domingo, 15 de agosto de 2010

Cabelos longos, cérebro curto!

Gente, comecei uma matéria esse semestre na faculdade sobre as origens do “feminismo” e a discriminação da mulher histórica e socialmente. Já lendo o primeiro texto senti vontade de comentar aqui com vocês e vou transcrevê-lo em partes. Acho um tema muito interessante e uma discussão muito válida, então, vamos botar os bofes críticos pra fora, ler e comentar!




Trechos seguintes retirados do artigo:

“Para a história conceitual da discriminação da mulher”

– Marisa Lopes*

“Será justo, então, o réu Fernando Cortez, primário, trabalhador, sofrer pena enorme e ter a vida estragada por causa de um fato sem conseqüências, oriundo de uma falsa virgem? Afinal de contas, esta vítima, amorosa com outros rapazes, vai continuar a sê-lo. Com Cortez, assediou-o até se entregar. E o que em retribuição lhe fez Cortez? Uma cortesia...” (Pimentel, S.)

É difícil acreditar que a vítima tenha se sentido honrada com semelhante cortesia. Nem ela, nem as muitas mulheres que se tornam duplamente vítimas ao serem expostas a afrontosas decisões judiciais sobre crimes de estupro. (...) “O crime de estupro era [por que não, é?] o único no mundo em que a vítima é acusada e considerada culpada da violência praticada contra ela”. (Pimentel, S.)

O recente caso Geyse, estudante da Uniban, confirma o diagnóstico: agindo por meio do terror, a turba pseudo-universitária brada contra a estudante palavras que soariam bem aos ouvidos dos velhos insquisidores. (...)

Fanatismo (praticado por machos) capaz de produzir estultices como as que escreveu Moebius (1853 – 1907), médico e psiquiatra alemão. O livro de Moebius, Inferioridade da mulher: a deficiência mental fisiológica da mulher, que passo a expor, parte da constatação de que as faculdades intelectuais do homem e da mulher são muito diferentes. Diferença essa que pode ser relativa e, neste caso, as mulheres teriam maior capacidade para uma coisa e os homens para outra, ou absoluta, as mulheres são em sim mesmas deficientes em relação aos homens. A “sabedoria” proverbial – cabelos longos, cérebro curto – fornece compreender claramente o estado intelectual da mulher e o valor de sua deficiência intelectual para que pusessem em ação todo o seu poder para combater, em favor da humanidade, as tendências contranaturais dos/das feministas.

Trata-se então de apresentar as “provas científicas” que fundamentam suas, no plural, deficiências. Em primeiro lugar, existe uma deficiência anatômica na mulher, um retardo, diz o autor, no desenvolvimento da circunvolução do lóbulo frontal e temporal, semelhante, aliás, à encontrada nos homens pouco desenvolvidos, como os negros.



A necessidade de cuidar dos filhos é a causa da diferença entre os sexos. A eterna sabedoria não pôs ao lado do homem outro homem provido de útero [tudo indica que o autor lamente], mas outorgou à mulher de que necessita para o melhor desempenho de seus nobilíssimos deveres, embora não lhe tenha outorgado a energia mental do homem. Se se quer que ela cumpra bem seus deveres maternais, é necessário que não possua cérebro masculino, caso contrário veríamos atrofiarem os órgãos maternos. A mulher deve ser, antes de tudo, mãe amorosa e abnegada, como exige a natureza. (...) A energia e as aspirações por novos horizontes, a fantasia e a ânsia por conhecimentos novos se serviriam apenas para fazer a mulher inquieta e transtornar seus deveres maternais. (...) Ademais, quanto mais se propaga a civilização, menos se procria.

Do ponto de vista do comportamento, seu instinto a torna parecida com as bestas. Característico disso é a sua falta de opinião, a faculdade para saber diferenciar por si mesma o bem e o mal, no que depende, para isso, de uma influência extrínseca. As mulheres são rígidas, conservadoras e odeiam a novidade, a não ser nos casos em que o novo lhes traga vantagem pessoal ou quando essa novidade agrada a um amante. A lei, portanto, deve considerar a deficiência mental fisiológica da mulher e não julgá-la como a um homem. A sua incapacidade para dominar as tempestades afetivas e a falta de sentido da equidade provam que é uma grande injustiça julgar ambos os sexos igualmente.

