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terça-feira, 24 de agosto de 2010

Feios

Imagine o seguinte: você vive num mundo em que, alguns séculos atrás, nossa civilização, nosso modo de vida como o conhecemos foi extinto por uma praga que nós mesmos criamos. Mas o futuro não é nem de longe apocalíptico. É bem melhor do que o nosso mundo atual! Tudo é, literalmente, perfeito! Não há guerras ou disputas de qualquer espécie. Todos têm alta qualidade de vida e muita tecnologia. E todos são lindos. A nossa civilização vive em cidades-estado à base de desenvolvimento 100% sustentável, o que significa que a natureza está bem preservada e não precisamos mais recorrer tanto a recursos naturais. Tudo é reciclável. Os jovens têm a vida que a maioria dos jovens pediram a Deus: futilidades sem limites.


Dos 12 aos 16 anos os adolescentes da cidade Nova Perfeição vivem na Vila Feia, uma espécie de internato ondem estudam normalmente e aguardam o seu 16º aniversário ansiosamente, porque nesta data ganharão um presente do governo: uma completa cirurgia plástica, dos pés à cabeça, que lhe deixará literalmente perfeito fisicamente. E depois? É só alegria. Você se muda para Nova Perfeição onde viverá até a meia idade - quando escolherá sua profissão e fará a 2ª cirurgia - apenas aproveitando a vida: festa, festa e festa. Diversão de todo tipo, 24 horas por dia. Tudo à mão, muita liberdade, muita tecnologia. Roupas maravilhosas e nenhuma preocupação a não ser aproveitar a vida de balada em balada.

Esse mundo não parece perfeito demais? Não parece que tem algo errado aí? E se você for como eu - alguém não tão chegado em baladas e futilidades - realmente não ficaria tão animado assim com a chegada do 16ª aniversário. Mas há um problema: você não tem escolha! Na verdade a cirurgia não é um presente, é a lei! Todos devem ser perfeitos e iguais.

Tally é uma garota cuja todos os amigos já completaram 16 anos e se mudaram. Ela está ansiosa, pois se sente 'abandonada'. Não vê a hora de reencontrar seu melhor amigo, Peris, que fez a cirurgia há 3 meses. Durante uma aventura ela conhece Shay, que faz aniversário no mesmo dia que ela, mas não quer ser perfeita e foge algumas semanas antes. O problema é que sua fuga também trará consequências para a vida de Tally. E é aí que a história realmente começa. Tally descobre um mundo completamente novo e descobre toda a verdade sobre a cidade que ela acreditava ser o paraíso!

Gostei MUITO. Muito mesmo!!!
O melhor desse livro não é nem mesmo a sua narrativa, a história, os personagens, a aventura, o romance e as reviravoltas, ou o cenário. Tudo isso é de fato muito bom e muito bem desenvolvido. Mas o aspecto crucial desse livro [e dessa série] é outro: que preço devemos pagar pela 'perfeição' externa? Pela beleza... Vale a pena?

Os diálogos dos personagens e até mesmo as experiências e impressões da própria Tally são ótimos, pois nos fazem questionar esse mundo de aparências onde nós vivemos, sem perceber. A grande maioria das pessoas não é e nunca será fisicamente perfeita, porém a mídia nos impõe um padrão: modelos e atores, principalmente.
E como se não bastasse nos bombardeiam todos os dias com matérias sobre "como emagrecer", "como definir seus músculos ou sua barriga", "como ser mais sexy", "como disfarçar isso ou aquilo", sem contar as milhares de receitas de dietas, desde as mirabolantes até aquelas que passam no 'Jornal Hoje' e no 'Globo Repórter' especialmente elaboradas por 'especialistas' para cada tipo de 'problema'. Além é claro do universo de cosméticos - em boa parte inúteis - e das cirurgias plásticas para praticamente tudo... agora até transplante de rosto já está se tornando possível.

É importante não confundir aparência com saúde. Todos sabemos que obesidade pode ser um grave risco à saúde, mas não é porque você é magro que está livre de ter colesterol.
Também que não se confunda normalidade com desleixo. Ter vaidade, se cuidar é saudável... O que é preocupante é ser obssessivo com a aparência e se tornar um ser alienado, que não se preocupa com nenhuma outra questão realmente útil e importante. O que é triste e perigoso é fazer de tudo - de tudo mesmo - pela ilusão de ser perfeito e julgar tudo e todos a sua volta por esse prisma.

E é exatamente isso o que acontece no livro!!! Ser perfeito é essencial para ser aceito e se sentir bem consigo mesmo. Quando Tally começa a contestar esse universo, sua mente se abre e ela finalmente cresce de verdade. Cresce não como seus amigos da cidade, que apenas tem corpo de adulto, mas cresce como uma pessoa, alguém consciente e com discernimento para avaliar e ter opinião própria.

