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sexta-feira, 26 de novembro de 2010

VAI SE DEPILAR HOJE?

Bom, como o tempo e uma amigdalite chata corroeram essa semana, não me restaram brechas para escrever um post digno do retorno do blog. Resolvi repassar a vocês, com todos os créditos indicados, reconhecidos e dignos, uma crônica do ilustre Fabrício Carpinejar, um escritor incrível que tem uma visão do universo feminino e relacionamentos que vale a pena conhecer! Espero que curtam!  Arte de Allen Jones


Não se pode ser bagaceiro sem antes ter intimidade. Não dá para sair falando como se estivesse no quarto; primeiro deve-se atravessar a sala, o corredor, a cozinha.

Safadeza é merecimento. Os atravessadores não merecem o céu da boca. Os apressados não terão a recompensa divina. Os ansiosos desperdiçarão sua chance de Éden. Sou favorável à lentidão, por isso nunca frequentei praia de nudismo. Tampouco sou adepto de swing ou de qualquer prática que banalize a sensualidade.

Vamos direto à ação não funciona comigo. Conversa que é a ação, desprezá-la indica apatia e conformismo.

Aparecer pelado de repente é broxante. Não queimo etapas: desvestir as palavras para depois se despir, encontrar o sim dentro do não, achar o amor definitivo dentro de um talvez.

Partilhar a memória só é possível para quem reparte a imaginação. Reprimido não é o que não confessa seu passado, é o que não consegue expor suas fantasias.

Entendo a decepção da esposa quando ela volta do banheiro e seu marido já a espera pronto na cama. Direto. Apartado de preliminar e provocações. É pior ainda quando ele nem está excitado.

Tão mais prazeroso quando um tira a roupa do outro e se roça e se enreda de sinais. Não dependemos de música-ambiente, desde que sejamos envolvidos pela respiração de nossa companhia. Respirar perto e acelerado prepara o gemido.

Gosto quando a mulher está sem calcinha, mas que não surja nua de assalto. Como materialização do túnel do tempo. Que seja um pouco difícil para me sentir importante. Quero deixá-la à vontade para criar vontade.

A sugestão feminina é uma dádiva. Aquela que diz de cara que está molhada e úmida veio de um filme pornô. Nem sequer leu o roteiro.

Assanhamento pressupõe a malícia de declarar a intenção não entregando o sentido de bandeja. Admiro as mulheres que insinuam, sempre criativas, não facilitando os lençóis. Testam a inteligência do seu parceiro.
Por exemplo, sei que minha namorada está a fim quando avisa, despretensiosamente (isso é importante!), que foi no salão. Quando indisposta, lamentará que não teve tempo.

“Eu vou me depilar hoje” é a senha. Desnecessário o convite literal. Cresço de alegria. A verdadeira terapeuta sexual é a depiladora, é a que resolve as brigas e as discussões. Eu amo todas as depiladoras do mundo pela alegria noturna que oferecem aos homens. São as madrinhas morais de nossa imoralidade.

Sexo pede respeito. Sem respeito, como iremos perdê-lo no decorrer do enlace?





Publicado no jornal Zero Hora
Segundo Caderno, coluna quinzenal, p. 3, 22/11/2010
Porto Alegre (RS), Edição N° 16527

terça-feira, 14 de setembro de 2010

A Garota-Romance


Esse final de semana, um amigo me falou sobre a existência da Garota-Romance na vida de um homem. Explico (segundo ele próprio): Todo homem solteiro precisa de vários tipos de mulheres para se relacionar. Haverá aquela que será a Garota-Vagaba, que ele encontrará basicamente só para sexo, a Garota-Amiga Colorida, que ele gosta de conversar, mas vez por outra dá uns pegas, a Garota-Namorada, que ele depositará todo o ideal de namorada e fará planos com ela. Em suma, traçará o caminho para que ela se torne de fato a namorada dele. E há a Garota-Romance, que ele nunca irá namorar, nem só comer, nem ser amigo. Basicamente, a garota romance será aquela quem ele quer ir devagar e com calma SEMPRE, mas não pretende transformar a relação em namoro sério. Será sempre um mero romance.

Dito isso, descobri ser a Garota-Romance de alguém e confesso que, de início, achei até bonitinho. Pensem comigo: de certa forma, o cara põe a tal garota num pedestal, como se ele mesmo duvidasse que pudesse, em algum momento, converter a relação dos dois em algo sólido e sério.

Owwwwnnnn *-*

Depois, pensei melhor e percebi que eu não gostei nenhum pouco de saber disso. Garota-Romance? PRO CARALHO COM A GAROTA-ROMANCE!

Eu não quero ser um caso, um affair. Quero um futuro, uma segurança e sim, quero proteção. Caso por caso, prefiro muito mais ser a Garota-Vagaba à Garota-Romance. Pelo menos sendo a Vagaba, eu sei que nada de concreto sairá de lá. Não preciso perder meu tempo, nem projetar futuro, muito menos gastar minha paixão e meu amor numa coisa que eu sei que nunca será de fato uma relação.

Agora, ficar nessa lenga-lenga, nesse chove-e-não-molha é uma #putafaltadesacanagem. Porque, vamô combiná: é muito investimento pra pouco caso. Você se envolve com a pessoa, fica esperando a todo momento o cara tomar uma atitude e definir a situação de vocês e o cara tá lá, provavelmente com a Garota-Vagaba.

É aquela coisa: ou caga, ou sai da moita, colega!

COMO IDENTIFICAR SE VOCÊ É OU NÃO UMA GAROTA-ROMANCE:

1) Ao se encontrarem, ele:
a) Te beija de cara
b) Conversa, faz gracinha, conta caso e depois te beija
c) Diz como você está bonita, fala do dia que teve, pergunta do seu dia, reclama dos pais, da faculdade, do trabalho e etc, e entre todos os assuntos, ele sempre te beija e/ou faz algum carinho.
d) Enrola o máximo que pode para só depois, tipo no final de tudo, te dar um selinho, pegar na sua mão e/ou fazer algum carinho.

Se você marcou D, você com certeza é a garota-romance dele. #Cheers!

Para finalizar, deixo aqui um trecho de uma “música” que aprendi quando fui visitar uma amiga em Lavras-MG. Acho que sintetiza bem a situação:

“Traição é traição
Romance é romance

Amor é amor

E um lance é um lance”

(Um Pente É Um Pente - Os Hawaianos)

Pura poesia, não?


PS: Ao Tales que me apresentou a teoria da Garota-Romance, obrigada por me fazer abrir os olhos e o meu ódio pelo mesmo motivo.
PS II: Ao FDP de quem sou a Garota-Romance _|_
PS III: Desculpe por essa porcaria de letra de música que eu postei e pelo vocabulário, algumas vezes, chulo que usei no decorrer do texto.

Follow me ;) @claris_simao
E-mail: claris@corporativismofeminino.com

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

Melhor não desejar


Se quero que um desejo meu seja atendido prontamente, melhor não pedi-lo. O mais sensato é fingir desdém, esnobá-lo. Mas, jamais, eu disse JAMAIS, apertar os olhos antes de dormir e dizer "Deus, por favor, faça com que Zezinho volte para mim". Deus sempre dá um jeito de anotar o meu pedido num de seus post-its e deixá-lo para ler num dia de tédio. E o dia de tédio sempre demora a vir, então quando eu não mais preciso daquele desejo... Deus o atende! Ele o atende com um sorriso sarcástico na cara e diz entre-dentes: "Não disse que queria: TOMA!". Então eu tomo, mas é no fiofó.

Explico, aos 17 anos eu ensaiava num dos poucos teatros da minha cidade. Lá conheci um cara da minha idade e com o biotipo muito semelhante ao meu. E não demorou muito para que fizéssemos sempre os casais. Estávamos juntos, fazíamos o relaxamento juntos, protagonizávamos beijos e, de repente, num sábado à noite depois de uma apresentação estávamos nos beijando fora do palco. O que pode ser normal, natural, se ele não tivesse trejeitos femininos. Mas eu sempre pensava com meus botões: Ok, Zin, ele só é sensível demais por ser ator. Solamente. O namorinho seguia meio esquisito, ele me evitava na hora de "ir para cama". No dia que o levei em casa (eu morava com uns 6 estudantes) todos riram quando durante o jantar ele protagonizou uns trejeitos nada másculos e gritou "Me sujei toda todo!". Virei chacota. Estava namorando Uma Mulher. Mesmo com toda essa pressão, eu me envolvi. E, olha, eu sou tipo que 90% do relacionamento é sexo e, sabe, "isso" não era nosso ponto forte. A verdade é que eu ficava meio que na cola dele, forçando a barra. E ele não queria. Mesmo. Eu sofri. Fiquei no pé. Ligava pra ele perguntando "Qualé", nunca fui tão macho em toda minha vida. Eu já nem sabia se namorávamos e foi quando apareceu a "terceira pessoa" para acabar com aquele fricote. A terceira pessoa ia todo dia me ver, levava seus cds para me emprestar, era atencioso e MÁSCULO! Acabei obviamente deixando a namorada o namorado pra lá. Foi quando um sábado à noite eu estava terminando de apertar o cinto na minha calça que era 4 números a mais que o meu quando o atual diz: Tem um sujeito com uma voz muito estranha no telefone. Fui lá e era ela ele, que disse algo como: Preciso de você. Descobri que te amo. Amo muito. Fiz uma cara estranha que ia do pânico à graça. E disse, não foi num tom de vitória ou vingança: Agora não dá mais. O meu atual pegou o telefone da mão e disse algumas coisas bem cruéis para o sujeito que me ligou várias outras vezes, jurando amor e sexo eternos. Não deu.

