sábado, 21 de agosto de 2010

As Verdades Sobre a Política no Brasil

Bom, vou pegar carona no post da Heleninha, tanto por ser um assunto pertinente quanto pra aproveitar que o FN postou vídeo novo hoje.

Eu sempre gostei de política. Sou Mesária e confesso que tenho um certo orgulho disso.
Uma coisa que me intriga e me revolta há um certo tempo é ter reparado que a maioria - se não todos - dos sites intitulados ou categorizados como "femininos" nunca falam de política seriamente. O mesmo - e até pior - para as revistas "femininas". Façam uma pesquisa e comprovem por si mesmas... E eu fico me perguntando por quê?
Dêem uma olhada - só pra citar 1 exemplo - no site Papo de Homem. Tem diversos tópicos sobre o assunto.

E por que esses disparates acontecem? Porque embora um pequeno grupo de mulheres tenha lutado pelos direitos iguais, inclusive na política, a grande maioria das mulheres seguiu acreditando em máximas ridículas como "política é assunto de homem". Mesmo aquelas que são ou se dizem modernas e independentes.

Várias dessas revistas ditas "femininas" se auto-intitulam como "a revista da mulher moderna", mas só falam de estética, saúde e moda... Ah, claro... e sobre sexo e filhos!
Um exemplo desse pensamento grotesco é o filme "Como Perder Um Homem em Dez Dias". A diretora da revista promete a Andy que se ela fizer a matéria poderá publicar o que quiser na revista. Quando ela entrega a matéria e pergunta se pode falar sobre política externa e atualidades a resposta é um sonoro NÃO!
É esse tipo de revista que contribue para que as mulheres continuem sendo alienadas e fúteis. E é um ciclo vicioso... Porque começa com as meninas que lêem as famosas revistinhas "teen" e depois dos 18 migram para as revistas "femininas", que teoricamente são revistas para "mulheres adultas", mas continuam falando basicamente dos mesmos assuntos, apenas com outro tom, outra abordagem. Não estou dizendo que todas que as lêem são alienadas... mas boa parte, sim.

Vocês que frequentam o CF realmente acreditam que ser mulher moderna é andar na moda, ter corpão, chegar ao orgamos de mil maneiras diferentes e ter uma penca de pirralhos na barra da saia?
Desculpem minha revolta, mas eu vejo um horizonte muito maior para mim!

Lutamos tanto para ter direitos iguais e quando os temos não usufruímos. Nem mesmo na maravilhosa cidade de Atenas da Grécia Antiga - berço da democracia -, mesmo sendo a deusa Atena a sua protetora - a deusa da sabedoria e da guerra estratégica - as mulheres não podiam votar.
Para votar em Atenas - se bem me lembro - era necessário ser maior de 25 anos, homem, cidadão ateniense - não podia ser nem escravo e nem 'estrangeiro', ou seja, de outra cidade-estado - e se não me engano tinha uma renda mínima também. Ou seja, apesar de 'democrática', a cidade aceitava votos apenas da elite masculina.
Por que estou dizendo tudo isso? Para que todos vejam que estamos no auge da democracia! Nossos ancestrais talvez tivessem inveja de nós e também muita raiva... raiva porque mesmo com toda essa liberdade e poder em mãos, só fazemos m*rda - com perdão da palavra! Não sabemos usar bem o que eles conquistaram para nós! Não damos o devido valor!!!

Enquanto rimos desses palhaços que aparecem fazendo graça no horário eleitoral - como Tiririca e Mulher Melão - aqueles que realmente já sabem que vão ganhar as eleições riem também... Mas riem de nós, porque a distração estratégicamente elaborada está funcionando. Equanto rimos da Mulher Melão não damos atenção ao que os corruptos [eleitos e reeleitos infinitamente] estão fazendo com nosso dinheiro [política interna] e até mesmo em nosso nome [política externa].

Por isso vou colocar aqui o mais novo vídeo do Felipe Neto, postado agora há pouco no YouTube, onde ele fala de políticos. Achei simplesmente perfeito! A única coisa que eu discordo é em relação aos 4 candidatos. Eu já tenho 1 e acredito nele, mas esse post não é pra fazer propaganda gratuita de ninguém.

Ah... pra quem não conhece o FN não se assustar, aviso: o vídeo é recheado de palavrões... mas também expõe a verdade nua e crua! Lá vai...