Um exemplo de como já estamos - de certa forma - vivendo esse pesadelo é uma situação que eu vivi há pouco tempo. Como já comentei antes, passei o 1º semestre doente. Há anos eu sofria pressão de todos para emagrecer, embora nunca tenha sido de comer em excesso e nem muito menos fosse obesa. Apenas tenho uma certa gordura localizada na barriga que só sai mesmo com abdominal. Eu só aceitava essa pressão porque a ginecologista disse que eu precisava de fato emagrecer para fazer o tratamento de ovário policistico, que é um problema muito incômodo.
Por causa da doença que tive no 1º semestre - foi pedra nos rins um tanto grave - emagreci 8 kg. Esse meu emagrecimento foi proporcional, ou seja, diminuiu tudo: até o rosto ficou mais fino... mas o que diminuiu mais foi mesmo a barriguinha. E eis que depois de curada ouvi muitos 'elogios'.
Mas sabe quando você não se sente assim tão bem com os supostos 'elogios', embora esteja feliz de entrar naquela calça jeans 38? Uma amiga me disse que eu estava procurando pêlo em ovo, pois é sempre bom ouvir que emagrecemos.

Depois eu entendi que estes 'elogios' vinham carregados um preconceito velado. Na real, significa simplesmente: antes você não estava adequalda para conviver conosco. E isso fica mais forte e perceptível quando vem de pessoas que foram lindas a vida toda. Não to fazendo tempestade em copo d'água não! Já vi meninas magras e saudáveis saírem de agências chorando porque foram chamadas de 'gordas' demais para serem modelos.

Outro exemplo grotesco foi um colega comentar no orkut que tinha visto dois caras criticando o corpo da Cléo Pires no recente ensaio para a Playboy, mas que nenhum dos dois tinha moral pra não gostar da aparência dela porque ambos namoravam, segundo ele, "dois tribufus". E eu juro que fiquei imaginado o que seriam para ele "dois tribufus"? Duas mulheres fora do padrão da mídia provavelmente? E será que ele está dentro do padrão masculino imposto pela mídia? Se não está, ele tem tanta moral para falar disso quando os outros dois, pois também é, segundo sua própria concepção, "um tribufu". E o pior: tal comentário exdrúxulo veio de alguém que eu julgava inteligente.
E o mais absurdo dos exemplos que posso citar é esta matéria que vi ontem no Yahoo!: Cirurgia plástica faz parte do treinamento de miss para levar a coroa.

Esse tipo de preconceito quanto aos defeitos físicos - que não são apenas a gordura ou cabelo liso / cabelo crespo - já estão tão entranhados na nossa sociedade que se tornaram naturais!
Esse preconceito aparece também quando se trata do estilo de vida. Se você, como eu, leva um estilo de vida 'fora do padrão' é certeza que já sentiu olhares tortos e já ouviu comentários maldosos disfarçados de piada.

"Por que você não sai todo fim de semana à noite como os outros da sua idade?"
"Por que você não está namorando?"
"Credo, por que você diz que não quer casar?"

É como se quem não seguisse o padrão tivesse algum tipo de doença perigosa e contagiosa. E quem está neste confortável mundinho plástico tem medo de mudar e começar a pensar pela própria cabeça, ao invés de simplesmente seguir o convencionalmente aceito, como gado.

Eu nunca fui de me incomodar demais com essa baboseira toda. Tenho uma certa vaidade e orgulho, sim, claro! Mas nada exacerbado. Procurava tentar emagrecer por ordens médicas, mas nunca fui de ficar contando calorias ou evitando doces.
Como bem disse o personagem David, de "Feios" [vou ocultar um spoiler aqui pra não perder a graça de quem ainda for ler]:
 
"Essa é a pior coisa que eles fazem com vocês. [...] O maior estrago é causado antes mesmo de eles pegarem um bisturi: todos vocês sofrem uma lavagem cerebral para acharem que são feios."

Por isso eu amei esse livro - que já virou best seller nos EUA e já tem previsão para ser adaptado pro cinema -, ele mostra - em um universo extremado é verdade - o quão nocivo tudo isso é! E com uma narrativa leve, gostosa e personagens muito cativantes e um pouco fora do comum.
A continuação, "Perfeitos", deve chegar essa semana e, claro, eu já encomendei. Estou super ansiosa para ler! Vou colocar aqui a sinopse da contra-capa do livro e o trailer que a editora colocou no YouTube:

Tally está prestes a completar 16 anos, e mal pode esperar. Não para dar uma grande festa, mas sim para se tornar perfeita. No mundo de Tally, fazer 16 anos significa passar por uma operação que a transformará de "feia" em um ser incrivelmente belo e perfeito, e lhe dará passe livre para uma vida de glamour, festas e diversão, onde seu único trabalho é aproveitar muito.
Mas Shay, uma das amigas de Tally, não está tão ansiosa assim: prefere se arriscar fora dos limites da cidade. Quando Shay desaparece, Tally vai conhecer um lado totalmente diferente desse mundo perfeito - e, acredite, não é nada bonito.

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sugestão de Livro: O Mundo Pós-Aniversário




Irina McGovern é personagem central de uma história fictícia que se contada em linhas gerais parecerá vulgar e pouco atraente. Com tiradas cáusticas acerca do relacionamento homem e mulher, seus percalços e vieses, a autora Lionel Shriver faz analogias fabulosas sobre as decisões e rumos que tomamos. E se Irina abandonasse a sua união estável com um homem estável? E se, de repente, ela deixasse todo o conforto para se aventurar nos braços de um homem aventureiro? É assim que a autora nos presenteia, com possibilidades!

Como teria sido sua vida profissional se optasse por ter a vida mansa a qual estava acostumada? E como seria o Natal na casa da sua mãe rígida e neurótica ao lado de Ramsey, aventureiro e pouco intelectual, ou ao lado de Lawrence, estável e compenetrado em agradar a sogra?