Continuando: Desde os 11 anos o meu ídolo era o Renato Russo e eu tinha um desejo ignóbil de morar em Brasília. Eu pensava muito em Brasília, sobre os shows alternativos, sobre a modernidade etc. Fantasiava uma coisa surreal. No ano do vestibular fiz 2 provas. Para minha cidade e pra Brasília. Não pretendia nem tentar pra minha cidade, mas depois de muita insistência e pensando em transferir caso não passasse em Brasília: Fiz. Acabei ficando na minha cidade, mas com a promessa de ir a Brasília logo depois. E fui. Moro aqui e o que mais quero na vida é voltar a morar na minha cidade. Acho Brasília atrasada, totalmente burguesa e não-musical. Mas eu não queria? Deus me deu.

Claro que há uma infinidade de episódios que posso relatar aqui, onde eu pedi algo que foi atendido na época inapropriada. Acho que o correto é pedir para ser feliz. E não dar nomes aos bois. Nada de dizer "Quero um emprego tal na empresa tal", corro o risco de assumir o cargo quando a empresa estiver falida! E nada de dizer "Quero ser a namorada de fulano de tal" porque obviamente na época que ele me quiser eu terei um asco incontrolável por ele.

Melhor não desejar. O melhor é dizer a Deus "Sabe, eu adoro quando as coisas dão erradas" e dar piscadelas frenéticas olhando para o céu.

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Feios

Imagine o seguinte: você vive num mundo em que, alguns séculos atrás, nossa civilização, nosso modo de vida como o conhecemos foi extinto por uma praga que nós mesmos criamos. Mas o futuro não é nem de longe apocalíptico. É bem melhor do que o nosso mundo atual! Tudo é, literalmente, perfeito! Não há guerras ou disputas de qualquer espécie. Todos têm alta qualidade de vida e muita tecnologia. E todos são lindos. A nossa civilização vive em cidades-estado à base de desenvolvimento 100% sustentável, o que significa que a natureza está bem preservada e não precisamos mais recorrer tanto a recursos naturais. Tudo é reciclável. Os jovens têm a vida que a maioria dos jovens pediram a Deus: futilidades sem limites.


Dos 12 aos 16 anos os adolescentes da cidade Nova Perfeição vivem na Vila Feia, uma espécie de internato ondem estudam normalmente e aguardam o seu 16º aniversário ansiosamente, porque nesta data ganharão um presente do governo: uma completa cirurgia plástica, dos pés à cabeça, que lhe deixará literalmente perfeito fisicamente. E depois? É só alegria. Você se muda para Nova Perfeição onde viverá até a meia idade - quando escolherá sua profissão e fará a 2ª cirurgia - apenas aproveitando a vida: festa, festa e festa. Diversão de todo tipo, 24 horas por dia. Tudo à mão, muita liberdade, muita tecnologia. Roupas maravilhosas e nenhuma preocupação a não ser aproveitar a vida de balada em balada.

Esse mundo não parece perfeito demais? Não parece que tem algo errado aí? E se você for como eu - alguém não tão chegado em baladas e futilidades - realmente não ficaria tão animado assim com a chegada do 16ª aniversário. Mas há um problema: você não tem escolha! Na verdade a cirurgia não é um presente, é a lei! Todos devem ser perfeitos e iguais.

Tally é uma garota cuja todos os amigos já completaram 16 anos e se mudaram. Ela está ansiosa, pois se sente 'abandonada'. Não vê a hora de reencontrar seu melhor amigo, Peris, que fez a cirurgia há 3 meses. Durante uma aventura ela conhece Shay, que faz aniversário no mesmo dia que ela, mas não quer ser perfeita e foge algumas semanas antes. O problema é que sua fuga também trará consequências para a vida de Tally. E é aí que a história realmente começa. Tally descobre um mundo completamente novo e descobre toda a verdade sobre a cidade que ela acreditava ser o paraíso!

Gostei MUITO. Muito mesmo!!!
O melhor desse livro não é nem mesmo a sua narrativa, a história, os personagens, a aventura, o romance e as reviravoltas, ou o cenário. Tudo isso é de fato muito bom e muito bem desenvolvido. Mas o aspecto crucial desse livro [e dessa série] é outro: que preço devemos pagar pela 'perfeição' externa? Pela beleza... Vale a pena?

Os diálogos dos personagens e até mesmo as experiências e impressões da própria Tally são ótimos, pois nos fazem questionar esse mundo de aparências onde nós vivemos, sem perceber. A grande maioria das pessoas não é e nunca será fisicamente perfeita, porém a mídia nos impõe um padrão: modelos e atores, principalmente.
E como se não bastasse nos bombardeiam todos os dias com matérias sobre "como emagrecer", "como definir seus músculos ou sua barriga", "como ser mais sexy", "como disfarçar isso ou aquilo", sem contar as milhares de receitas de dietas, desde as mirabolantes até aquelas que passam no 'Jornal Hoje' e no 'Globo Repórter' especialmente elaboradas por 'especialistas' para cada tipo de 'problema'. Além é claro do universo de cosméticos - em boa parte inúteis - e das cirurgias plásticas para praticamente tudo... agora até transplante de rosto já está se tornando possível.

É importante não confundir aparência com saúde. Todos sabemos que obesidade pode ser um grave risco à saúde, mas não é porque você é magro que está livre de ter colesterol.
Também que não se confunda normalidade com desleixo. Ter vaidade, se cuidar é saudável... O que é preocupante é ser obssessivo com a aparência e se tornar um ser alienado, que não se preocupa com nenhuma outra questão realmente útil e importante. O que é triste e perigoso é fazer de tudo - de tudo mesmo - pela ilusão de ser perfeito e julgar tudo e todos a sua volta por esse prisma.

E é exatamente isso o que acontece no livro!!! Ser perfeito é essencial para ser aceito e se sentir bem consigo mesmo. Quando Tally começa a contestar esse universo, sua mente se abre e ela finalmente cresce de verdade. Cresce não como seus amigos da cidade, que apenas tem corpo de adulto, mas cresce como uma pessoa, alguém consciente e com discernimento para avaliar e ter opinião própria.

Um exemplo de como já estamos - de certa forma - vivendo esse pesadelo é uma situação que eu vivi há pouco tempo. Como já comentei antes, passei o 1º semestre doente. Há anos eu sofria pressão de todos para emagrecer, embora nunca tenha sido de comer em excesso e nem muito menos fosse obesa. Apenas tenho uma certa gordura localizada na barriga que só sai mesmo com abdominal. Eu só aceitava essa pressão porque a ginecologista disse que eu precisava de fato emagrecer para fazer o tratamento de ovário policistico, que é um problema muito incômodo.
Por causa da doença que tive no 1º semestre - foi pedra nos rins um tanto grave - emagreci 8 kg. Esse meu emagrecimento foi proporcional, ou seja, diminuiu tudo: até o rosto ficou mais fino... mas o que diminuiu mais foi mesmo a barriguinha. E eis que depois de curada ouvi muitos 'elogios'.
Mas sabe quando você não se sente assim tão bem com os supostos 'elogios', embora esteja feliz de entrar naquela calça jeans 38? Uma amiga me disse que eu estava procurando pêlo em ovo, pois é sempre bom ouvir que emagrecemos.

Depois eu entendi que estes 'elogios' vinham carregados um preconceito velado. Na real, significa simplesmente: antes você não estava adequalda para conviver conosco. E isso fica mais forte e perceptível quando vem de pessoas que foram lindas a vida toda. Não to fazendo tempestade em copo d'água não! Já vi meninas magras e saudáveis saírem de agências chorando porque foram chamadas de 'gordas' demais para serem modelos.

Outro exemplo grotesco foi um colega comentar no orkut que tinha visto dois caras criticando o corpo da Cléo Pires no recente ensaio para a Playboy, mas que nenhum dos dois tinha moral pra não gostar da aparência dela porque ambos namoravam, segundo ele, "dois tribufus". E eu juro que fiquei imaginado o que seriam para ele "dois tribufus"? Duas mulheres fora do padrão da mídia provavelmente? E será que ele está dentro do padrão masculino imposto pela mídia? Se não está, ele tem tanta moral para falar disso quando os outros dois, pois também é, segundo sua própria concepção, "um tribufu". E o pior: tal comentário exdrúxulo veio de alguém que eu julgava inteligente.
E o mais absurdo dos exemplos que posso citar é esta matéria que vi ontem no Yahoo!: Cirurgia plástica faz parte do treinamento de miss para levar a coroa.