Sua moral é a moral do sentimento, ou seja, uma inconsciente retidão. Sua coragem deve servir para defender sua prole, pois exercer esse valor em outras ocasiões só a molesta. Justiça para elas é um conceito vazio e sem sentido.

Sem escrúpulos, pode-se afirmar que a natureza deu preferência ao homem e tem demonstrado querer formar dele um tipo mais perfeito pelo fato de fazê-lo se desenvolver mais tarde do que a mulher, predileção que é evidente na medida em que permite ao homem conservar as faculdades adquiriras até o fim de sua vida. (...) Sua ampla escravidão seria a causa de sua mente ter atrofiado.

Por isso, “[...] devemos esperar toda a saúde unicamente da sabedoria do homem, pelo menos até o ponto que a intervenção humana pode alcançar; isto é, que o homem deverá dizer clara e terminantemente à mulher que não quer saber nada de liberdade incondicional. E se o homem o faz seriamente, terminará de uma vez por todas o movimento feminista”. (Moebius) Sabemos que, não tanto tempo depois, idéias como as de Moebius se tornaram dominantes na Alemanha nazista, aquela do tipo K: Kirche, Kuche, Kinder.

Deficiente, inferior, incapaz, enferma: todos esses qualificativos associados à mulher não são o produto de um delírio individual, mas de um ratio masculinizante estruturante de uma antropologia e de uma cultura que concebe a mulher como um ser inacabado e imperfeito, naturalmente inferior ao homem e incapaz para a vida social e política.

*(Prof. do Departamento de Filosofia da UfSCar)

(...)




Bom, o texto continua falando das idéias sobre a incapacidade da mulher em Aristóteles, que foram as que mais prevaleceram, dentre as idéias “feministas” de outros filósofos, e que forneceram o referencial teórico para essa tendência misógina. Não consegui achar o texto na íntegra na internet, então resolvi parar por aqui para não ficar muito longo, mas acho que só as idéias desse Dr. Moebius já despertaram revolta em muita gente (espero!) e já dão bastante pano pra manga.

Resolvi não comentar para não estender o post ainda mais, vou deixar os comentários para a próxima semana!

E aí, o que vocês acham de tudo isso?!


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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Minha Maior Vaidade

Como uma nerd e, presumivelmente, uma pessoa que não é muito chegada à moda, não é difícil de imaginar que eu nunca fui extremamente vaidosa. O que não significa também que eu seja desleixada. Apenas nunca dei mais importância à aparência do que à outras coisas da minha vida. Mas confesso, desde que me entendo por gente meu cabelo sempre foi a minha maior vaidade!

Quando eu era criança simplesmente odiava ir ao cabeleireiro. Era a única ocasião em que realmente podia se dizer que eu fazia 'birra' [ah... e também quando tinha que tomar injeções no hospital. Mas isso era realmente traumático]. Eu achava que cabelo tinha que ser comprido e ponto final! É claro que eu ainda não entendia - e ninguém fazia questão de me contar também - que o cabelo precisa ser cortado às vezes tanto para se mantar saudável quanto para crescer mais e mais rápido. Porém eu tinha trauma do cabeleireiro porque a minha mãe sempre gostou de 2 coisas que eu detesto até hoje: cabelo curto e franja. E ela teimava em mandar a cabeleireira me tosar, mesmo sabendo que eu odiava. Acho que tem pessoas que realmente ficam bem de cabelo curto e franja... Só que simplesmente não combina comigo.
Naquela época não tinha tantos cosméticos à disposição e não tinha chapinha. Daí vocês podem imaginar uma garotinha de uns 7 ou 8 anos, com MUITO cabelo, curto e com franja. Imaginou a cena? Lindo, né?! Meu cabelo ficava super armado. Uma "coisa".