Há sempre 2 capítulos para 1 situação. No primeiro, Irina continua a sua vida organizada ao lado de seus temperos e do homem previsível que é Lawrence. No segundo, Irina arrisca tudo e compra novas roupas para viver ao lado de um homem que ganha a vida debruçado numa mesa de sinuca. E, ainda, põe Irina entre a leveza de ter grana e a rigidez de ter que economizá-la.

Essa história nos leva a refletir sobre a vida. Sobre como QUALQUER DECISÃO tem seu ardor. E que quando optamos por UM caminho, é certo olharmos para o outro - aquele que não escolhemos - com frescor. Quase posso sugerir que todos os homens são iguais ou que todos os relacionamentos são iguais ou que não se pode ter tudo. Mas não farei isso, soaria simplório e prejudicaria a beleza desse livro.

Ao final, independente da sua escolha, Irina terá o mesmo gosto agridoce na boca, mas como chegou até ele, as dores e prazeres, serão peculiares e únicos. Tristemente, esse livro me levou a uma descrença maior sobre os relacionamentos afetivos homem-mulher. Sobre como somos dolorosamente substituíveis, reforçando coisas que eu acredito e, relutantemente, tento driblar. Talvez não doa assim para todos. Mas doeu para mim e foi com areia.


* A história é baseada em fatos reais. Como na vida não há como viver 2 caminhos ao mesmo tempo, como sugere o livro, a escritora curiosamente escolheu o "jogador de sinuca".

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Era uma vez uma mulher poderosa!


Era uma vez uma princesa que ficava a esperar o seu príncipe encantado. Passaram-se 100 anos e o príncipe, após enfrentar dragões e armadilhas, finalmente pôde salvar a princesa. Então eles viveram felizes para sempre. A estória infantil foi contada por décadas. São APENAS contos de fadas, alguns diriam, e é salutar preservar essa imagem virginal da mulher e a brutalidade do homem (?). Será que continuar com esse esteriótipo patriarcalista fará as futuras mulheres se sentirem culpadas por não terem o desejo de se casar como suas heroínas da infância?

O homem não é mais o único provedor da casa, muitas vezes nem é provedor de nada. A mulher não passa o dia esperando o homem voltar para casa, quiçá 100 anos. Nada mais justo que adequar novos paradigmas aos livros infantis. Acredito que seja uma forma de encorajar as futuras mulheres, sem que elas se sintam um E.T. por seu ideal de vida ser trilhar uma carreira de sucesso ou fazer viagens intermináveis. As mulheres podem optar por serem felizes com seus bichos de estimação e podem, sim, encontrar o seu príncipe encantado com cara de mocorongo.

Aproximar a realidade das meninas farão com que elas não idealizem mundos e fundos com essa macharada que anda BEM sacaninha. Longe de querer que as estórias sejam contadas num tom feminista, contagiando-as a queimar o sutiã PP antes mesmo de usá-los. Mas a ideia é valorizar o feminino, quebrar o estigma da mulher frágil e impotente. Aquela que fica à espera de um homem para ser feliz não deve ser o ÚNICO PERFIL da mulher em livros infantis. Também não quero esbarrar no chumbo trocado, onde a mulher abertamente se masculiniza. O que proponho são livros onde a mulher chegue à presidência ou faça viagens incríveis e que seja feliz porque agarrou as oportunidades com unhas e dentes. Oportunidades para ser feliz, não necessariamente com um homem.


Por incrível que pareça a Disney, que sempre apregoou as características de beleza, fragilidade e impotência à imagem feminina, resolveu mostrar que também está antenada com os novos tempos e criou a categoria “mulheres em papéis positivos” na Hyperion Books for Children, um selo de sua divisão de livros. O best seller nos EUA “Grace for President” (Grace para Presidente), de Kelly DiPucchio e LeUyen Pham, é um dos títulos. No Brasil ainda há poucos títulos com essa temática, mas já podem ser encontrados, sim!

Longe de levantar essa bandeira e ser sexista, os livros infantis com temas que valorizam a mulher vão no meu ponto vista encorajá-las a seguirem seus sonhos (como nos contos de fadas), sem que elas criem conceitos pré-estabelecidos (preconceitos mesmo) de como devem ser felizes.

Então, vocês ficam com os contos de fadas e acham que eles valorizaram a feminilidade ou com os livros modernos que incentivam o progresso da mulher sem amarras matrimoniais?

domingo, 29 de novembro de 2009

Do que é bom a gente faz propaganda de graça


Não sei se fomos claras o suficiente, mas nós, corporativetes, AMAMOS ler.
Eu, particularmente, adoro chick lit - a famosa literatura de mulherzinha.

Minha introdução no chick lit foi com o famoso livro Casório?!, da renomada escritora Marian Keyes. Desde então, sou constantemente aconselhada a procurar os Livrólatras Anônimos, já que gasto tudo o que tenho e que não tenho com romances água com açúcar.

Casório?!, Melancia, É agora ou Nunca, Sushi, Férias, Los Angeles, Um best seller para chamar de meu e o recente Tem alguém aí? são os livros da Marian já publicados no Brasil pela editora Bertrand Brasil.