Esse tipo de preconceito quanto aos defeitos físicos - que não são apenas a gordura ou cabelo liso / cabelo crespo - já estão tão entranhados na nossa sociedade que se tornaram naturais!
Esse preconceito aparece também quando se trata do estilo de vida. Se você, como eu, leva um estilo de vida 'fora do padrão' é certeza que já sentiu olhares tortos e já ouviu comentários maldosos disfarçados de piada.

"Por que você não sai todo fim de semana à noite como os outros da sua idade?"
"Por que você não está namorando?"
"Credo, por que você diz que não quer casar?"

É como se quem não seguisse o padrão tivesse algum tipo de doença perigosa e contagiosa. E quem está neste confortável mundinho plástico tem medo de mudar e começar a pensar pela própria cabeça, ao invés de simplesmente seguir o convencionalmente aceito, como gado.

Eu nunca fui de me incomodar demais com essa baboseira toda. Tenho uma certa vaidade e orgulho, sim, claro! Mas nada exacerbado. Procurava tentar emagrecer por ordens médicas, mas nunca fui de ficar contando calorias ou evitando doces.
Como bem disse o personagem David, de "Feios" [vou ocultar um spoiler aqui pra não perder a graça de quem ainda for ler]:
 
"Essa é a pior coisa que eles fazem com vocês. [...] O maior estrago é causado antes mesmo de eles pegarem um bisturi: todos vocês sofrem uma lavagem cerebral para acharem que são feios."

Por isso eu amei esse livro - que já virou best seller nos EUA e já tem previsão para ser adaptado pro cinema -, ele mostra - em um universo extremado é verdade - o quão nocivo tudo isso é! E com uma narrativa leve, gostosa e personagens muito cativantes e um pouco fora do comum.
A continuação, "Perfeitos", deve chegar essa semana e, claro, eu já encomendei. Estou super ansiosa para ler! Vou colocar aqui a sinopse da contra-capa do livro e o trailer que a editora colocou no YouTube:

Tally está prestes a completar 16 anos, e mal pode esperar. Não para dar uma grande festa, mas sim para se tornar perfeita. No mundo de Tally, fazer 16 anos significa passar por uma operação que a transformará de "feia" em um ser incrivelmente belo e perfeito, e lhe dará passe livre para uma vida de glamour, festas e diversão, onde seu único trabalho é aproveitar muito.
Mas Shay, uma das amigas de Tally, não está tão ansiosa assim: prefere se arriscar fora dos limites da cidade. Quando Shay desaparece, Tally vai conhecer um lado totalmente diferente desse mundo perfeito - e, acredite, não é nada bonito.

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O "Macho" da Relação

Eu puxo a cadeira. Abro a porta do carro, ansiosa. Eu o tiro para dançar e conduzo os passos... E, Deus, tenho que me controlar para não rodopiá-lo no ar. Eu levo todas nossas compras e esqueço que ele poderia me ajudar. Decido onde vamos e quando vamos. E quando há alguma opinião a ser dada, minha voz o inibe de mencionar qualquer palavra. Não quero carinhos depois do sexo, apenas adormecer para o amanhã.

É assim, foi assim. Descubro que eu sou o homem da relação. Obviamente que nesse atual mundão de Deus qualificar o que é "atitude de homem" e "atitude de mulher" é temerário e beira a arbitrariedade. Mas o homem deveria ser o protetor, o que conduz, o que planeja por, teoricamente, a mulher já possuir tantas preocupações extras. Ele deveria ser o ATIVO, assim como é na cama. A mulher deveria ter o seu tirado da reta - Uma vez na vida, que seja! Mas não é o que acontece, ao menos comigo!

Numa relação mal posso respirar, por ter que dirigir todos os capítulos e, ainda, atuar neles. Escolher os figurinos, levar comida ao elenco e, ainda, decorar o cenário. Eu o levo ao novo restaurante e lhe faço surpresas. E é tão cansativo ser tão ativa assim.

Sou mulher e hetero. Teoricamente, eu deveria ser A Passiva. Mas sou tão ativa que vejo os olhos marejados dele, receoso de que seja bolinado durante à noite. Preciso de alguém que cuide da porra das minhas coisas. E como REALIDADE está enfiada entre as minhas pernas como um O.B. GG, sei bem que é quase impossível alguém com atributos ATIVOS sendo homem. Se eu quiser amar outra vez, que eu esteja preparada para ser a empregadinha de alguém. Deus (quantas vezes eu disse seu nome em vão aqui?), quero ser mulherzinha. Quero ser frágil. O sexo frágil. A fragilidade. A passiva. Ficar lá, levando. Só levando. Passivona (Leia isso com voz de biba).



Você já se sentiu O Macho da relação também?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

TEXTO DA LEITORA: Deixa que EU dirijo!

No auge da minha indignação eu venho aqui concretizar a minha teoria: " Por trás de uma mulher barbeira, há sempre um pai que grita!". Nós mulheres somos crucificadas com a famosa frase " Mulher no volante, perigo constante.", somos taxadas de barbeiras e paramos o trânsito não por nossa beleza, mas pela nossa falta de capacidade ao volante! Francamente!

Não é a primeira vez que eu ouço histórias de mulheres que dirigiam mal na frente do pai. Perto da mãe, junto das amigas era tudo flores, mas quando a figura paterna entrava e se assentava no banco do passageiro, com aquele olhar de "você vai errar", era batata! A pobre coitada assassinava o Código de Trânsito Brasileiro, furava o semáforo, subia na guia, deixava o carro morrer, quase batia o carro, entre outras catástrofes que só acontecem, eu disse só acontecem quando estamos dirigindo na companhia de nosso querido pai.

Minha professora de CFC contou que pra piorar a situação o pai dela era instrutor de trânsito, e que quando estava sem ele, ela até que dirigia bem, mas quando o pai entrava no carro, ela cometia barberagens homéricas, como quase entrar dentro de uma agência bancária com o carro! Quando eu ouvia essas histórias, eu até pensava que poderia ser generalização, e eu detesto generalização. Quando comecei a dirigir, meu pai foi muito paciente. Não tinha do que me queixar. Hoje eu percebi que não é lenda urbana, é a mais pura verdade!

Eu tenho carta de motorista, aliás, permissão para dirigir há dois meses e nunca fiz grandes barberagens. Sempre tive cautela, nunca subi numa guia, nem sai cantando pneu no meio da rua. Hoje eu fui com o meu pai buscar o meu irmão, e a cara de "poucos amigos" que o meu fez quando pedi pra ir dirigindo já me deu uma prévia do que aconteceria. Fui conversando com ele, tentando quebrar o gelo, mas ele era irredutível, parecia um instrutor careta e velho ensinando uma patricinha desligada a dirigir. Me falava de tudo que eu tinha que fazer, coisas que eu já sabia, mas ele enfatizava e sua voz soava um grande desconforto.

Daí só pra pior. Gritou comigo, mexeu no volante porque ele achou que eu fosse bater o carro, enfim... Eu não estou aqui pra crucificar meu pai, eu só estou aqui concretizando a minha teoria. Nós mulheres, nós sabemos dirigir sim! Mas o que nos faz tremer na frente do volante são as vozes graves de nossos pais, irmãos, namorados, maridos, que tem a plena convicção que sem os gritos deles só iremos fazer uma bela duma cagada no trânsito!

Eles tem que gritar! Mas será que eles já experimentaram ficar quietos e observar o resultado? Então, homens que estão lendo esse texto, não gritem com suas filhas, suas mulheres, suas qualquer-coisa que estiverem ao volante! Um grito de vocês pode trazer um belo medo de dirigir e até mesmo anos de terapia para nós, pobres mulheres injustiçadas no trânsito, só porque somos MULHERES! E tenho dito!!!


Gabriela Sikorski

domingo, 15 de agosto de 2010

Cabelos longos, cérebro curto!

Gente, comecei uma matéria esse semestre na faculdade sobre as origens do “feminismo” e a discriminação da mulher histórica e socialmente. Já lendo o primeiro texto senti vontade de comentar aqui com vocês e vou transcrevê-lo em partes. Acho um tema muito interessante e uma discussão muito válida, então, vamos botar os bofes críticos pra fora, ler e comentar!




Trechos seguintes retirados do artigo:

“Para a história conceitual da discriminação da mulher”

– Marisa Lopes*

“Será justo, então, o réu Fernando Cortez, primário, trabalhador, sofrer pena enorme e ter a vida estragada por causa de um fato sem conseqüências, oriundo de uma falsa virgem? Afinal de contas, esta vítima, amorosa com outros rapazes, vai continuar a sê-lo. Com Cortez, assediou-o até se entregar. E o que em retribuição lhe fez Cortez? Uma cortesia...” (Pimentel, S.)

