizer que foi muito mais doloroso ter de ouvir que “os meus serviços não eram mais necessários” do que dizer isso a alguém. É como se a casa caísse. A desproporção no que sentimos quando encaramos cada um desses dois papéis é realmente gritante, sem dúvida alguma. Rejeição gera desorientação, pois é muito difícil ficarmos 100% independentes em um relacionamento. A intimidade construída pelos laços afetivos deixa os referenciais sobre quem realmente somos meio distorcidos. Pode ser que isso ocorra porque nos mesclamos a outra pessoa através das famosas concessões. Admito que, muitas vezes, eu não gostava de deixar de assistir a algum programa “de mulherzinha” para assistir a um filme de que o meu ex gostava. Mas, então, eu pensava: “ah, tudo bem, é só por hoje, não custa nada...”. Porém, o tempo vai passando, a convivência vai aumentando e com ela as concessões vão se multiplicando. Incessantemente.

Enfim, são feitas tantas concessões que acabamos por nos distanciar de quem éramos quando o relacionamento iniciou. No meu caso, acredito que chegou um ponto no qual eu tenha ficado com medo de voltar a ser quem eu era de verdade por achar que a outra pessoa não se interessaria mais por mim. Tenho a sensação de que acabamos criando um personagem para agradar à pessoa que está ao nosso lado, por acharmos erroneamente que a conhecemos de verdade e, assim, achamos que sabemos o que ela quer. Além disso, acreditamos que essa pessoa sempre olhará para o futuro na mesma direção que a nossa, o que gera a criação de grandes expectativas sobre os rumos que a relação vai tomar . Quando tudo isso é tirado de nós, é como se perdêssemos o caminho de volta para casa. Muitos questionamentos rondam a nossa mente, principalmente a pergunta “quem sou eu agora?”. Confesso que, nos primeiros tempos de readaptação à minha nova vida, eu me sentia meio manca...

Porém, se há desproporção no que sentimos quando terminamos ou somos terminados por alguém, também existe desproporção no sentido de que, quando somos terminados, ocorrem muito mais mudanças, principalmente de conceitos. A fim de conseguirmos seguir em frente, somos obrigados a enxergar o mundo de outra forma e a não nos negligenciarmos, seja deixando de fazer o que realmente temos vontade de fazer em um momento banal, seja deixando sonhos de lado somente para termos alguém ao nosso lado. Admiro muito quem consegue equilibrar de verdade o que deseja para si com as necessidades do outro. Acho que esse é o caminho para relacionamentos mais verdadeiros e espero chegar lá um dia.

No filme Amor sem Escalas, Ryan dizia aos demitidos que grandes impérios foram construídos depois que as pessoas passavam por situações como aquelas. Logo, é reconfortante saber que, nessas circunstâncias, podemos encontrar o elemento que faltava para impulsionar a conquista de algo que, por medo ou por comodismo, não era mais uma prioridade em nossas vidas. No fim das contas, fico feliz por ter conseguido resgatar a minha essência e, o melhor, por ter conseguido encontrar o caminho para aprender com os meus erros. Afinal, em matéria de relacionamentos, ambas as partes erram e acertam. O meu desafio, e acho que o de todos, é saber até onde podemos ir no terreno das concessões, para que não fiquemos desnorteados caso a história termine. Devo confessar que, de certa forma, sou grata por ter ouvido que “os meus serviços não eram mais necessários”, pois isso fez de mim uma pessoa melhor e mais solidária com todos. Além do mais, saber que eles poderão ser necessários a outra pessoa é muito animador...

terça-feira, 9 de março de 2010

Pânico, oi?!

Acredito que muitas leitoras se identificarão com o texto da Aline Cristal e, por isso, decidimos publicá-lo. Esse espaço é para trocarmos ideias afinal.

Segue:

Sempre fui medrosa. Desde pequena, sempre tive medo de me perder da minha mãe no mercado, de ficar sozinha na escola, de me machucar. Sempre fui assim. Mas quando a criança virou mulher, e o medo virou pânico, a coisa mudou de figura.

Quem nunca teve um ataque de pânico não é capaz de entender, e muito menos de te dar a fórmula mágica. Já ouvi de tudo: “Eu já tive isso", "Isso é coisa da sua cabeça" e “Isso é problema espiritual / fizeram um trabalho para você” são os mais recorrentes. A maioria das pessoas acha erroneamente (e eu também achava) que quem tinha pânico ficava enjaulado dentro de casa, esperando o mundo cair na sua cabeça, com os olhos esbugalhados de terror. Essa é uma imagem mentirosa, preconceituosa e limitada.