Ironicamente hoje eu adoro ir ao cabeleireiro. Não para fazer mil e um tratamentos e pintar. Apenas para cortar mesmo. É extremamente aliviante fazer isso quando ele começa a ficar pesado. Aliás, acabei de chegar de lá, tô de ótimo humor, rs.
Esse amor pelo salão e por deixar que me passem a tesoura surgiu quando eu tinha 14 anos. Desde os meus 11, quando eu comecei a cuidar dele por conta própria, eu travava uma verdadeira guerra contra o meu cabelo. Foi mais ou menos nessa época que começaram a surgiu novos tipos e novas marcas de cosméticos para cabelo - pra se ter uma idéia, até então, o único condicionador que existia, ou que eu me lembro, era o Neutrox. E eu não tinha a menor idéia de como identificar o que me servia ou não. E - mais do que tudo - eu odiava o fato do meu cabelo ser 'ruim'. E quando eu digo 'ruim', não estou querendo dizer encaracolado, enrolado ou qualquer coisa assim. Eu dizia que ele era 'ruim' por ser indefinido: nem liso, nem enrolado. Meus pais diziam que era 'ondulado', mas isso não mudava o fato de que nada funcionava com ele e nenhum penteado ficava bem. Era como um bandido: ou tava preso ou tava armado. Nem preciso dizer que ele passava a maior parte do tempo preso e ainda assim me dava muito trabalho! Isso porque mesmo preso ficavam 'pulando' na frente aqueles fiozinhos soltos, o tal do 'frizz', fazendo parecer que eu tinha levado um choque. Tenho uma história absurda do que fiz certa vez por causa disso, entretanto não tenho coragem de lhes contar, rs.

Mas enfim... voltando aos meus 14 anos. Um belo dia, resolvi ir à cabeleireira por conta própria e decidida. Tinha visto um corte repicado e resolvi arriscar. Quem sabe não resolveria meu problema? E resolveu! Uso o mesmo corte de cabelo até hoje. Claro que nesses 11 anos eu já variei um pouco... às vezes bem comprido, às vezes um pouco mais curto... às vezes bem liso, às vezes enrolado [hoje em dia ele se enrola se eu deixar secar sozinho. Vai entender!]. E às vezes até deixo ele com corte reto de novo, mas dá o triplo do trabalho para cuidar. Então, consquentemente sempre acabo voltando para o bom e velho repicado.
Lembro até hoje do dia seguinte na escola, uma das minhas melhores lembranças daqueles tempos. Eu nunca fui muito popular na escola, não me dava muito bem com a turma. A cara que fizeram quando me viram entrando - atrasada - na sala, juro, foi digna de uma cena de cinema! Hhaha...

Confesso que hoje em dia gasto uma pequena fortuna com meu cabelo, e isso porque eu mesma cuido em casa e não pinto de outra cor. Porém gasto bastante com uma linha de shampoo, condicionador, hidratantes e fluidos de silicone que são mais caros que a média. Sem contar a eletricidade, com secador e chapinha - quando me dá na telha de fazer. Quanto ao tempo que desperdiço, nem se fala. Posso passar horas cuidando, entre lavar, hidratar, secar, alisar...
Durante esses anos testei muitos produtos, pesquisei muito e enchi a paciência das minhas primas [rs] até chegar no ponto ideal. Hoje posso dizer, orgulhosa, que finalmente tenho um cabelo saudável e que me agrada.

Por nada no mundo deixaria de cuidar do meu cabelo. Nada acaba mais fácil com meu humor, ânimo e até minha segurança do que ter algum compromisso e ver que ele está horrível. Se meu cabelo não está do meu gosto, não vai ter maquiagem ou roupa que me faça sentir bem com a minha aparência!

E vocês, meninas? Qual sua maior vaidade?

terça-feira, 10 de agosto de 2010

Sugestão de Livro: O Mundo Pós-Aniversário




Irina McGovern é personagem central de uma história fictícia que se contada em linhas gerais parecerá vulgar e pouco atraente. Com tiradas cáusticas acerca do relacionamento homem e mulher, seus percalços e vieses, a autora Lionel Shriver faz analogias fabulosas sobre as decisões e rumos que tomamos. E se Irina abandonasse a sua união estável com um homem estável? E se, de repente, ela deixasse todo o conforto para se aventurar nos braços de um homem aventureiro? É assim que a autora nos presenteia, com possibilidades!

Como teria sido sua vida profissional se optasse por ter a vida mansa a qual estava acostumada? E como seria o Natal na casa da sua mãe rígida e neurótica ao lado de Ramsey, aventureiro e pouco intelectual, ou ao lado de Lawrence, estável e compenetrado em agradar a sogra?

Há sempre 2 capítulos para 1 situação. No primeiro, Irina continua a sua vida organizada ao lado de seus temperos e do homem previsível que é Lawrence. No segundo, Irina arrisca tudo e compra novas roupas para viver ao lado de um homem que ganha a vida debruçado numa mesa de sinuca. E, ainda, põe Irina entre a leveza de ter grana e a rigidez de ter que economizá-la.