E, se vocês me perguntarem qual dos livros recomendo primeiramente, digo que é Melancia, que é o primeiro livro sobre uma das divertidíssimas irmãs Walsh. O único porém é o seguinte: sua vida social vai por água abaixo, já que é impossível parar de ler um minuto sequer.

A fórmula do sucesso de Marian Keyes? Simples: personagens sensíveis e cativantes, que parecem com a gente, com a nossa mãe, nossa tia, nossa melhor amiga... Não tem por onde, é identificação na certa!

Quanto aos preços, admito que são um pouquinho salgados (entre R$40 e R$50!!!!!), então recomendo mesmo o download dos e-books, fica bem mais acessível, né? (Mas eu sou louca por cheiro de livro novo e compro todos. Me chamem de doente!)

Já leu algum romance da Marian Keyes? Conta pra gente o que você achou! Não leu ainda? Que que tá esperando, menina?

P.S: A inspiração para o post é fruto do presente que ganhei do meu namorado hoje: Tem alguém aí? Lançado dia 20/11 aqui no Brasil.

Follow me: http://twitter.com/analiamaia

Para recomendar livros legais ou fazer doações literárias para esta que vos escreve: analia@corporativismofeminino.com

Este post NÃO é um publieditorial*

terça-feira, 7 de julho de 2009

Lembra de Mim?

Imagine-se acordar daqui a 3 anos e perceber que sua vida mudou completamente. Tanto que você não se identifica com uma única peça no seu vestuário, tampouco reconhece o homem que escolheu para casar... É dessa forma que Sophie Kinsella, autora do renomado "Delírios de Consumo de Becky Bloom", conduz uma trama de questionamentos no seu novo livro "Lembra de Mim?".

E acompanhada desse livro por dois dias, consegui atribuir valores à minha vida paradona. Mas será que é mesmo tão paradona como eu imagino? Quer dizer, eu poderia ir dormir com 15 anos e acordar depois de 10 anos e... as coisas continuariam mais ou menos como sou, com o desejo por coisas coloridas e extravagantes e, pior, escolhendo o mesmo perfil de namorado: acomodado. Com exceção da condição de mãe, realmente, aos 15 anos eu não imaginaria que, em menos de 5, eu estaria dormindo pouco para amamentar um filho.

Pergunto-me friamente se houve alguma evolução. Não tenho uma carreira de sucesso, não tenho um namorado fixo, tampouco um casamento! Continuo meticulosamente desorganizada, reclamona e voltei a comer errado. Quer dizer, os 30 anos se aproximam e eu não estou em forma - Isso eu não havia previsto, de verdade!

Quando eu tinha 15 anos, acreditava que, aos 30 anos, eu seria o sucesso personificado. Eu poderia sentir o cheiro de champanhe ao fechar os olhos no 1º ano do segundo grau (ok, não entendo a reforma escolar) e ouvir os aplausos no salão. Minha auto-estima foi se diluindo como um somrisal na água e, hoje, eu sei que sucesso é para os outros. Eu enterrei tudo isso, não acredito. O que ouço agora são risadinhas e nem me atrevo a fechar os olhos para sonhar!

Na verdade, nossa vida pode mudar num segundo por uma decisão equivocada. Ou, obviamente, tomar um rumo brilhante (só se for com vocês)! É quase impossível fazer uma previsão do que virá depois. Quer dizer, Sílvio Santos não precisou buscar livros na biblioteca para ter todos os zilhões que possui. Meu irmão era um péssimo aluno e preferiu curtir a vida se divertindo muito, fora da escola. Ele morreria aos 16 anos, logo, pra quê estudar prum vestibular que não faria?

Será que faríamos MENOS se soubéssemos como terminaríamos, afinal? Será que eu deixaria de ir à universidade toda manhã, com os seios jorrando de leite na camisa de malha, se soubesse que HOJE posso limpar a bunda com meu diploma? Não sei.

Sei que você deve pensar "Faça mais!", "Lute mais!", "Avance sempre!". Nessa, meu bem, já devo ter sustentado famílias e famílias de sapateiros de tanto gastar as solas...

Como vocês se imaginam daqui a 3 anos e, ainda, onde vocês se imaginam?

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Para ler e [insira o que lhe faz sentir-se mellhor aqui]

Se as pessoas soubessem os benefícios da leitura, andariam todas com um livro embaixo do braço. Fila do cinema? Claro, você e um livro, por que não? Pausa para o almoço e cansado de agüentar conversa chata do cara mais sem noção do seu trabalho? Tcham ram, abra um livro e desligue-se do mundo! Aquela sua tia de segundo grau que nunca casou veio perguntar se você já arrumou um namorado? Não, dessa vez não se faça de blasé, jogue o livro na cara dela mesmo!