Proponho aqui uma campanha: Política também é COISA DE MULHER, sim!!!

Mas quero esclarecer uma coisa: ser a favor das mulheres discutirem e entenderem de política nada tem a ver com votar em mulheres apenas porque são mulheres. Isso é uma distorção do feminismo. Resolvi escrever isso porque ouvi tal pérola há pouco tempo. Me perguntaram porque eu não queria votar numa candidata se sou mulher.
Não me interessa se é mulher ou homem: o importante é ter capacidade administrativa e caráter para cuidar do nosso estado e do nosso país. O que interessa é a pessoa, quem ela ou ele é!
Ser uma mulher que entende de política significa acompanhar os acontecimentos nacionais e internacionais, estar atualizada, saber quem é seu candidato e ter consciência e discernimento quando estiver apertando o botãozinho verde na urna eletrônica!

Se quiser me escrever, já sabem: cris@corporativismofeminino.com
Se quiser me seguir no Twitter: @CrisSoleitao

Bjos,
FUI!

E não esqueçam de pensar BEM em tudo isso antes de votar ;D

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Eleições... só se for de humor

Odeio eleições, e esse ano TÁ FODA, To pensando seriamente em anular meu voto pra presidente. O mundo que me desculpe mas me recuso a passar mais 4 anos com PT, e votar no Serra também é triste...
E enfim, toda eleição tem humor né, vamos aos fatos:
1) Professor Galdino, 45021
Quem mora em Curitiba já se deparou com este SER saltitando na rua XV com um MEGAFONE, cercado de alunos da UFPR, cantando este grude:

sim, a idéia é se eleger fazendo o mundo decorar o número dele por osmose.

2) Tiririca, 2222

Enfim, esta merda de vídeo fala por si só...

3) Netinho no Senado, no maior astral. E avisa o Suplicy que tem palanque à vontade... quatro minutos de muito suingue, vale ver e rir até o fim.


4) Mulher Melão, deputada estadual. SIM, VOCÊS LERAM CERTO.

Vou sair do Brasil, tá bizarro.

Divirtam-se, e enfim, votem em coisas melhores do que isso, POR FAVOR!

twitter: jules_at_play

e-mail: heleninha@corporativismofeminino.com

terça-feira, 17 de agosto de 2010

O "Macho" da Relação

Eu puxo a cadeira. Abro a porta do carro, ansiosa. Eu o tiro para dançar e conduzo os passos... E, Deus, tenho que me controlar para não rodopiá-lo no ar. Eu levo todas nossas compras e esqueço que ele poderia me ajudar. Decido onde vamos e quando vamos. E quando há alguma opinião a ser dada, minha voz o inibe de mencionar qualquer palavra. Não quero carinhos depois do sexo, apenas adormecer para o amanhã.

É assim, foi assim. Descubro que eu sou o homem da relação. Obviamente que nesse atual mundão de Deus qualificar o que é "atitude de homem" e "atitude de mulher" é temerário e beira a arbitrariedade. Mas o homem deveria ser o protetor, o que conduz, o que planeja por, teoricamente, a mulher já possuir tantas preocupações extras. Ele deveria ser o ATIVO, assim como é na cama. A mulher deveria ter o seu tirado da reta - Uma vez na vida, que seja! Mas não é o que acontece, ao menos comigo!

Numa relação mal posso respirar, por ter que dirigir todos os capítulos e, ainda, atuar neles. Escolher os figurinos, levar comida ao elenco e, ainda, decorar o cenário. Eu o levo ao novo restaurante e lhe faço surpresas. E é tão cansativo ser tão ativa assim.

Sou mulher e hetero. Teoricamente, eu deveria ser A Passiva. Mas sou tão ativa que vejo os olhos marejados dele, receoso de que seja bolinado durante à noite. Preciso de alguém que cuide da porra das minhas coisas. E como REALIDADE está enfiada entre as minhas pernas como um O.B. GG, sei bem que é quase impossível alguém com atributos ATIVOS sendo homem. Se eu quiser amar outra vez, que eu esteja preparada para ser a empregadinha de alguém. Deus (quantas vezes eu disse seu nome em vão aqui?), quero ser mulherzinha. Quero ser frágil. O sexo frágil. A fragilidade. A passiva. Ficar lá, levando. Só levando. Passivona (Leia isso com voz de biba).