Se falo que tenho pânico, as pessoas instantaneamente me julgam como louca ou me perguntam: “Mas você tem medo de quê?” É frustrante não poder explicar a complexidade de uma síndrome do pânico. Tem que se viver o pânico para entendê-lo.


Quando você corta o dedo, sangra. Quando você dá uma topada na porta, o mindinho dói. Simples assim. Seu corpo obedece a estímulos reais. Agora, quando seu coração vai a milhão, seu braço esquerdo lateja e seu rosto adormece o que você pensa? Faz todos os exames possíveis para o médico dizer que você não tem NADA. Mas na hora do vamo vê, é muito difícil acreditar que "Isso é coisa da sua (minha, no caso) cabeça". Por quê? Porque o medo que cresce na altura do estomago te domina e sobreviver é instintivo, for God sake!!! E naquele frenesi, você acha que a vida vai lhe ser tomada antecipadamente e sem aviso e você pensa em tudo que não viveu, em todos seus sonhos que serão roubados. No sonhado casamento de princesa, naquela casa própria, e aquela viagem pro exterior e aqueles filhos que você nunca vai ter...

É injusto pensar tanto na morte, quando se tem tanto para agradecer à vida. Não é fácil, não é engraçado, não é frescura. É uma luta diária a cada sintoma que eu finjo não notar, a cada pensamento obsessivo que eu abafo com uma música alta. Passam semanas, meses até e você pensa: " Sumiu, estou curada. Nem lembro mais como era, que coisa de louco!!" Só que numa quinta-feira cinza qualquer, você acorda como eu acordei hoje. Cheia de medos e sintomas. E isso faz você se sentir um ser humano fraco, impotente e medroso. Alguns dizem que o pânico é a nossa vida piscando e dizendo: HEY, ME DÁ ATENÇÃO!!! E é aí que você se olha. Verdadeiramente. Então eu respiro fundo, tomo um lexotan, leio o Salmo 23 e me sinto a mais corajosa das mulheres.


UPDATE: Quem quiser conversar com a Aline Cristal basta escrever para bebecristal@gmail.com

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

Texto da Leitora: Revistas femininas "a nivel de" sacanagem

No passado, a Zingara fez um post sobre o interesse das mulheres em nu masculino. Eis que recebemos o texto de uma leitora com uma outra abordagem referente ao mesmo assunto. Um texto com uma abordagem bem sincera sobre um tema tão polêmico, vale a pena ser postado, então lá vai!


Revistas femininas "a nivel de" sacanagem

No "vasto mercado" editorial brasileiro dedicado as mulheres, o que temos mais proximo "a nível de" sacanagens e afins é a Revista Nova, mas mesmo assim, ainda deixa muito a desejar. É impressionante como as revistas femininas tem um padrão que todas falam sempre a mesma coisa, todo santo mês. E a tríade padrão é moda-dieta-e mais alguma merda.

Sacanagem mesmo, aquela sem frescura, mostrando a vida como ela é (e doendo a quem doer) sequer existe nas revistas ditas "femininas". Me sinto frustrada. Ninguém mostra o que eu realmente quero ver: sacanagem para mulheres. O que as próprias revistas fazem é nada mais que já falar o redundante, dando aquela requentada básica com algum "detalhe que absolutamente NINGUÉM sabe" e por isso nós, criaturas curiosas e faceiras que somos, caimos na bobagem de gastar quase 10 reais só pra ver a porra do segredo que até então NINGUÉM sabia. É guia disso, é manual sabe-deus-quantos-passos não sei para quê, "receitas infalíveis" para curar todos os males entre 4 paredes, "opiniões masculinas" (eu particularmente acho que é tudo inventado), pesquisas imbecis que não dizem nada e por aí vai.

Pergunta boba: alguma mulher já viu um homem com o pinto duro (ou mesmo um vibrador em forma de pinto) numa revista feminina? Falando por mim, no alto de meus 24 anos, eu nunca vi. Alias, nos "calientes" ensaios masculinos, o que há de mais "ousado" são as bundinhas branquinhas estilo Shin-chan. Só falta ter o terrier da Coppertone puxando a sunguinha. Simplesmente deprimente. E se é pra ver bundas eu prefiro ver uma bunda photoshopada bonita de mulher com marquinha de biquini do que uma bunda peluda branco-aspirina de homem!

Em território masculino o esquema é diferente (e porque não dizer, mais divertido até): mesmo quem passa apenas na frente da banquinha nota que a Playboy, a Maxin ou a Vip é basicamente uma tríade, mas, no caso é putaria, sacanagem e muita(!) mulher "gostosa", esta ultima algo que ainda não entendo, por mais que eu tente, desde a tenra idade. O que diabos é a tal da mulher gostosa? De qualquer forma, os "adversários" não ficam se atendo a merda da moda verão das sungas 2010 ou ensinando a dieta dos pontos ou como malhar a bunda (com a exceção da Mens Health, que ao meu ver, é de sexualidade duvidosa).