É difícil acreditar que a vítima tenha se sentido honrada com semelhante cortesia. Nem ela, nem as muitas mulheres que se tornam duplamente vítimas ao serem expostas a afrontosas decisões judiciais sobre crimes de estupro. (...) “O crime de estupro era [por que não, é?] o único no mundo em que a vítima é acusada e considerada culpada da violência praticada contra ela”. (Pimentel, S.)

O recente caso Geyse, estudante da Uniban, confirma o diagnóstico: agindo por meio do terror, a turba pseudo-universitária brada contra a estudante palavras que soariam bem aos ouvidos dos velhos insquisidores. (...)

Fanatismo (praticado por machos) capaz de produzir estultices como as que escreveu Moebius (1853 – 1907), médico e psiquiatra alemão. O livro de Moebius, Inferioridade da mulher: a deficiência mental fisiológica da mulher, que passo a expor, parte da constatação de que as faculdades intelectuais do homem e da mulher são muito diferentes. Diferença essa que pode ser relativa e, neste caso, as mulheres teriam maior capacidade para uma coisa e os homens para outra, ou absoluta, as mulheres são em sim mesmas deficientes em relação aos homens. A “sabedoria” proverbial – cabelos longos, cérebro curto – fornece compreender claramente o estado intelectual da mulher e o valor de sua deficiência intelectual para que pusessem em ação todo o seu poder para combater, em favor da humanidade, as tendências contranaturais dos/das feministas.

Trata-se então de apresentar as “provas científicas” que fundamentam suas, no plural, deficiências. Em primeiro lugar, existe uma deficiência anatômica na mulher, um retardo, diz o autor, no desenvolvimento da circunvolução do lóbulo frontal e temporal, semelhante, aliás, à encontrada nos homens pouco desenvolvidos, como os negros.



A necessidade de cuidar dos filhos é a causa da diferença entre os sexos. A eterna sabedoria não pôs ao lado do homem outro homem provido de útero [tudo indica que o autor lamente], mas outorgou à mulher de que necessita para o melhor desempenho de seus nobilíssimos deveres, embora não lhe tenha outorgado a energia mental do homem. Se se quer que ela cumpra bem seus deveres maternais, é necessário que não possua cérebro masculino, caso contrário veríamos atrofiarem os órgãos maternos. A mulher deve ser, antes de tudo, mãe amorosa e abnegada, como exige a natureza. (...) A energia e as aspirações por novos horizontes, a fantasia e a ânsia por conhecimentos novos se serviriam apenas para fazer a mulher inquieta e transtornar seus deveres maternais. (...) Ademais, quanto mais se propaga a civilização, menos se procria.

Do ponto de vista do comportamento, seu instinto a torna parecida com as bestas. Característico disso é a sua falta de opinião, a faculdade para saber diferenciar por si mesma o bem e o mal, no que depende, para isso, de uma influência extrínseca. As mulheres são rígidas, conservadoras e odeiam a novidade, a não ser nos casos em que o novo lhes traga vantagem pessoal ou quando essa novidade agrada a um amante. A lei, portanto, deve considerar a deficiência mental fisiológica da mulher e não julgá-la como a um homem. A sua incapacidade para dominar as tempestades afetivas e a falta de sentido da equidade provam que é uma grande injustiça julgar ambos os sexos igualmente.

Sua moral é a moral do sentimento, ou seja, uma inconsciente retidão. Sua coragem deve servir para defender sua prole, pois exercer esse valor em outras ocasiões só a molesta. Justiça para elas é um conceito vazio e sem sentido.

Sem escrúpulos, pode-se afirmar que a natureza deu preferência ao homem e tem demonstrado querer formar dele um tipo mais perfeito pelo fato de fazê-lo se desenvolver mais tarde do que a mulher, predileção que é evidente na medida em que permite ao homem conservar as faculdades adquiriras até o fim de sua vida. (...) Sua ampla escravidão seria a causa de sua mente ter atrofiado.

Por isso, “[...] devemos esperar toda a saúde unicamente da sabedoria do homem, pelo menos até o ponto que a intervenção humana pode alcançar; isto é, que o homem deverá dizer clara e terminantemente à mulher que não quer saber nada de liberdade incondicional. E se o homem o faz seriamente, terminará de uma vez por todas o movimento feminista”. (Moebius) Sabemos que, não tanto tempo depois, idéias como as de Moebius se tornaram dominantes na Alemanha nazista, aquela do tipo K: Kirche, Kuche, Kinder.

Deficiente, inferior, incapaz, enferma: todos esses qualificativos associados à mulher não são o produto de um delírio individual, mas de um ratio masculinizante estruturante de uma antropologia e de uma cultura que concebe a mulher como um ser inacabado e imperfeito, naturalmente inferior ao homem e incapaz para a vida social e política.

*(Prof. do Departamento de Filosofia da UfSCar)

(...)




Bom, o texto continua falando das idéias sobre a incapacidade da mulher em Aristóteles, que foram as que mais prevaleceram, dentre as idéias “feministas” de outros filósofos, e que forneceram o referencial teórico para essa tendência misógina. Não consegui achar o texto na íntegra na internet, então resolvi parar por aqui para não ficar muito longo, mas acho que só as idéias desse Dr. Moebius já despertaram revolta em muita gente (espero!) e já dão bastante pano pra manga.

Resolvi não comentar para não estender o post ainda mais, vou deixar os comentários para a próxima semana!

E aí, o que vocês acham de tudo isso?!


Sigam! @omerengue


quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Não é para o time que torcemos, mas para QUEM torcemos.

Nunca tive paixão por time nenhum. Meu pai que teoricamente seria a pessoa a me envolver nesse tipo de paixão futebolística, nunca assistia a uma partida de futebol. Depois vieram os namorados e eu, com a mania tosca de me enlaçar no outro, acabava adotando os seus respectivos times. Já fui palmeirense a flamenguista, tudo para fazê-los feliz. Atualmente, o único garoto da minha vida é o meu filho, e é mais que esperado que eu escolha o seu time para chamar de meu. Mas é uma coisa tão superficial que se você me perguntasse quem joga nesse time, eu não saberia dizer sequer o nome de um jogador.

Meu filho joga profissionalmente e eu evito as partidas por motivos óbvios: Eu esqueceria que a criatura chutando as canelas do meu filho é apenas uma criança. A sua paixão por futebol, por seu time, me faz refletir sobre os jogadores. Afinal não torcemos por um time, mas por alguns homens, muitas vezes, oriundos de uma vida difícil e sem infra-estrutura psicológica. É sabido que o futebol é um esporte nascido no seio da periferia e seus operários estão pouco munidos de ginga moral - Não que isso seja determinante e uma verdade indissolúvel. Há os honestos, os ricos de bom caráter! Já pedi para não gastarem seus dedinhos dizendo que O Kaká ou o Lúcio são diferentes. Exceções existem e eu fico verdadeiramente feliz por isso.

Quando o meu filho vibra com sua bandeira e usa suas cores, esses jogadores engordam suas contas e o que fazer com um belo salário de 200 mil mensal para quem não fazia as refeições básicas diárias? Sobe à cabeça. Você não sabe onde enfiar a grana toda. E enfia em coisas que pareciam inalcançáveis, como sexo fácil, carros incríveis, drogas ou lazeres. Sempre digo que é fácil ser um bom caráter quando não há uma grana rebolando bem diante de você. E como é fácil ser fiel se ninguém repara nos seus dotes, além do seu parceiro. É fácil julgar as pessoas sobre seus erros se você nunca esteve aprisionado no mesmo cubículo.

E para quem torcemos? Para que homens com ginga no pé tenham mais grana para alimentar seus anseios outrora reprimidos. Filhos são feitos a esmo. Pensões são recebidas e o amor paterno negligenciado. Às vezes me pergunto se torcemos mesmo por um time ou para que ronaldinhas encham o mundo de novas crianças. E, nessa altura do campeonato, vocês devem achar que o caso Eliza foi que me inspirou a escrever esse texto. Nem tanto. Romário, Adriano, Wagner Love, Ronaldo e uns outros que não me recordo agora conseguem engrossar o caldo do que foi dito acima.

E que não se exima o mau-caratismo das Elizas da vida. Tampouco a monstruosidade do Bruno.

Neymar é a nova promessa das páginas policiais. Quem duvida?


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* E se o jogador muda de time, Zin? A gente torce é pelo time! - Me poupem de comentários assim!

quarta-feira, 28 de julho de 2010

Por que ENVELHECER é diferente para homens e mulheres?

Envelhecer é desesperador para boa parte das mulheres. Há seios para serem demolidos, lábios a serem escondidos e nádegas com a promessa de decadência. Enquanto boa parte dos homens fazem ar blasé para velhice. Eles ganham charmosos pés de galinha que, por vezes, só realçam sua experiência e vivacidade.