Você já se sentiu O Macho da relação também?

segunda-feira, 16 de agosto de 2010

TEXTO DA LEITORA: Deixa que EU dirijo!

No auge da minha indignação eu venho aqui concretizar a minha teoria: " Por trás de uma mulher barbeira, há sempre um pai que grita!". Nós mulheres somos crucificadas com a famosa frase " Mulher no volante, perigo constante.", somos taxadas de barbeiras e paramos o trânsito não por nossa beleza, mas pela nossa falta de capacidade ao volante! Francamente!

Não é a primeira vez que eu ouço histórias de mulheres que dirigiam mal na frente do pai. Perto da mãe, junto das amigas era tudo flores, mas quando a figura paterna entrava e se assentava no banco do passageiro, com aquele olhar de "você vai errar", era batata! A pobre coitada assassinava o Código de Trânsito Brasileiro, furava o semáforo, subia na guia, deixava o carro morrer, quase batia o carro, entre outras catástrofes que só acontecem, eu disse só acontecem quando estamos dirigindo na companhia de nosso querido pai.

Minha professora de CFC contou que pra piorar a situação o pai dela era instrutor de trânsito, e que quando estava sem ele, ela até que dirigia bem, mas quando o pai entrava no carro, ela cometia barberagens homéricas, como quase entrar dentro de uma agência bancária com o carro! Quando eu ouvia essas histórias, eu até pensava que poderia ser generalização, e eu detesto generalização. Quando comecei a dirigir, meu pai foi muito paciente. Não tinha do que me queixar. Hoje eu percebi que não é lenda urbana, é a mais pura verdade!

Eu tenho carta de motorista, aliás, permissão para dirigir há dois meses e nunca fiz grandes barberagens. Sempre tive cautela, nunca subi numa guia, nem sai cantando pneu no meio da rua. Hoje eu fui com o meu pai buscar o meu irmão, e a cara de "poucos amigos" que o meu fez quando pedi pra ir dirigindo já me deu uma prévia do que aconteceria. Fui conversando com ele, tentando quebrar o gelo, mas ele era irredutível, parecia um instrutor careta e velho ensinando uma patricinha desligada a dirigir. Me falava de tudo que eu tinha que fazer, coisas que eu já sabia, mas ele enfatizava e sua voz soava um grande desconforto.

Daí só pra pior. Gritou comigo, mexeu no volante porque ele achou que eu fosse bater o carro, enfim... Eu não estou aqui pra crucificar meu pai, eu só estou aqui concretizando a minha teoria. Nós mulheres, nós sabemos dirigir sim! Mas o que nos faz tremer na frente do volante são as vozes graves de nossos pais, irmãos, namorados, maridos, que tem a plena convicção que sem os gritos deles só iremos fazer uma bela duma cagada no trânsito!

Eles tem que gritar! Mas será que eles já experimentaram ficar quietos e observar o resultado? Então, homens que estão lendo esse texto, não gritem com suas filhas, suas mulheres, suas qualquer-coisa que estiverem ao volante! Um grito de vocês pode trazer um belo medo de dirigir e até mesmo anos de terapia para nós, pobres mulheres injustiçadas no trânsito, só porque somos MULHERES! E tenho dito!!!


Gabriela Sikorski

domingo, 15 de agosto de 2010

Cabelos longos, cérebro curto!

Gente, comecei uma matéria esse semestre na faculdade sobre as origens do “feminismo” e a discriminação da mulher histórica e socialmente. Já lendo o primeiro texto senti vontade de comentar aqui com vocês e vou transcrevê-lo em partes. Acho um tema muito interessante e uma discussão muito válida, então, vamos botar os bofes críticos pra fora, ler e comentar!




Trechos seguintes retirados do artigo:

“Para a história conceitual da discriminação da mulher”

– Marisa Lopes*

“Será justo, então, o réu Fernando Cortez, primário, trabalhador, sofrer pena enorme e ter a vida estragada por causa de um fato sem conseqüências, oriundo de uma falsa virgem? Afinal de contas, esta vítima, amorosa com outros rapazes, vai continuar a sê-lo. Com Cortez, assediou-o até se entregar. E o que em retribuição lhe fez Cortez? Uma cortesia...” (Pimentel, S.)