Aí, entramos numa outra questão: uma vez não tendo opção, apela-se para quem... É. Só a G magazine para tentar preencher o vazio mesmo. Eu me recuso a folhear a G. E não é preconceito ou puritanismo não. É só pelo fato de que ela não é feita para o público feminino. E a caracterização do que é um homem para gays e mulheres é diferente. Os gays gostam de machos, aquela coisa forte, mão na coisa e coisa na mão, sem frescura. Nós mulheres (de maneira geral), cansadas da falta de consideração masculina, gostamos de homens que tenham a humildade de reconhecer que não somos um mero corpo com um buraco para enfiar, e passado este estágio, aí vamos com gosto para a mão na coisa e coisa na mão.

Para ver um homem semi-nu, não precisa-se de muito esforço (o verão taí pra mostrar), mas o único atrativo que a minha mente curiosa quer ver é o que ele carrega no meio das pernas e seu olhar me incitando, me provocando, me tentando... E que as revistas femininas não mostram.

A leitora que não se identificou também tem um blog, o Life Not Sweet Life, que fui lendo e ficando curiosa, quando ví já tinha lido o blog todinho!


Quer ver seu texto aqui? mande para contato@corporativismofeminino.com

domingo, 14 de fevereiro de 2010

The One

Recebemos um monte de textos, girls! Publicarei alguns, na medida do possível, tô adorando isso! E Hoje começamos com o "The One", da Clarisse Simão, um texto que achei absurdamente lindo:

Vocês já tiveram a sensação de terem encontrado AQUELA pessoa? Aquela que você olha e pensa “Oh God! He can be the one”? Claro que essa sensação já me invadiu diversas vezes, mas no final, parece que era apenas false alarm.

Hoje eu me peguei pensando nisso e em como eu quero sentir isso. Sim, eu quero me apaixonar. Quero ter um companheiro, alguém que eu possa ligar no meio da tarde só para ouvir a voz e não precisar falar nada de mais. Alguém para eu ficar olhando enquanto dorme. Alguém que eu possa pensar “este será o pai dos meus filhos”.

Há muito eu já desconfiava disso, mas eu descobri que tenho o sonho de casar. Não necessariamente na igreja e vestida de noiva, mas casar. Construir uma família e ter um marido para dividir a vida. Aqueles casamentos bem clichês, sabe? Em que o marido chega em casa do trabalho, senta no sofá para ver o jornal na TV, tomando café (ok, essa parte foi o meu vício falando mais alto) enquanto me conta como foi seu dia e eu lhe conto o meu. Depois coloca o filho na cama, conta uma historinha para ele dormir e segue para o nosso quarto.

Descobri também que tenho o desejo de ser mãe e esposa à moda antiga – ok, não tão antiga, quero continuar trabalhando.

Parece contraditório, mas eu nunca fui conservadora e de princípios obtusos, no entanto, eu, uma mulher nada old fashion way, sonho com coisas assim. Dentro de mim mora uma garotinha romântica, quem diria!

Ultimamente venho pensando muito nesta questão, muito mesmo. Não sei se foi conseqüência dos dois anos de namoro e dos planos feitos ou apenas uma fase de fragilidade emocional, mas o fato é que eu quero encontrar o meu “the one”. E não, eu não estou assim pelo fim do meu namoro. Foi triste, sinto falta dele e tudo mais, mas já passei pela fase de me flagelar, afinal, já faz um tempo que terminamos. I moved on.

Enfim, acontece que eu não gosto de ser solteira. E o pior: não gosto da idéia de levar uma vida só. A verdade é que eu morro de medo da solidão. Desde pequena, essa idéia me atormenta. Às vezes não sei responder se eu quero apenas uma companhia ou um amor. Sempre que penso em “solidão” me vem na cabeça uma imagem, bastante nítida, de uma pessoa amargurada sentada no escuro numa poltrona na sala, amparada apenas por uma luz que vem da lareira (claro, porque se não tenho marido e filhos, pelo menos uma lareira eu tenho que ter) e nada mais. Brincadeiras a parte, não sei se foi de um desenho ou filme que eu tirei essa imagem, mas sempre imaginei assim.

Não quero ser uma dessas mulheres de meia-idade que, se não passaram por três divórcios, ainda estão esperando a tal metade da laranja. Quero me apaixonar, e esta tarefa nunca foi fácil para mim. Foram poucos os homens que passaram pela minha vida e levaram algo de mim, que me marcaram.

Sei que tudo isso é piegas, e talvez até utópico, mas afinal, quando se trata de amor, o que não é? E é difícil, ao ver um casal na rua, não me permitir pensar “Droga! Eu também quero isso para mim”.