Vocês já pararam para observar uma mulher e um homem da mesma idade? No segundo que você observá-los vai achar quase sempre que o homem é mais novo. Outro dia, eu estava assistindo à propaganda do Toddy onde o garoto diz que vai passar 1 ano fora e a garota pergunta se ele vai ser fiel. JURO, eu JU-RO que na hora que vi a imagem dos dois pensei que ela fosse a mãe dele.

Os homens têm esse quê de liberdade, essa desimportância leve da velhice. Eles olham no espelho e mal reparam que há degradação aqui ou ali (Excetuando-se aqui a virilidade sexual, ok?). Claro que há percalços para o envelhecimento precoce e NOTÁVEL, um deles é o interior, a jovialidade. Comparo bem esse fato com minha mãe. Ela tem 60 anos e tem uma amiga de 50 anos. Minha mãe parece ser a filha dessa pessoa de 50 anos. Tudo porque minha mãe é sorridente, disposta, caminha todos os dias e não vive se lamentando.

Mas onde eu quero chegar com essa coisa? Os homens parecem mais jovens por que enxergam a velhice com desdém? Os homens parecem mais jovens por que lidam com os problemas de forma mais despreocupada que as mulheres? Ou seria por que já nascem livres, soltos, desde as vestimentas aos ímpetos sexuais?

Ou será que a maquiagem e os renews que jogamos na cara para disfarçar a coisa toda ressaltam a velhice? Não sei.

sábado, 24 de julho de 2010

Pais... Vai entendê-los!

Você está ficando velha...


Foi o comentário da Bel no post anterior "tinha um sentimento fraterno de pai/irmão por você. E daqueles que não querem aceitar q a filha/irmã transa." que me inspirou a escrever o post de hoje.
Quando somos adolescentes nossos pais, irmãos, tios, avós, primos e etc. se recusam a aceitar o FATO: nós crescemos e passamos a ter hormônios ativos, ou seja: passamos a nos interessar pelo sexo oposto [ou pelo mesmo sexo se você for homossexual] sentimental e fisicamente. Nos tornamos sexualmente ativas e isso os assusta MUITO. Eu tenho uma teoria do motivo: eles sabem que não prestam ou que quando tinham essa idade não prestavam e logo imaginam que os rapazes por quem nos interessamos e/ou que se interessam por nós, necessariamente, têm as mesmas más intenções. Eu nem tiro completamente a razão deles...

Mas é daí que vem a maioria dos problemas na vida das adolescentes: eles nos tratam como crianças na esperançosa ilusão de nos manter na mesma idade a que eles se acostumaram a nos ver. Só que o corpo não mente! Nos desenvolvemos fisicamente também. Aparecem as curvas. E tudo isso gera muita briga, muito choro e muitos argumentos, dos mais sensatos aos mais exdrúxulos de todas as partes [da garota, do pai e do namorado]. A mãe geralmente tenta aplacar a confusão, mediar a situação, argumentar de ambos os lados se mantendo meio em cima do muro. A garota fica com medo do pretendente desistir, pensado 'ela não vale tanto esforço'. Querendo eles ou não, é o curso natural da vida. É o que acontece com a maioria de nós. E aqui é importante frisar: maioria. Não todas!

Eu não passei por isso. Não é que eu não tive adolescência. Não é que eu não tive minhas paixonites. É que eu nunca apresentei ninguém em casa. Ou seja, meu pai nunca teve que lidar com isso diretamente... Assim como nenhum dos meus outros familiares.
Eu não fui criada para casar. Eu fui criada para ter sucesso acadêmico e profissional. Então relacionamentos amorosos sempre ficaram em 2º plano na minha vida. Não acho que isso tenha sido de todo mal, pois me deixou mais forte. Porém, também não foi de todo bem. Minhas amigas-irmãs bem sabem os perrengues que passei.

E é aí que entra o exemplo do filme 'Casamento Grego'. Logo no início do filme a protagonista [desculpem, esqueci o nome dela] está indo para o trabalho com o pai dentro do carro e ele olha para ela e diz: você está ficando velha... [para casar].
Pois é. Os pais tem dificuldade absurda em aceitar que somos tão humanas quanto as outras mulheres que conheceram [inclusive nossas mães], mas ao mesmo tempo querem que seu nome e seu sangue sejam perpetuados e para isso não tem outro jeito. Assim quando a filha está atingindo uma certa idade sem namorar, casar e ter uma penca de pirralhos, eles começam a nos questionar. Mais de uma vez o meu pai já me perguntou quando lhe darei netos. E a resposta?! 'Se quiser, adota. Porque não sei não, viu...'
Eu sempre fico brava quando ele pergunta e ele sempre fica bravo quando eu respondo. O que acontece é que eu não sei se tenho estrutura, tanto financeira quanto pisicológica, para assumir a responsabilidade de cuidar de uma criança totalmente dependente de mim. E realmente acredito que se todos parassem pra pensar nisso antes de ter filhos, o mundo seria um lugar bem melhor! Além disso, ainda me sinto tão jovem e com tantas coisas pra fazer antes... Principalmente me formar e viajar. Viajar muito e para o exterior, coisa que infelizmente ainda não tive oportunidade de fazer.

Se fosse só o meu pai, eu até estaria feliz. Só que uma prima minha já tem uma filha de 10 anos. A outra prima da mesma idade dela casou há 2 meses. Outro primo já está com tudo marcado para o ano que vem. Preciso dizer que agora todo mundo pergunta: 'E você, Cris?'? Eu? Reviro os olhos e desconverso. É incrível como esse assunto perturba e incomoda as pessoas! Por que a minha vida faz tanta diferença assim para eles?! Por que a nossa sociedade ainda se escandaliza tanto com uma mulher solteira e com ambições profissionais à frente de 'ser mãe'? Ser humana, na minha humilde opinião, vai muito além disso... Vai muito além de simplesmente seguir instintos.

É engraçado ver como as mesmas pessoas que até bem pouco tempo [eu considero 10 a 7 anos pouco tempo] nem sequer concebiam a idéia de que eu poderia namorar e tudo o mais que isso implica, agora não suportam a idéia de me ver bem e solteira. No mínimo pensam 'coitada'. O filme que eu citei mesmo mostra esse esteriótipo: antes de encontrar seu príncipe ela era feia, mal tratada, desengonçada, tímida e triste. Não me sinto assim!

Eu até posso vir a namorar formalmente, porém daí a juntar escovas e gerar decendentes, vai uma loooonga distância. Não me atrevo a afirmar categoricamente nem que sim e nem que não. A minha realidade atual é completamente diferente dos planos que fiz 10, 5 anos atrás... Então, quem sabe o que pode acontecer?!

Agora, pensemos de forma não tão egoísta: num mundo cheio de mazelas [principalmente fome] e mais de 6 bilhões de pessoas, será que é realmente sensato que todos, necessariamente, procriem?!
Será que já não crescemos e nos multiplicamos além do que a Terra tem capacidade de nos aguentar?!

De qualquer forma, eu já dei 2 netos aos meus pais e que já dão trabalho suficiente, rs:

 

Bom, meninas... Agora me vou que tenho um filme pra fazer ainda hoje. Depois comento como foi e se deu certo lá no meu blog.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Meu Melhor Amigo OU Sexo fode com tudo

Eu o conheci aos 15 anos, quando ele tinha a barriga cuidadosamente polida pela capoeira. Aos 16 anos de idade, ele acabara de chegar ao Nordeste e lutava para se acostumar ao úmido litoral quente. Tinha roupas de flanela que não eram mais adequadas no seu novo lar, mas insistia em pôr uma e outra enquanto borbulhava pelos poros de calor. Ele era misterioso e apaixonante, com uma falha certeira na sobrancelha. Escrevia, desenhava bem e conseguia me deixar furiosa instigada com suas discussões. Tudo começara quando discutíamos INDIVIDUALIDADE. Ele acreditava que existia, eu não. Mas depois de meses andando em círculos, descobrimos que ele falava do termo filosoficamente. Eu, sociologicamente. E, claro, não iríamos chegar em ponto nenhum.

Eu me apaixonei perdidamente, enquanto ele fazia sexo com uma de nossas colegas e galanteava todas as garotas da minha turma. Ia me buscar sempre depois das aulas para escrevermos, ou lermos o que cada um tinha escrito. Ele me mostrava seus desenhos e eu escondia meus sentimentos. Depois lhe mostrei o seio esquerdo numa de nossas bebedeiras adolescentes. Ele me ensinou muito cedo que os homens são covardes com as palavras. Por que ele nunca disse simplesmente "eu não vou te comer" ao invés de ficar ao meu lado todos os dias da minha adolescência torturante?