É difícil acreditar que a vítima tenha se sentido honrada com semelhante cortesia. Nem ela, nem as muitas mulheres que se tornam duplamente vítimas ao serem expostas a afrontosas decisões judiciais sobre crimes de estupro. (...) “O crime de estupro era [por que não, é?] o único no mundo em que a vítima é acusada e considerada culpada da violência praticada contra ela”. (Pimentel, S.)

O recente caso Geyse, estudante da Uniban, confirma o diagnóstico: agindo por meio do terror, a turba pseudo-universitária brada contra a estudante palavras que soariam bem aos ouvidos dos velhos insquisidores. (...)

Fanatismo (praticado por machos) capaz de produzir estultices como as que escreveu Moebius (1853 – 1907), médico e psiquiatra alemão. O livro de Moebius, Inferioridade da mulher: a deficiência mental fisiológica da mulher, que passo a expor, parte da constatação de que as faculdades intelectuais do homem e da mulher são muito diferentes. Diferença essa que pode ser relativa e, neste caso, as mulheres teriam maior capacidade para uma coisa e os homens para outra, ou absoluta, as mulheres são em sim mesmas deficientes em relação aos homens. A “sabedoria” proverbial – cabelos longos, cérebro curto – fornece compreender claramente o estado intelectual da mulher e o valor de sua deficiência intelectual para que pusessem em ação todo o seu poder para combater, em favor da humanidade, as tendências contranaturais dos/das feministas.

Trata-se então de apresentar as “provas científicas” que fundamentam suas, no plural, deficiências. Em primeiro lugar, existe uma deficiência anatômica na mulher, um retardo, diz o autor, no desenvolvimento da circunvolução do lóbulo frontal e temporal, semelhante, aliás, à encontrada nos homens pouco desenvolvidos, como os negros.



A necessidade de cuidar dos filhos é a causa da diferença entre os sexos. A eterna sabedoria não pôs ao lado do homem outro homem provido de útero [tudo indica que o autor lamente], mas outorgou à mulher de que necessita para o melhor desempenho de seus nobilíssimos deveres, embora não lhe tenha outorgado a energia mental do homem. Se se quer que ela cumpra bem seus deveres maternais, é necessário que não possua cérebro masculino, caso contrário veríamos atrofiarem os órgãos maternos. A mulher deve ser, antes de tudo, mãe amorosa e abnegada, como exige a natureza. (...) A energia e as aspirações por novos horizontes, a fantasia e a ânsia por conhecimentos novos se serviriam apenas para fazer a mulher inquieta e transtornar seus deveres maternais. (...) Ademais, quanto mais se propaga a civilização, menos se procria.

Do ponto de vista do comportamento, seu instinto a torna parecida com as bestas. Característico disso é a sua falta de opinião, a faculdade para saber diferenciar por si mesma o bem e o mal, no que depende, para isso, de uma influência extrínseca. As mulheres são rígidas, conservadoras e odeiam a novidade, a não ser nos casos em que o novo lhes traga vantagem pessoal ou quando essa novidade agrada a um amante. A lei, portanto, deve considerar a deficiência mental fisiológica da mulher e não julgá-la como a um homem. A sua incapacidade para dominar as tempestades afetivas e a falta de sentido da equidade provam que é uma grande injustiça julgar ambos os sexos igualmente.

Sua moral é a moral do sentimento, ou seja, uma inconsciente retidão. Sua coragem deve servir para defender sua prole, pois exercer esse valor em outras ocasiões só a molesta. Justiça para elas é um conceito vazio e sem sentido.

Sem escrúpulos, pode-se afirmar que a natureza deu preferência ao homem e tem demonstrado querer formar dele um tipo mais perfeito pelo fato de fazê-lo se desenvolver mais tarde do que a mulher, predileção que é evidente na medida em que permite ao homem conservar as faculdades adquiriras até o fim de sua vida. (...) Sua ampla escravidão seria a causa de sua mente ter atrofiado.

Por isso, “[...] devemos esperar toda a saúde unicamente da sabedoria do homem, pelo menos até o ponto que a intervenção humana pode alcançar; isto é, que o homem deverá dizer clara e terminantemente à mulher que não quer saber nada de liberdade incondicional. E se o homem o faz seriamente, terminará de uma vez por todas o movimento feminista”. (Moebius) Sabemos que, não tanto tempo depois, idéias como as de Moebius se tornaram dominantes na Alemanha nazista, aquela do tipo K: Kirche, Kuche, Kinder.