Para ler quando se tem 12 anos:
Todos, sem exceção, da Coleção Vagalume – Editora Ática º Todos, sem exceção, do escritor Pedro Bandeira

Para ler em uma tarde chuvosa:
Depois que você foi embora º Vinícius de Moraes – Nova Antologia Poética º O Apanhador no Campo de Centeio º Memórias de Minhas Putas Tristes º Cem Anos de Solidão º A Cabana

Para ler e chorar:
Pollyanna º Pollyanna Moça º O Caçador de Pipas º Travessuras da Menina Má º A Menina que Roubava Livros º A Rosa do Povo º O Diário de Anne Frank

Para ler uma vez na vida, gostar, porém, não ter saco pra ler novamente:
O mundo de Sofia º Budapeste

Para ler e depois querer picotar o livro para usar como papel higiênico
[insira aqui o título de qualquer livro do Paulo Coelho]

Para ler e não conseguir dormir porque-você-só-quer-saber-como-vai-ser-o-final:
Linha do Tempo º O Código da Vinci º Quem Tem Medo do Escuro? º A Ira dos Anjos º Anjos e Demônios º Escolha Fatal º Diário Secreto de Laura Palmer º Dexter - A Mão Esquerda de Deus º O Perfume - A História de um Assassino º Crepúsculo

Crônicas:
Assim Caminha a Insanidade º Crônicas do Cotidiano º Topless

Chick-lit (mais conhecida como literatura de mulherzinha)!
Casório º Férias º Melancia º É agora ou Nunca º Sushi º Los Angeles º O Diário de Bridegt Jones º Bridget Jones no Limite da Razão º Delírios de Consumo de Becky Bloom º Delírios de Consumo na Quinta Avenida º As Listas de Casamento de Becky Bloom º A irmã de Becky Bloom º O Chá-de-bebê de Becky Bloom º Samantha Sweet – Executiva do Lar º Antes Mal-acompanhada que Solteira º Temporada de Caça Aberta º Procura-se um Namorado - Última Chamada

Ajudem-me a completar a lista, sei que existem milhares de livros maravilhosos por aí, mas, por motivos óbvios, é impossível citar todos!

- Para doações de livros, críticas, xingamentos e depósitos na conta bancária: analia@corporativismofeminino.com

terça-feira, 25 de novembro de 2008

SUPER PROMOÇÃO DE LIVROS!

Duas postagens hoje porque não posso deixar de avisar vocês da PROMOÇÃO DE LIVROS DO SUBMARINO.

Vários BEST SELLERS por R$ 9,90! Livros que custam em torno de R$ 40,00 saindo por R$ 9,90 ou menos, minhas amyghas!

A Zíngara já falou nesse post sobre os livros Delírios de Consumo de Becky Bloom, eu nunca lí, mas quem leu afirma que são ÓTIMOS, pois é, estão por R$ 9,90. Normalmente eles não custam menos que R$ 40,00.

Eu tenho cartão submarino, logo, tenho mais desconto ainda, paguei ínfimos R$ 7,92 por um dos livros dessa série.

Sem falar que tem outros como Bridget Jones, vários do Sidney Sheldon, O Diabo Veste Prada, Perfume - A história de um Assassino, Hannibal, Meu Nome não é Johnny, entre outros que são bem conhecidos e bem falados.

Corram lá no Submarino e se joguem. Mas corram mesmo, quando tem essas promoções, os livros bons costumam esgotar rapidamente.

Eu já passei por lá e decretei falência, e decidi que nesse Natal, vou dar muitos livros de presente, hahaha.

Fica a dica!

quinta-feira, 16 de outubro de 2008

Antes mal-acompanhada que solteira




Não, não escrevi errado. 7 entre 10 mulheres* preferem estar na companhia de alguém (mesmo que este alguém não preencha os requisitos básicos de NAMORADO) a estar solteira. Eu já estive entre essas 7 por incontáveis vezes.

Tenho uma amiga de cachos dourados, olhos sexies e azuis, acredite, a descrição dela é uma "coisa de louco", o lado sapatão de qualquer uma de nós poderia aflorar a qualquer momento ao vê-la. Como se não bastasse o físico, ela preenche os requisitos de sucesso, tem dinheiro e um bom emprego, além de ir longe nos estudos.

Outro dia conversávamos sobre MACHO. E ela soltou a seguinte frase "Estou com fulano há 3 anos, mas eu não quero casar com ele. Será que sou muito exigente?". Logo, perguntei o motivo de ela permanecer com ele JÁ QUE não via futuro. Então, ela o defendeu com unhas e dentes, dizendo "Ele é ótimo, sabe? Não me sacaneia, me trata bem, não me trai... Mas ele é tão relapso, tão acomodado! Na verdade, tão sem futuro!". O que eu respondi foi... Você tem TODO DIREITO DE SER EXIGENTE. Você vai mesmo ficar comprometida mais alguns anos com este sujeito e estará offline para o "homem que você quer casar"?

Há dias atrás, li o “Antes mal-acompanhada que solteira”. É um livro divertido (por mais que o tema seja de COMPLETO FRACASSO AFETIVO), conta a história (estória) de uma moça, de estima baixa e acima do peso, que vai remoendo um namoro fracassado. O namorado, seguro e atlético, está ali por ser cômodo, por não precisar se esforçar muito. Ela está lá por amá-lo incondicionalmente. Não, ela não acordou num domingo e pensou “Essa não é a vida que eu quero”. Pelo contrário, ela precisou ouvir com todas as letras – Mesmo que ele tenha dito de várias formas, em gestos e atitudes, QUE NUNCA QUIS FICAR REALMENTE COM ELA.