Nas férias, o ritmo de nos encontrarmos depois das aulas foi extinto. E eu decidi que precisava esquecê-lo. Foi aí que comecei o meu primeiro relacionamento fixo. Não tínhamos assunto, meu namorado escrevia mal, nem sabia desenhar. Não era fascinante, mas todas as minhas amigas babavam ao vê-lo. Ele chamava atenção e eu pensava em sexo quando estava com ele. Era bem legal. O meu amigo brasiliense veio falar comigo e eu quase pude notar a putez por trás daqueles olhos castanhos, dizendo: Que tipo de cara é esse que você está ficando?

Ao invés de 1. Ele me pedir para ficar com ele e largar o namorado ou 2. Me pedir em casamento, ele se afastou de mim. Aliás nesses 15 anos de amizade, já me acostumei a essa conduta. Se estou tendo uma vida sexualmente ativa ele me abandona. Só sou sua amiga quando estou frígida. É assim, foi assim. Quando engravidei não nos falávamos, quando estive com o namorado x, y ou z ele me ignorava. Nunca pude contar-lhe "Estou feliz, ando fazendo sexo quase todo dia", ele nunca esteve lá para ouvir.

Me mudei para sua cidade, Brasília, e ele continuou na minha. Depois de vários anos ele me reencontrou na internet, numa dessas redes sociais - E olha que de social ele não tem nada. Para relembrar os velhos tempos, ele me mostrou seu pau na webcam. Foi divertido, rimos. Éramos como Fred e Wilma, Popeye e Olívia, mas sem sexo. Ele veio a Brasília logo a seguir, circulamos pela cidade sem ter para onde ir. Eu dirigia e o observava, ele tinha agora uma protuberante barriga de cerveja e usava roupas mais adequadas. Estávamos bem próximo dos 30 anos, mas continuávamos afiados em nossa cumplicidade.

Há meses atrás fui à sua cidade, quer dizer, à MINHA cidade - Ele que está enfiada nela e eu na dele. E bebemos, conversamos, brigamos, andamos, lemos, escrevemos e eu tive vontade, com os olhos lacrimejantes, de dizer "Eu te amo, você sabe, não é?". Mas tudo que fiz foi acenar antes de fechar o portão. Toda vez que penso nele, eu quase choro, mas aí lembro de rir. Quase dou uma gargalhada ao lembrar de suas provocações. De como critica sempre meus sapatos: Por que você não pode usar sapatos normais como as pessoas normais? Ou se apareço chorosa por algum fato dolorosamente doloroso, lá está ele dando seu apoio morTal: Porra, eu acho é pouco. Quem mandou (insira aqui algo que eu fiz)? ou, ainda, Você é macho ou não é? Engole o choro, porra! Reviro os olhos e ele abre a boca para mostrar os seus dentes perfeitos. A gente ri e tudo parece pateticamente patético.

Nesses últimos anos ele desenvolveu o péssimo hábito de dar em cima de mim todos os dias da sua vida, somente para ver as minhas faces rubras e as mãos inquietantes. Ainda comenta comigo sobre a bunda ou seios das minhas amigas. E quando eu reclamo, ele diz "Também adoro seus seios, mas você não me deixa pôr as mãos, o que adianta?". Vamos fazer nossa primeira viagem juntos nos nossos 30 e 31 anos. E eu estou verdadeiramente feliz com essa possibilidade.

O fato de amá-lo há 15 anos é tão somente porque nunca fizemos sexo. Trepar com ele foderia a nossa amizade (por mais que essa frase seja de uma contradição galopante).





* Mandem-me cartinhas: zingara@corporativismofeminino.com
* Texto era para ser publicado no dia dos amigos (último dia 20), mas é férias do meu filho e eu estive viajando.

domingo, 18 de julho de 2010

Erva Venenosa

Erva venenosa, ê ê ê
Erva venenosa, ê ê ê
É pior do que cobra cascavel
O seu veneno é cruel, el el el...


Eu recomendaria ouvir esta música da Rita Lee enquanto lê.

Bem, é até difícil pra mim falar sobre isso. Eu costumo observar muito uma pessoa antes de julgar, por anos até. Observo as atitudes, o que a pessoa diz, o jeito e etc... Mas sabe quanto chega aquele dia, aquela atitude ou fala "x" da pessoa que é a gota d'água?! Então...

Algumas pessoas conseguem disfarçar muito bem sua inveja travestida de preocupação genuína. E a linha é mais tênue do que agente pensa. Não to falando aqui daquela inveja "boa". Por exemplo:

* sua prima comprou um vestido lindo e você pergunta a ela onde ela comprou, pois gostaria de ter um igual ou parecido.


é completamente diferente de

* sua prima comprou um vestido lindo e como não pode comprar um igual [seja porque não tem mais ou porque é muito caro] você começa a avacalhar: diz que é feio, vulgar, o material não presta, não fica bem nela, deve ser falsificado.. Diz pra todos que ela é uma metida a besta idiota, que faz questão de ostentar luxo... Se ela vai com o vestido numa festa você taca vinho nele 'sem querer', ou pisa na ponta 'sem querer' para que ele rasgue... etc... etc... etc...



o que também é completamente diferente de

* você mata a sua amiga pra ficar com o vestido dela

Nesse texto estou falando do 2º caso.

Nos últimos 6 anos ando me sentindo bastante azarada. Não sou religiosa e nem supersticiosa, mas já pensei seriamente em me benzer e em tomar banho de sal grosso, porque de fato coisas muito estranhas e absurdas me aconteceram nestes 6 anos. Eu sempre fui uma espécie de imã para malucos, esquisitos, pisicopatas e toda a sorte de gente dissimulada. Não que todas as pessoas que eu conheço sejam assim, mas já não me surpreendo tanto quando me decepciono com alguém, quando alguma máscara cai ou simplesmente o que eu já desconfiava se confirma.

Agora começo a desconfiar que talvez, na verdade, a causa desse meu azar exagerado seja o tal do 'olho gordo'. Embora não seja nem religiosa e nem supersticiosa, eu acredito em Força, em energia... Então, eu acredito que, sim, temos que tomar cuidado com energias negativas que possam nos mandar. Mas eu acredito que essas coisas só 'peguem' na gente quando nos deixamos influenciar por elas: ou seja, quando damos atenção e acreditamos no que essas pessoas invejosas dizem.

Vou usar meu próprio exemplo: ontem recebi 2 ótimas notícias. Tava feliz pra burro. Na hora 2 amigas estavam on line no msn, então claro que fui contar... Uma delas eu sei que é AMIGA mesmo, boto a mão no fogo... a outra, pelo visto, é "amiga".
A AMIGA me aconselhou a ter cuidado. Ok, concordo... cautela nunca é demais.
Já o discurso da "amiga" foi: você está sendo burra. Vai cair nessa?! É cilada. Se toca NÃO vai dar certo, NÃO tem como dar certo!

Mas... HEIN?! WHAT?!
A pessoa nem sabe qual é o quadro todo e já sai julgando e rogando praga e depois, na maior cara de pau, ainda te diz que "to falando isso pro seu bem! To preocupada..."
Aham... sei.
Sempre que estou mal, chateada, apática, sem nada de bom pra contar a dita cuja da "amiga" sempre aparece feliz e com alguma coisa pra contar [geralmente boa pra ela]. E meu mal humor, estranhamente, parece diverti-la e ela concorda com tudo.

Sempre que eu estou feliz o discurso é esse:
"Cuidado! Isso vai dar merda."
"Se eu fosse você não faria isso."
"Tem certeza que vai viajar? Olha que o avião pode cair... Reparou em quantos acidentes tem tido ultimamente?"
"Ah, pra que gastar dinheiro nesse curso? É muito difícil conseguir emprego nessa área..."
"Isso NÃO VAI DAR CERTO!"
É de desconfiar, não é?!

Deixa eu ver se eu entendi: se você está feliz... ok! Como sua amiga tenho obrigação de ficar feliz por você também. Agora, se EU estou feliz, vai dar tudo errado. Sempre?!
Esse é o tipo de gente que ando afastando da minha vida. Que não quero mais perto de mim... Não tem nada que preste pra dizer?! Fecha a boca! Que em boca calada não entra mosquito.

O mais bizarro é que esse tipo de gente quer justamente que eu deixe de confiar nas pessoas de um modo geral. Já caí nessa uma vez por causa de um trauma. Não vou cair de novo. Existem pessoas e pessoas, as boas e as más, sejam homens ou sejam mulheres. Então... sinto muito querida, dessa vez seu tiro saiu pela culatra...

Outro exemplo é uma outra pessoa que vivia criticando meus hábitos nerds, principalmente com relação a dinheiro.
Eu tinha / tenho o costume de gastar principalmente em cinema / viagens / CDs e DVDs / livros / colecionáveis / cosplays / eventos... E tava feliz assim, obrigada!
E essa pessoa sempre me dizendo que eu era muito desleixada, devia me cuidar melhor, me vestir melhor e etc...
De uns tempos pra cá eu comecei a gastar mais mesmo com cosméticos, roupas e sapatos. Não por pressão... pois essa pessoa até já tinha desistido a essa altura... E eu nem sequer deixei meus hábitos antigos de lado ou deixei de ser eu mesma. Mas é só porque minhas necessidades mudaram mesmo... . Aliás, muita coisa mudou na minha vida desde que passei por várias experiências ruins. É difícil de explicar e nem vale a pena.
Mas... Adivinha?!
Agora essa mesma pessoa me chama de consumista e fútil.
Mas... HEIN?! WHAT?!
Dá pra resolver?! Entrar num acordo?! Ou bem eu sou desleixada ou bem eu sou consumista!!!