Essa história nos leva a refletir sobre a vida. Sobre como QUALQUER DECISÃO tem seu ardor. E que quando optamos por UM caminho, é certo olharmos para o outro - aquele que não escolhemos - com frescor. Quase posso sugerir que todos os homens são iguais ou que todos os relacionamentos são iguais ou que não se pode ter tudo. Mas não farei isso, soaria simplório e prejudicaria a beleza desse livro.

Ao final, independente da sua escolha, Irina terá o mesmo gosto agridoce na boca, mas como chegou até ele, as dores e prazeres, serão peculiares e únicos. Tristemente, esse livro me levou a uma descrença maior sobre os relacionamentos afetivos homem-mulher. Sobre como somos dolorosamente substituíveis, reforçando coisas que eu acredito e, relutantemente, tento driblar. Talvez não doa assim para todos. Mas doeu para mim e foi com areia.


* A história é baseada em fatos reais. Como na vida não há como viver 2 caminhos ao mesmo tempo, como sugere o livro, a escritora curiosamente escolheu o "jogador de sinuca".

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

Diário de uma Traição


Olá, meninas! Só assim para eu aparecer, não é? Vim trazer o texto da Heleninha, já que a nossa querida boneca inflável está com o computador quebrado. Sentem, lá vem história (e das boas!)

Acho que vou receber pedradas por este texto (ok, tamo aí pra isso, primeiro pedrada porque eu posto demais a minha cara, pedrada por causa de um texto vai ser fichinha, hohohoho), mas tudo bem, vamos ver se alguém se identifica desta vez. Vou contar uma história que ando observando de perto, sem citar os nomes verdadeiros de ninguém, porque, como eu disse em textos anteriores, dar minha cara a tapa, beleza! Prejudicar pessoas que eu conheço, jamais. O que vou escrever é o que me contaram, em detalhes, com alguns comentários meus, hehe.

Era uma vez um cara com trinta anos recém feitos, nem feio nem bonito, charmoso, sedutor, talvez. Junto da mesma pessoa desde os dezessete anos, a vida era uma rotina perfeita, e ele achava que nada de novo aconteceria. E nada de novo estava acontecendo mesmo. Nem mesmo quando Angélica sentou-se ao seu lado com os pés tortos, toda escabelada, pedindo algumas informações, alterava sua rotina. Eles só se conheciam de vista, trabalhavam em coisas totalmente opostas, nunca sequer tinham se falado. Era aniversário dele, e conhecendo Angélica como eu conheço, tenho certeza que ela ficou aquela meia hora ao lado dele refletindo se lhe dizia parabéns ou não. Aposto que não disse, ela não tem tato como pessoas "espíritos de luz" teriam.

Alguns dias depois ela me disse que tinha sonhado com o cara, veja só que absurdo, sonhou que ele tinha lhe dado um selinho ahahahah. Nós rimos aquele dia. Pense, eles tinham se visto pouco mais de seis vezes naquele mês, se cruzado duas ou três vezes no almoço e só. E pelo amor de Deus! Ele usava uma aliança tão grande que chegava a andar torto. Ela era uma garota comum que usava tênis sujos. Nada demais. E então, de repente, tudo mudou. Um dia todos se sentaram na mesma mesinha pela manhã com a garrafa térmica, e ela sentou-se na frente dele, eu do lado, e ela não lhe disse bom dia. Eis que ele disse: Angélica, você fez sexo comigo esta manhã? Porque não me deu bom dia? E eu a vi desmanchar mesa abaixo, tímida. Ele levou uma bronca minha pela ousadia: Você nem mesmo conhece ela! Que absurdo! Envergonhou a menina! Ele riu, disse que estava só brincando, e que ela parecia simpática, mas que pediria desculpas. Pediu no outro dia pela manhã. E então, nunca mais se desgrudaram. Amizade instantânea. Sinceramente? Achei lindo. Não é cinematográfico?