À medida que vamos envelhecendo, a exigência cresce para um grau absurdo. Não toleramos mais brincadeirinhas, descompromissos (ao menos EU não). A vida parece absurdamente curta e se você estiver solteira aos 30 anos saberá o que estou dizendo. Não, você não aceita MAIS UM macho babando no seu travesseiro, não aceita sexo mal feito, nem desculpa esfarrapada. Ah, quando eu tinha 18 anos, era tão mais fácil, nada de PEDIR NADA. Era “Deixa a vida me levar”. Era um “Ah, me deixa em paz”. Nada de saltos monumentais ou bebidas no fim do dia para acalmar as têmporas. Você trajava um belo all star confortável. Às vezes me pego pensando que se voltar a usá-los, poderei ser aquela jovem despreocupada de outrora... Assim como mágica. Sairei na rua com as amigas, nos acotovelando ao ver um carinha interessante. Mas, ó, céus, sou capaz de ser presa por usar um all star!

E é por isso que sinto inveja SOLENE de quem se mantém solteira por não topar desgaste emocional. O que sabemos é que UM RELACIONAMENTO SÓ VALE A PENA se nos trouxer felicidade. O MACHO tem que vir para somar, não para desestruturar. Todas essas frases você fala para sua amiga quando ela está aflita e enfiada num relacionamento NEURÓTICO. São frases lindas e maravilhosas que, na prática, se aplicam a pouquíssimas mulheres. Não conseguimos nos desvencilhar, mesmo sabendo que na esquina há dois ou três homens que a comeria melhor, que a deixaria duas vezes mais segura, MAS você se pega querendo o mesmo, o antigo, o seguro (?). E aí você pronuncia a frase DO FRACASSO: ...Mas ele é ótimo...


* mentira, não tenho essa estatística, mas pensei que "usá-la" daria mais credibilidade ao que eu ia dizer... Enfim...

quinta-feira, 2 de outubro de 2008

Delírios de Consumo

Estou economizando há quase dois meses. E me sinto orgulhosa por isso. Antes, além de poluir a cidade com meu carro e gastar quase R$200,00 por semana de gasolina, eu ainda dava ao flanelinha R$2,00. E se parasse em outro lugar, então, mais R$2,00. Agora não, tomo um metrô abarrotado às 7 da matina por míseros R$2,00 e levo a minha garrafa térmica com água que sempre encho no shopping. Logo, nem compro refrigerantes que só me engordam, e nem preciso ficar pagando R$1,00 por água que temos de graça em bebedouros comerciais! Sem falar que ando de salto alto da minha casa para estação e da estação para o trabalho, o que faz com que eu me exercite até fora da academia! Não é fantástico? Eu acho!

A minha vida desprendida de gastos desnecessários parece mesmo incrível, digo emputecida, enquanto procuro um bebedouro com água gelada e me equilibro em pés que parecem vestir manequim PP. Brasília com uma umidade de dar inveja no Deserto do Saara faz com todos queiram um sorvete, uma coca-gelada ou um ar condicionado de shopping na velocidade máxima. Então, eu decido que não quero nada disso: EU QUERO AQUELA BOLSA!

Sim, estava eu e uma amiga caminhando no shopping quando vi a bolsa dos meus sonhos num cabide de vitrine. Na hora não a reconheci, até porque nunca usei nada dourado. Mas ela era dourada! Dourada! Esmaeci quando entendi que, de fato, a bolsa era dourada. E, sim, eu não uso nada dourado. Inclusive jóias de ouro (amarelo) não é um bom presente para me dar, certamente, eu venderia. Não acho que dourado combine com a minha morenice tropicana e, por isso, tudo que é dourado sempre me arranca um “Que brega!”. Mas a bolsa era algo ultra-mega-hiper-super elegante e, não era só isso, ela era imensa, o que me atraía ainda mais. Esquivei-me, mas a minha amiga se precipitou para dentro da loja conferindo o preço. Choquei-me com o valor, era realmente incrível: Menos de R$100,00. Descobri que havia passado 2 anos da minha vida gastando dinheiro com gasolina, quando na verdade poderia comprar DUAS BOLSAS MARAVILHOSAS iguais aquela 1x na semana.

Na mesma hora recitei meu mantra “Pulsação 12. Pulsação 12. Pulsação 12”. A minha voz secreta me esbofeteou: "Controle-se, é só uma bolsa e ainda é DOURADA! Que ridículo, como você poderia comprar uma bolsa DOURADA? Enlouqueceu?”. Olhei para a bolsa com desdém e disse a minha amiga “Ela é bonita, mas eu não tenho NADA dourado, além disso estou economizando! Vamos almoçar...”.

Percorri o olho no cardápio e nada agradava. Pensei que quando terminássemos de almoçar, eu poderia voltar lá e perguntar em quantas vezes a vendedora poderia parcelar aquela bolsa e, CASO ela parcelasse, eu compraria. Mas a temperatura de Brasília fez a minha amiga desfalecer e lá vamos nós embora do shopping sem a bolsa, digo, sem o almoço.

Dormi pensando na bolsa e entendi que meus figurinos não combinariam com ela. Era só mais uma bolsa inútil no fundo do armário. Até agradeci por minha amiga ter passado mal, afinal eu não me rendi ao consumismo barato. Minha amiga acabou me salvando, vejam vocês!