Enfim... detesto gente assim. Gente para quem, como diz na música, "a felicidade alheia incomoda". Gente que com o tempo nem mesmo consegue mais disfarçar o fato que não suporta te ver bem. Se estiver melhor que ela, então...
Além de tudo, a(o) invejosa(o) se acha mais esperto que todo mundo! Então sempre faz aquela pose de quem sabe o que está dizendo e o que é melhor para você!
Mas o pior de tudo é que existem invejosos e invejosos! Alguns podem ser realmente perigosos!!!

E vocês meninas, já tiveram a infelicidade de topar com criaturas dessa espécie pelo caminho?!

P.S.: coloquei esse vídeio porque foi o melhorzinho que achei como essa música. E embora eu não tenha visto quase nada dessa novela, combina perfelitamente com a Flora LOL

domingo, 11 de julho de 2010

Para evitar a fadiga...

Ah, a preguiça.



O que não fazemos para evitar a fadiga, não é mesmo?

Não sei se isso já virou doença, aliás, morro de inveja de pessoas saltitantes que fazem mil coisas ao mesmo tempo, enquanto eu estou aqui, nessa moleza eterna.

Meu professor de cursinho falou uma vez que um americano tinha feito um estudo, sério, sobre o motivo pelo qual os brasileiros são tão preguiçosos e chegou a uma conclusão: No Brasil existem muitas redes.

Sim, redes.

Resolvi fazer uma análise interna dos motivos da MINHA preguiça. E, só para variar um pouco, vou enumerá-los e descrevê-los.

A cama



Ô delícia cremosa que é a nossa cama. Pode nem ser a melhor cama do mundo, mas é NOSSA. Eu lembro de quando estava na escola, chegava lá pelo meio dia em casa, olhava para minha cama, ela olhava pra mim, e simplesmente, me abraçava. E lá eu passava boas três horas enrolando para não estudar. Rola para um lado, rola para o outro, colocava uma música...
Minha cama e a possibilidade de passar a vida deitada nela são motivos vibrantes da minha preguiça diária.

O calor




Eu não sei vocês, mas eu sou uma pessoa que passa ridiculamente mal no calor. Enjoo, canseira, dor de cabeça, pressão baixa... Então, só esses motivos fisiológicos já me fazem preferir ficar em casa, na sombrinha, tomando água de coco e vendo TV. Ai, aquele povo suando, você suando, todo mundo suado, a cabeça tostando... Acabando sem conseguir comer por estar enjoado de tanto calor e depois desmaia, porque não comeu. Uma beleza! Argh!


O frio



Amo o frio! Ele não me faz passar mal e as pessoas ficam mais bonitas ou, sei lá, as pessoas feias ficam mais cobertas. Mas que não dá vontade de sair das cobertas, não dá! O frio é uma época carente do ano. Do tipo carência sem esforço, você quer ficar abraçadinho com alguém debaixo das cobertas, mas você, obviamente, quer que o alguém venha até você, te esquentar.


Ah, pega pra mim



Os clássicos que começam com “Manhêêê”. Aquela preguiça básica de fazer aquilo que outra pessoa poderia fazer por você. Você está do lado do controle remoto, mas por preguiça algum motivo, ele parece inalcançável. Você olha para ele, ele olha para você e então, sabiamente, você começa a mentalizar o controle vindo na sua direção e fica esperando. O controle não vem. O que fazer? “Manhê, pega o controle pra mim!”.

Bom, preguiça não é preguiça se tiver um bom motivo. Eu tenho vários bons motivos para justificar minha preguiça. Inclusive, meu corpo já se acostumou e me ajuda. Como? Quando eu despejo todos os meus livros na mesa e sento para estudar, 2 minutos depois minha cabeça começa a doer e eu fico enjoada. Conclusão? Tenho que descansar.

- Tô com a rinite atacada, não posso abrir a geladeira pra pegar Coca.
- Acabei de fazer a unha, não posso lavar a louça.
- Não vou atender o telefone, é pra você.

E vocês, são preguiçosos de carteirinha ou só de vez em sempre?

Por aqui também:

@omerengue


OMerengue




quinta-feira, 8 de julho de 2010

Quanto Tempo Dura o Luto?


Bem, eu sei que é um tema pesado para começar meus textos no CF, mas é o que está em minha mente no momento.

Eu tenho um jeito bem peculiar de lidar com a morte e por isso, muitas vezes, as pessoas erroneamente me julgam fria. Não é isso. Geralmente prefiro o silêncio a chorar ou até mesmo a conversar. Não há muito o que se dizer nessas horas e há sentimentos que não podem ser traduzidos em palavras. Também não gosto de velórios; acho desagradável e estranho expor a pessoa dessa forma.

Meu modo de lidar com o luto depende principalmente das circunstâncias da morte.
Um acidente, uma imprudência de alguém  e/ou de qualquer outra forma inesperada - especialmente se a pessoa for saudável e jovem demais para morrer -, simplesmente me deixa inconformada pelo resto da vida! Para citar 2 exemplos famosos [afim de facilitar a compreenssão]: eu nunca aceitei o que aconteceu a Ayrton Senna e Lady Di. Ao ponto que nunca mais assisti uma corrida de F1 [eu era fissurada] e tenho verdadeiro ASCO a paparazzi. Não os considero como 'colegas de profissão' e terminantemente me recuso a ter qualquer tipo de contato.

Porém, quando trata-se de uma morte que já poderia ser esperada, para a qual meu espírito já vinha sendo preparado há algum tempo, eu tenho facilidade em aceitar. Por exemplo, quando a pessoa já está internada com doença grave há muito tempo. Nestes casos minha tendência é de aceitar e me conformar rapidamente.
Explico: não é que eu não sentirei saudades da pessoa e que não me entristecerei ao saber que nunca mais nos veremos e nem conversaremos, mas acho que seria um enorme egoísmo querer prolongar o sofrimento de alguém para que nós não soframos. Assim, quando alguém neste estado falece, de certa forma é aliviante, pois sei que a pessoa poderá finalmente descansar em paz.
Eu não sei - e no fundo ninguém sabe, só imaginam e especulam - o que acontece depois, mas creio que seja melhor do que passar a vida preso a uma cama, sentindo dores horríveis e/ou vegetando.

Nsses casos, as pessoas estranham meu comportamento, pois meu humor muda pouco, exceto por ficar mais calada. Porém, os sinais da minha dor e tristeza estão lá, para quem souber percebê-los.
Quando meu avô faleceu, há 1 ano e meio, durante o velório fiquei andando do lado de fora, meio perdida, até que meu primo chegou e me abraçou e ficamos assim por algum tempo. Foi o suficiente para me acalmar. Sem a necessidade de dizer palavra alguma. Nos dias que se seguiram eu não falei sobre o meu avô e muito menos sua doença, embora as pessoas insistissem. Depois, com o tempo, aos poucos voltei a falar dele, apenas das boas lembraças, sempre com alegria... Pois é assim que gosto de lembrar das pessoas queridas, não com tristeza e a amargura.

O grande problema, entretanto, é que eu não sei lidar com o luto alheio. Nos últimos anos muitas pessoas faleceram entre parentes, parentes de amigos e famosos. E eu nunca sei o que fazer, o que dizer, como reagir. Pois cada pessoa tem seu próprio jeito de lidar com isso e seu próprio tempo de luto. Depende muito também, é claro, do grau de proximidade e do tamanho da consideração e admiração que se tinha pela pessoa. E como sou constantemente vítima de más interpretações é comum que as pessoas  enxerguem a minha aceitação como indiferença. O que acontece é que, além dos motivos já citados, acho que não devemos parar nossa vida, estacioná-la, por conta do luto. Tenho certeza que se a pessoa em questão nos queria bem não iria gostar de ver-nos assim. O melhor que podemos fazer por nossos entes queridos é continuar sendo nós mesmos e nos lembrarmos deles com carinho e um pouco de nostalgia.

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No post anterior esqueci de dizer algumas coisinhas: a primeira é que não estranhem se eu citar trecho de filmes, livros e músicas para ilustrar o que estou querendo dizer. Faço isso com frequência.

A outra coisa é que também tenho um blog pessoal: http://pereus.blogspot.com/ onde eu falo sobre as coisas que gosto.

E, por fim, meu e-mail do CF é: cris@corporativismofeminino.com

Até a próxima...

domingo, 4 de julho de 2010

TEXTO DA LEITORA: O dia em que eu concordei.