“Se permita apaixonar”, alguns poderão dizer, mas não é fácil. É aquela eterna batalha: quando eu quero, ele não quer. Quando ele quer, eu não quero. Valeu, Murphy! Isso quando o Senhor Do Contra não resolve botar na minha vida um cara que eu quero, e ele me quer, mas mora em outra cidade. Far, far away. This is not fair!

Por Deus, será pode não pode dar um desconto aqui???

Desculpem o sentimentalismo, mas a garotinha romântica resolveu dar as caras e pretende ficar por um tempo.


sábado, 13 de fevereiro de 2010

Texto da Leitora: Revistas femininas "a nivel de" sacanagem

No passado, a Zingara fez um post sobre o interesse das mulheres em nu masculino. Eis que recebemos o texto de uma leitora com uma outra abordagem referente ao mesmo assunto. Um texto com uma abordagem bem sincera sobre um tema tão polêmico, vale a pena ser postado, então lá vai!


Revistas femininas "a nivel de" sacanagem

No "vasto mercado" editorial brasileiro dedicado as mulheres, o que temos mais proximo "a nível de" sacanagens e afins é a Revista Nova, mas mesmo assim, ainda deixa muito a desejar. É impressionante como as revistas femininas tem um padrão que todas falam sempre a mesma coisa, todo santo mês. E a tríade padrão é moda-dieta-e mais alguma merda.

Sacanagem mesmo, aquela sem frescura, mostrando a vida como ela é (e doendo a quem doer) sequer existe nas revistas ditas "femininas". Me sinto frustrada. Ninguém mostra o que eu realmente quero ver: sacanagem para mulheres. O que as próprias revistas fazem é nada mais que já falar o redundante, dando aquela requentada básica com algum "detalhe que absolutamente NINGUÉM sabe" e por isso nós, criaturas curiosas e faceiras que somos, caimos na bobagem de gastar quase 10 reais só pra ver a porra do segredo que até então NINGUÉM sabia. É guia disso, é manual sabe-deus-quantos-passos não sei para quê, "receitas infalíveis" para curar todos os males entre 4 paredes, "opiniões masculinas" (eu particularmente acho que é tudo inventado), pesquisas imbecis que não dizem nada e por aí vai.

Pergunta boba: alguma mulher já viu um homem com o pinto duro (ou mesmo um vibrador em forma de pinto) numa revista feminina? Falando por mim, no alto de meus 24 anos, eu nunca vi. Alias, nos "calientes" ensaios masculinos, o que há de mais "ousado" são as bundinhas branquinhas estilo Shin-chan. Só falta ter o terrier da Coppertone puxando a sunguinha. Simplesmente deprimente. E se é pra ver bundas eu prefiro ver uma bunda photoshopada bonita de mulher com marquinha de biquini do que uma bunda peluda branco-aspirina de homem!

Em território masculino o esquema é diferente (e porque não dizer, mais divertido até): mesmo quem passa apenas na frente da banquinha nota que a Playboy, a Maxin ou a Vip é basicamente uma tríade, mas, no caso é putaria, sacanagem e muita(!) mulher "gostosa", esta ultima algo que ainda não entendo, por mais que eu tente, desde a tenra idade. O que diabos é a tal da mulher gostosa? De qualquer forma, os "adversários" não ficam se atendo a merda da moda verão das sungas 2010 ou ensinando a dieta dos pontos ou como malhar a bunda (com a exceção da Mens Health, que ao meu ver, é de sexualidade duvidosa).

Aí, entramos numa outra questão: uma vez não tendo opção, apela-se para quem... É. Só a G magazine para tentar preencher o vazio mesmo. Eu me recuso a folhear a G. E não é preconceito ou puritanismo não. É só pelo fato de que ela não é feita para o público feminino. E a caracterização do que é um homem para gays e mulheres é diferente. Os gays gostam de machos, aquela coisa forte, mão na coisa e coisa na mão, sem frescura. Nós mulheres (de maneira geral), cansadas da falta de consideração masculina, gostamos de homens que tenham a humildade de reconhecer que não somos um mero corpo com um buraco para enfiar, e passado este estágio, aí vamos com gosto para a mão na coisa e coisa na mão.

Para ver um homem semi-nu, não precisa-se de muito esforço (o verão taí pra mostrar), mas o único atrativo que a minha mente curiosa quer ver é o que ele carrega no meio das pernas e seu olhar me incitando, me provocando, me tentando... E que as revistas femininas não mostram.

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A leitora que não se identificou também tem um blog, o Life Not Sweet Life, que fui lendo e ficando curiosa, quando ví já tinha lido o blog todinho!


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