Deficiente, inferior, incapaz, enferma: todos esses qualificativos associados à mulher não são o produto de um delírio individual, mas de um ratio masculinizante estruturante de uma antropologia e de uma cultura que concebe a mulher como um ser inacabado e imperfeito, naturalmente inferior ao homem e incapaz para a vida social e política.

*(Prof. do Departamento de Filosofia da UfSCar)

(...)




Bom, o texto continua falando das idéias sobre a incapacidade da mulher em Aristóteles, que foram as que mais prevaleceram, dentre as idéias “feministas” de outros filósofos, e que forneceram o referencial teórico para essa tendência misógina. Não consegui achar o texto na íntegra na internet, então resolvi parar por aqui para não ficar muito longo, mas acho que só as idéias desse Dr. Moebius já despertaram revolta em muita gente (espero!) e já dão bastante pano pra manga.

Resolvi não comentar para não estender o post ainda mais, vou deixar os comentários para a próxima semana!

E aí, o que vocês acham de tudo isso?!


Sigam! @omerengue


quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Minha Maior Vaidade

Como uma nerd e, presumivelmente, uma pessoa que não é muito chegada à moda, não é difícil de imaginar que eu nunca fui extremamente vaidosa. O que não significa também que eu seja desleixada. Apenas nunca dei mais importância à aparência do que à outras coisas da minha vida. Mas confesso, desde que me entendo por gente meu cabelo sempre foi a minha maior vaidade!

Quando eu era criança simplesmente odiava ir ao cabeleireiro. Era a única ocasião em que realmente podia se dizer que eu fazia 'birra' [ah... e também quando tinha que tomar injeções no hospital. Mas isso era realmente traumático]. Eu achava que cabelo tinha que ser comprido e ponto final! É claro que eu ainda não entendia - e ninguém fazia questão de me contar também - que o cabelo precisa ser cortado às vezes tanto para se mantar saudável quanto para crescer mais e mais rápido. Porém eu tinha trauma do cabeleireiro porque a minha mãe sempre gostou de 2 coisas que eu detesto até hoje: cabelo curto e franja. E ela teimava em mandar a cabeleireira me tosar, mesmo sabendo que eu odiava. Acho que tem pessoas que realmente ficam bem de cabelo curto e franja... Só que simplesmente não combina comigo.
Naquela época não tinha tantos cosméticos à disposição e não tinha chapinha. Daí vocês podem imaginar uma garotinha de uns 7 ou 8 anos, com MUITO cabelo, curto e com franja. Imaginou a cena? Lindo, né?! Meu cabelo ficava super armado. Uma "coisa".

Ironicamente hoje eu adoro ir ao cabeleireiro. Não para fazer mil e um tratamentos e pintar. Apenas para cortar mesmo. É extremamente aliviante fazer isso quando ele começa a ficar pesado. Aliás, acabei de chegar de lá, tô de ótimo humor, rs.
Esse amor pelo salão e por deixar que me passem a tesoura surgiu quando eu tinha 14 anos. Desde os meus 11, quando eu comecei a cuidar dele por conta própria, eu travava uma verdadeira guerra contra o meu cabelo. Foi mais ou menos nessa época que começaram a surgiu novos tipos e novas marcas de cosméticos para cabelo - pra se ter uma idéia, até então, o único condicionador que existia, ou que eu me lembro, era o Neutrox. E eu não tinha a menor idéia de como identificar o que me servia ou não. E - mais do que tudo - eu odiava o fato do meu cabelo ser 'ruim'. E quando eu digo 'ruim', não estou querendo dizer encaracolado, enrolado ou qualquer coisa assim. Eu dizia que ele era 'ruim' por ser indefinido: nem liso, nem enrolado. Meus pais diziam que era 'ondulado', mas isso não mudava o fato de que nada funcionava com ele e nenhum penteado ficava bem. Era como um bandido: ou tava preso ou tava armado. Nem preciso dizer que ele passava a maior parte do tempo preso e ainda assim me dava muito trabalho! Isso porque mesmo preso ficavam 'pulando' na frente aqueles fiozinhos soltos, o tal do 'frizz', fazendo parecer que eu tinha levado um choque. Tenho uma história absurda do que fiz certa vez por causa disso, entretanto não tenho coragem de lhes contar, rs.