Eu sei que vai parecer um depoimento com voz de ganso no Linha Direta. Mas pra mim, é mais trágico ainda.

Pouco mais de um ano de namoro a minha menstruação atrasou (logo quando a gente estava brigado, pra terminar). Sempre demorava mesmo, por volta de uma semana. Resolvi esperar mais uma semana. Passado esse tempo, eu fui ficando muito nervosa e preferi fazer logo o exame de sangue pra conferir. Fui pra cidade do meu namorado e fomos fazer o exame, bem cedo. Eu fiquei muito nervosa, tremia de medo. O resultado ficava pronto só daí 2 horas. Duas horas de surto, o resultado ficou pronto. Pegamos o exame e tinha um POSITIVO naquele papel. Eu comecei a chorar e ele a falar que precisava falar sério comigo.Eu não sei o que eu esperava dele, mas sei o que eu não esperava. "Você vai tirar essa coisa, eu não quero ser pai". Na hora eu me desesperei tanto que só conseguia chorar. Eu chorava soluçando e ele falando que ia procurar uma clínica pra tirar, que gastaria o dinheiro que fosse mas que ele não teria essa 'coisa'. Pulo essa parte porque ele repetiu a mesma coisa o resto do fim de semana. Me levando pra rodoviária, ele terminou comigo dizendo que não queria essa responsabilidade.

Assim que cheguei em casa, contei pros meus pais que sempre foram muito compreensivos. Depois do choro e choque, meu pai me apoiou em tudo e minha mãe só dizia que eu precisava me casar. Mal sabiam eles que eu já era uma mãe solteira.

Os dias foram passando e eu surtando, não conseguia trabalhar nem comer direito. Minha mãe estava fazendo dos meus dias um inferno, me deixava muito mal, e o 'namorado' ficava falando sobre as pesquisas sobre aborto e falando que jamais ia ficar comigo porque não me suportava, que não queria ter que passar o resto da vida com aquele vínculo comigo. Eu dizendo que não ia tirar, mas a pressão da minha mãe me fazia refletir sobre. Passaram duas semanas nessa loucura e eu pensando muito em que futuro eu daria pra essa criança que não pediu pra nascer: aos 21 anos, mãe solteira, sustentada pelos pais, estou no meu 4o ano de faculdade e não tenho emprego, só estágio. Eu achei que não seria capaz de enfrentar isso sozinha. Fui fraca e acabei concordando em tirar, com a condição de que depois disso, o 'namorado' me deixasse em paz.Ele pesquisou na Internet, pediu Cytotec e modo de uso, tudo saiu muito caro mas ele disse ter valido cada centavo. Ingerir e introduzir. Feito. Diarréia, dores no corpo, febre e o pior, dor na consciência. Começou a sangrar. Fui ao banheiro trocar de absorvente e caiu uma borra de sangue no chão, era o meu feto. Eu posso viver 100 anos que aquela cena eu nunca vou esquecer.

Voltei pra minha cidade sangrando, não imaginei que seria tão forte assim. Ao chegar em casa, fui ao banheiro e minha placenta desceu perna abaixo. Eu me assustei e gritei. Minha mãe correu comigo ao hospital. Exames e toques. "o que aconteceu com você, acontece com muitas mulheres, má formação no feto causa a própria expulsão, fique tranquila que você ainda terá muitos filhos".

Passei a noite tomando soro e fui pra casa. Nenhuma ligação do 'namorado'. Passados dois dias, tive outra hemorragia, corri pro hospital e o médico disse que precisava de uma curetagem, tinha ficado um pedaço da placenta que não queria se soltar sozinho. Eu tomei anestesia geral, mesa de cirurgia e pânico. Quando tudo acabou, eu só conseguia chorar. O 'namorado' não veio me ver até hoje. Isso tem pouco mais de dois meses e ele me pede pra voltar. Eu não consigo perdoar ele, nem a mim. Sonho com morte e criança sempre. Não consigo ver uma criança na rua e não remeter a cena do meu feto.

E eu só escrevi porque eu precisava falar com alguém, mesmo que só falar. Não façam o que eu fiz.

Paola.






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quarta-feira, 30 de junho de 2010

Chiliques Femininos???

Há muitos argumentos que me fazem acreditar que os homens vieram ao mundo a passeio. Mas dois deles, além do desprendimento emocional, notável, com suas crias, são o fato de estarem livres da TPM e não sentirem enjoos na gravidez. Claro que a gestação (e seus percalços) é mais grave - Aliás, permitam-me uma entrelinha: Sempre achei muito apropriado chamar 9 meses gerando um ser humano de GRAVIdez. Pois é grave, muito grave e gravitacional até. Mas Gisele, a Bündchen, talvez não saiba disso. Pois saiu ilesa e magrinha da grave gravidez. E um cem números de outras mulheres também saem ilesas de enjoos, assim como da TPM.

Nada é mais ridicularizado e negligenciado ou chamado de "chilique" que a TPM e os enjoos intempestivos numa gravidez. Há comprovadamente mulheres que não sofrem ou sofrem moderadamente com a TPM ou aquelas que parem 10 filhos e não sabem o que é enjoar com o cheiro do vento. Queria ser um delas, queria dizer num tweet "TPM é frescura, é muleta, é fantasia, é chantagem, é desculpa". Ah, como queria! E também queria dizer que mulheres grávidas enjoam porque querem atenção, estão sensíveis. Elas simplesmente querem vomitar.


Não fui abençoada. Não fiz ar blasé nos primeiros meses de gravidez, vendo a barriga esticar-se rapidamente. Vivi os meses mais desgrenhados da minha vida. Numa das primeiras semanas de gravidez perdi 5kgs sem esforço, bastava sentir o couro da minha bolsa ou o cheiro da pasta dental do pai do meu filho. Era isso e horas no banheiro. Foi aí que eu percebi que não era frescura. Os enjoos não eram frescura. Aquela publicidade que os homens faziam, junto com as mulheres que nunca haviam engravidado ou aquelas que foram abençoadas, era enganosa. Queria que eles sentissem o que eu sentia: O desejo de vomitar o que já se tinha vomitado. A vontade de expulsar tudo pela garganta, inclusive os órgãos vitais. O descontrole na goela, como se ela não tivesse dono.

Mas, não, sou obrigada a ler que mulheres grávidas estão carentes emocionalmente por isso inventam desejos e assombros. "Elas vomitam, desejosas por uma ceninha". Sinceramente, não há nada de cênico em fazer o papel de Regan em "O Exorcista", não mesmo. Enjoo existe, é real. E já rogando a praga "saudável" de quem está de TPM: Tomara que engravide e enjoe até com o cheiro da sua própria pele. Humpf. Mas me recompondo: Enjoos na gravidez não é chilique!

Deixando esse papo de bílis, vamos para a coisa vermelha. Quer dizer, não agora, já que vamos falar da sua árdua espera. É engraçado isso de TPM porque você torce para que um sangue desça logo, antes que você perca a dignidade ou o parceiro. Mas ela não vem. No meu caso, os seios ficam gigantes, a calça não abotoa direito e a minha pele fica oleosa. A franja não fica no lugar estipulado. As coisas não dão certo, aliás, no meu caso, não dão certo nem antes, nem depois da TPM. Mas isso é conversa pra outro post.




Na TPM algumas atacam o chocolate, outras aproveitam o momento para dizer verdades ao parceiro e culpar o seu estado periclitante à espera da menstruação. Outras apenas dizem coisas, sem saber o que estão realmente dizendo. Se há algo que os homens acreditam piamente é que nos valemos da famigerada TPM e que a usamos como escudo. Se você tem TPM, saberá que é mais forte que você. Se não tem, achará que é papo de gente dissimulada. Quantos unfollows eu já dei no twitter em meninas que diziam "TPM é coisa de mulher fraca e fingida"? Muitos. Acho um desrespeito a todas nós que já tosamos a franja na frente do espelho do banheiro nesses dias de guerra. É sério. É dolorido, caríssimos desalmados!

Mas, ok, preciso confessar algo que talvez traia o movimento das mulheres descabeladas com a TPM - E entendo se me derem unfollow: Agora, sem macho por perto para assistir minha encenação, eu já não sinto aquele desejo sombrio por chocolate de madrugada. Pois nem fudendo vou tirar o carro da garagem para ir a um supermercado 24 horas atrás da porra de um chocolate. E outra, convenhamos, chocolate engorda que é uma beleza.







* Eu sei que o seu pai é um homem admirável e estou sendo arbitrária em qualificar os homens como péssimos pais. Mas se você for inteligente, vai saber que isso é um ponto de vista. Não a verdade sacramentada. E que estou ciente que existem exceções - Isso eu aprendi numa das minhas primeiras aulas quando a professora disse que o "h" não tinha som.
* Alguns homens são muito sérios. Responsáveis, bem mais do que um zilhão de mulheres. Obrigada pelo esclarecimento.

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