No dia seguinte, ao ligar o computador no trabalho... A primeira coisa que fiz foi acessar o site da loja e lá estava a bolsa com uma descrição fantástica, em linhas gerais dizia quão RETRÔ e FASHION ela era. E, pasmem, ela podia ser parcelada em 2x sem juros. Pensei “Que maravilha! Que pechincha! Claro que vou comprar!”. Sai para o almoço mais cedo, temendo não encontrá-la na vitrine. Mas lá estava a danadinha me esperando! A loja estava cheia e uma moça de uniforme cinza me cumprimenta com um “Você gostou?”. E eu olho para a bolsa mais uma vez “Vou levar. Ela é dourada, não é?”. Por um minuto pude ler o pensamento da vendedora “Não, filha, é roxa!”.


Enquanto ela a embrulhava com todo cuidado num papel de seda, eu dizia “Então, podemos parcelar em 2x, não é mesmo?”, e sacudia o meu cartão de crédito, também dourado. “Não, senhora, não dividimos este valor!”. Revirei os olhos pronunciando “Mas eu vi no site que...”. Arrogante, ela me responde: “No site tem frete por isso eles parcelam”. Sinto-me arruinada. A condição era SÓ comprar SE fosse parcelado. “Lembra, Zíngara? Você impôs essa condição. Então, saia daí agora!”. A vendedora debocha de mim dizendo que “Essa é a nossa última peça!”. Na mesma hora sinto uma vontade extrema de dizer “Ponha de volta no lugar, não tenho nada que combine com uma bolsa DOURADA, além disso, eu achava que podia parcelá-la!”, mas a minha boca pronuncia “Tudo bem, eu adorei a bolsa mesmo!”.



Uma semana se passou depois que comprei a bolsa, ela continua embrulhada. Ela é linda, acreditem, mas é dourada! Ela é excêntrica e elegante, acreditem, mas é dourada! Acabo de perceber que terei que comprar um sapato que combine com ela. E, ah, uma roupa, talvez um vestido ou uma saia. Talvez eu compre pulseiras também... Porra! Mas quem disse que a moda é andar combinando? Talvez eu volte a andar de carro...


Zíngara


(Contaminada pelo livro Os Delírios de Consumo de Becky Bloom).

sábado, 27 de setembro de 2008

Comer, rezar e amar



Embora as indicações para a leitura do Livro Comer, Rezar, Amar da escritora Elizabeth Gilbert parecessem bem convincentes, eu comecei a lê-lo sem muito entusiasmo. Obviamente que me identifiquei com vários trechos, como qualquer mulher por mais E.T. que seja se identificaria. É escrito em primeira pessoa, com a minúcia de lugares de três países bem discrepantes: Itália, Índia e Indonésia. Veja que todos começam com “I” que significa EU em inglês. É um relato da busca por si, ou melhor, da busca de uma mulher por sua paz. Uma mulher que não consegue estar só, sempre enfiada em relacionamentos desgastantes. Sempre curando um amor falido em outros braços. Há muito ela não sabe o que é ELA, o que é SER ELA.

Não sei vocês, mas quando estou num relacionamento faço tudo para dar certo. Ofereço absolutamente tudo que tenho, sou capaz de adoecer e ficar sem um tostão furado no bolso. Fico impregnada da pessoa, sou capaz de agregar seus trejeitos faciais aos meus. De forma que quando termina, se me olho no espelho vejo a pessoa ali: Estampada. Por isso geralmente pinto o cabelo quando saio de um, ainda não o fiz. Mas muito em breve voltarei a ser ruiva.

Ah, a Itália. Que mulher não gostaria de conversar com italianos e respirar o frescor italiano? Falar italiano já é muito sexy (não é à toa que uso o codinome Zingara, lê-se zíngara, cigana em italiano). Mas a nossa personagem sente todos os atrativos da culinária de lá, mesmo que exista sexo transbordante em cada rua italiana. Quando a nossa personagem se põe a descrever a postura dos homens e como eles se apresentam, eu digo num tom alto, fechando o livro “Eu vou para a Itália”, mas lembro que fiz voto de castidade até 2010. Então, não, definitivamente eu não quero ir para lá.

Mais tarde na Índia, você aprende bastante sobre meditação e sobre a cultura “guru” que faz esse povo levantar às 3 da manhã para exercícios de respiração e o encontro com Deus. Depois de extravagâncias alimentares na Itália, a nossa personagem se deu bem, emagrecendo tudo o que foi ganho em massa corpórea. Afinal, meditação e comida não funcionam muito bem juntas. O verbo aqui é o “rezar”, tão conjugado durante toda a viagem. Uma coisa que me intrigou e que estranhamente passei a fazer é... sentar-me ereta antes de dormir e sorrir. Sorrir em silêncio, lembrar de fatos bons e sorrir. Obriguei-me a isso. Quando se sai de um relacionamento de anos, é preciso se fazer algum bem: Alguns têm recaídas, outros abraçam a vida nua e crua sem paliativos. Desta vez, escolhi a segunda opção. Adendo, a autora não aprendeu essa meditação na Índia e, sim, na Indonésia. Mas tive que mencionar o fato, pois poderia me esquecer mais lá na frente. Já que a ênfase neste parágrafo é meditar, rezar, idealizar, evoluir, respirar.

Até que enfim, ela ama. Depois de quase um ano na masmorra de si, ela se apaixona. Mesmo não querendo. E é na Indonésia. Não vou dar detalhes sobre isso para não quebrar o encanto. Vou me ater apenas em dizer que este é o desfecho. Depois de mais de um ano, ela encontra alguém.