Mas enfim... voltando aos meus 14 anos. Um belo dia, resolvi ir à cabeleireira por conta própria e decidida. Tinha visto um corte repicado e resolvi arriscar. Quem sabe não resolveria meu problema? E resolveu! Uso o mesmo corte de cabelo até hoje. Claro que nesses 11 anos eu já variei um pouco... às vezes bem comprido, às vezes um pouco mais curto... às vezes bem liso, às vezes enrolado [hoje em dia ele se enrola se eu deixar secar sozinho. Vai entender!]. E às vezes até deixo ele com corte reto de novo, mas dá o triplo do trabalho para cuidar. Então, consquentemente sempre acabo voltando para o bom e velho repicado.
Lembro até hoje do dia seguinte na escola, uma das minhas melhores lembranças daqueles tempos. Eu nunca fui muito popular na escola, não me dava muito bem com a turma. A cara que fizeram quando me viram entrando - atrasada - na sala, juro, foi digna de uma cena de cinema! Hhaha...

Confesso que hoje em dia gasto uma pequena fortuna com meu cabelo, e isso porque eu mesma cuido em casa e não pinto de outra cor. Porém gasto bastante com uma linha de shampoo, condicionador, hidratantes e fluidos de silicone que são mais caros que a média. Sem contar a eletricidade, com secador e chapinha - quando me dá na telha de fazer. Quanto ao tempo que desperdiço, nem se fala. Posso passar horas cuidando, entre lavar, hidratar, secar, alisar...
Durante esses anos testei muitos produtos, pesquisei muito e enchi a paciência das minhas primas [rs] até chegar no ponto ideal. Hoje posso dizer, orgulhosa, que finalmente tenho um cabelo saudável e que me agrada.

Por nada no mundo deixaria de cuidar do meu cabelo. Nada acaba mais fácil com meu humor, ânimo e até minha segurança do que ter algum compromisso e ver que ele está horrível. Se meu cabelo não está do meu gosto, não vai ter maquiagem ou roupa que me faça sentir bem com a minha aparência!

E vocês, meninas? Qual sua maior vaidade?

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sugestão de Livro: O Mundo Pós-Aniversário




Irina McGovern é personagem central de uma história fictícia que se contada em linhas gerais parecerá vulgar e pouco atraente. Com tiradas cáusticas acerca do relacionamento homem e mulher, seus percalços e vieses, a autora Lionel Shriver faz analogias fabulosas sobre as decisões e rumos que tomamos. E se Irina abandonasse a sua união estável com um homem estável? E se, de repente, ela deixasse todo o conforto para se aventurar nos braços de um homem aventureiro? É assim que a autora nos presenteia, com possibilidades!

Como teria sido sua vida profissional se optasse por ter a vida mansa a qual estava acostumada? E como seria o Natal na casa da sua mãe rígida e neurótica ao lado de Ramsey, aventureiro e pouco intelectual, ou ao lado de Lawrence, estável e compenetrado em agradar a sogra?

Há sempre 2 capítulos para 1 situação. No primeiro, Irina continua a sua vida organizada ao lado de seus temperos e do homem previsível que é Lawrence. No segundo, Irina arrisca tudo e compra novas roupas para viver ao lado de um homem que ganha a vida debruçado numa mesa de sinuca. E, ainda, põe Irina entre a leveza de ter grana e a rigidez de ter que economizá-la.

Essa história nos leva a refletir sobre a vida. Sobre como QUALQUER DECISÃO tem seu ardor. E que quando optamos por UM caminho, é certo olharmos para o outro - aquele que não escolhemos - com frescor. Quase posso sugerir que todos os homens são iguais ou que todos os relacionamentos são iguais ou que não se pode ter tudo. Mas não farei isso, soaria simplório e prejudicaria a beleza desse livro.

Ao final, independente da sua escolha, Irina terá o mesmo gosto agridoce na boca, mas como chegou até ele, as dores e prazeres, serão peculiares e únicos. Tristemente, esse livro me levou a uma descrença maior sobre os relacionamentos afetivos homem-mulher. Sobre como somos dolorosamente substituíveis, reforçando coisas que eu acredito e, relutantemente, tento driblar. Talvez não doa assim para todos. Mas doeu para mim e foi com areia.


* A história é baseada em fatos reais. Como na vida não há como viver 2 caminhos ao mesmo tempo, como sugere o livro, a escritora curiosamente escolheu o "jogador de sinuca".

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