Escolhi o livro obviamente por me identificar com as trapalhadas da autora. Eu que não sei me equilibrar nesta vida sem ter alguém segurando a minha bendita mão. O que descobri lendo este livro não é que preciso fazer uma viagem. Até adoraria, mas “me falta-me grana” (quer trocar Lady Kate?). Mas que não é um homem que mudará sua vida. Mesmo que nossa personagem tenha caído na “cadeia alimentar” outra vez, ela ainda me inspira.

Não sou boa com a abstinência de homem. Mas é o mais sensato para se fazer por um tempo, se desintoxicar. Olhar-se e entender que você gosta de literatura estrangeira e não de brasileira como seu parceiro apreciava. E, sim, você quer sair todos os sábados e dançar bastante. Ficar no sábado à noite em casa nunca foi a sua, mas você fazia para manter a paz do outro. Não a sua, quer dizer, falo por mim. Definitivamente, não sei me relacionar.

Ouvir a minha respiração, e só ela, tem sido um grande desafio. Eu deixo aqui um “Leiam, meninas!”. Algum trecho do livro fará você dizer “Ah, eu não sou tão maluca!”.


Zíngara

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Não canse a sua beleza!

Para não dizer que não está a fim de você, o homem é capaz de simular um ataque epiléptico, com direito a somrisal e choques elétricos para a "coisa" ficar convincente. Mas não, eles não dizem com todas as letras: "Creuza, você nem é feia, mas não estou interessado. Tchau!"

Seria tão mais fácil, não? Quantas vezes você deu DESCULPAS a sua amiga, confortando a moça com frases do tipo: "Ah, ele deve estar ocupado!", "Tadinho, saiu de um namoro agora!", "Seja mais paciente, querida, logo ele vai descobrir a mulher incrível que você é!". Pois é, eu mesma já fiz uso de muitas frases com o intuito de não mandar a auto-estima da amiga para a puta que pariu.

Sim, também, já ME DISSE frases dessa natureza para mascarar a rejeição de outrem. Estamos sempre arranjando um pretexto para o SER HUMANO não ter se interessado por nós. É, meninas, muita auto-estima em cheque e muita injeção de realidade nessa hora.

Vejamos alguns fatos:

Ele não ligou PORQUE ESTAVA OCUPADO. Trabalha muito, tadinho. Claro que ele pensou em você, mas DURANTE UMA SEMANA, sim, UMA semana, ele não conseguiu pôr a porra do dedinho no celular e ligar para você. Sério, você não sente pena? Eu tenho, mas é PENA DE VOCÊ QUE CAIU numa desculpa esfarrapada dessa. Alô! Se o cara está a fim, ele liga sentado na privada, mas liga!

Ele saiu de um relacionamento há pouquíssimo tempo. O divórcio deixou cicatrizes irreparáveis. Ele nem consegue mais confiar nas mulheres, ora! Como os homens sofrem, não? Ô, traumatizô! Sério, você não sente dó do ser humano? Tem mulher até que pagaria terapia para o rapazote. Mas, amiga, não gaste tanto, compre um espelho de R$1,99 e enxergue a verdade: Ele só não quer ficar com você.

Ele está sem tempo, acabou de comprar um apartamento novo ou mudou de emprego. Coitadinho, ele não tem tempo nem para ir ao banheiro, imagina ENTÃO estar disponível para ficar com VOCÊ? É, ele simplesmente não está a fim de perder seu precioso tempo COM VOCÊ. Mas quem sabe com a Isabela?

Ele não quer nada sério, muito menos casar. Como sofrem esses homens, ele, de fato, está magoado, coração partido e não quer começar nada sério. É isso o que você pensa, sentada no seu rabo. Meninas, já cai nessa! Levei um namoro de mais de 2 anos onde o rapaz jurava de pé junto que não iria casar, que o casamento era a coisa mais ridícula e que ele nunca o faria. Mas foi só o rapaz se apaixonar DE VERDADE para mudar o pensamento, em poucos dias ele estava pedindo a namorada em casamento!

Ele não faz sexo com você. Acho lamentável ter que comentar este ponto. Considerando que homem é mais SEXO que qualquer outro sentimento. Então, a primeira frase berra UM "Cai fora, minha filha!"

Ele não convida você para sair. Fica no nhem-nhem, mas não diz "Vamos sair!". É, tem mulher que chama para sair (Eu sou uma!). Mas, caríssimas, não chamar para sair, diz nas entrelinhas, com um cartaz em neon: Não quero estar com você! Muito menos no meu precioso fim de semana!

Esse pequeno post não é para dizer "Alô, todas nós somos feias, desinteressantes e ninguém estará a fim da gente". Esse post é para dizer que QUANDO UM CARA ESTÁ A FIM, ele não dá desculpas, nem inventa doença da mãe ou some por semanas. Usem o seu tempo para estar com quem quer "perder tempo" com você. Use o seu perfume carésimo com quem liga para você durante o intervalo da reunião. Façam aquela depilação cavada para o cara que tem orgulho de estar ao seu lado...


Sim, este post foi inspirado no famoso "Ele simplesmente não está a fim de você". Não deixe de ler, leitura dinâmica, divertida e clara. Vale estender “o presente” as amigas que ficam no MSN, falando: “Será que ele perdeu meu telefone? Não me liga há semanas!”. Não, o que ele perdeu foi o interesse, sinto muito.

Zíngara

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