As pessoas notavam como os olhos dele brilhavam quando ela chegava com os tênis encardidos, ou quando ela se lamentava que tinha feito alguma cagada no trabalho. Sempre dizia isso a ela: você não vê? Ele olha para todo mundo, mas fixa na sua direção se te vê. Ela dizia que não era nada, afinal ele era casado. Eram amigos, só isso, ela aceitava - ou pelo menos era o que ela gostava de vomitar para o mundo - que tudo fosse assim. E então eles se sentavam juntos no intervalo e ele tocava de leve suas panturrilhas. Angélica era uma garota forte, eu não resistiria, mas ela, ela era brava! Gostavam de ver os mesmo vídeos na internet, e um dia ela precisou de outra informação e lhe mandou um e-mail que recebu a seguinte resposta: Só assim pra você escrever para mim. Ele espalhava por aí que ela era a melhor amiga que ele jamais teve, já que estudou com só com homens por toda a vida e nunca teve uma amiga de fato. Era uma amizade madura. Não havia sexo, nada. Angélica se sentia muito bem. Se passou muito tempo, algumas pessoas começaram a fofocar que "ali tinha". Mas não tinha. Eu era testemunha de que não tinha mesmo.

Um dia ela precisou realmente de ajuda para um trabalho. Não sabia por onde começar e ele prometeu lhe ajudar no intervalo. E então ele pegou a lapiseira e começou a escrever no bloco de folhas. E ela esqueceu de olhar para o que ele estava fazendo no papel, começou a olhar pra ele. E ele disse: pára de olhar pra mim, por favor. E então ela perguntou o porque, e ele respondeu: você está me provocando. Ela segurou na palma da mão dele e ficaram se olhando por alguns minutos e foi isso.

É claro que o Universo conspira, eu acredito nisso. No outro dia "ó vamos beber, vocês - Angélica e ele - seus anti-sociais tratem de ir também, vai ser legal!". Foram. Beberam. Ela precisava ir pra casa, ele levou ela de mãos dadas. E então se beijaram. No outro dia ele sentou ela numa cadeira, disse que aquilo nunca mais aconteceria de novo. Ela riu, divertida, e levantou. "Porque você não gosta de conversar?" "Não tem nada pra conversar, deixa rolar!". E então obviamente aconteceram outras e outras e outras vezes, toda vez ele jurando que seria a última porque ele amava muito a pessoa que tinha em casa. Brigavam, ela ficava uma semana sem falar com ele, ele pedia desculpas e tudo voltava. E então um dia ele disse que não aconteceria nunca mais, que ele estava falando sério. Ela começou a chorar. Viu a verdade nos olhos dele daquela vez. Se perguntou porque aquilo estava acontecendo com ela. Ele resolveu dizer a verdade, ou que eu considero "verdade em partes".

Arrumada, Angélica era de fato alguém com muito potencial. Ele estava preso a uma mulher com um bebê pequeno em casa. É notório que, quando uma mulher vira mãe, ela deixa de ser mulher e vira só mãe por algum tempo. (Ai gente, vamos ser realistas? É a verdade ok, todo mundo sabe disso, cadê o Deja pra me defender?) Angélica contava que uma vez o fez chorar - do jeito que ele é meio mané acredito que de fato tenha chorado - porque dizia na cara dele que ele não honrava as calças que vestia, era um bundão, um monte de merda. Ele disse a ela, que nunca foi tão escrachado em toda sua vida e que nunca contestava, porque ela tinha razão. Ele estava em sua zona de conforto. Preferia ter o que tinha em casa a perder as duas - os namoros da Angélica nunca duraram mais de dois anos, eis uma pessoa que promove o desapego - e pior, perder o crescimento do gurizinho. Não era que ele não gostasse dela. Ele gostava, só não sabia o que fazer com aquilo, e morreu de medo quando descobriu que era recíproco. Ela ficou sem entender nada e se afastou. Tinha pavor de gente indecisa. Ele sentia falta dela, ela não respondia nem mesmo seu bom dia pela manhã. Mas quando íamos pra casa ela se debulhava em lágrimas. Ela havia mudado a rotina dele, bagunçado os papéis, e ele não sabia por onde começar a recolher a bagunça. Se sentia culpado. Enfim, uma grande maricona, ah pelo amor de Deus, PRONTO FALAY. e então ele completou: "Estar com você vai contra tudo que me ensinaram a vida toda. Eu não sei como lidar com isso."

Nunca soube o que lhe aconselhar.

Tudo que sei é que eles voltaram a ser amigos. Ele ainda brilha quando olha pra ela, embora ela não corresponda mais, pelo menos não na frente do mundo. Só na sua bolha particular.

Não dou dois meses pra Angélica fazer o que sabe melhor: desaparecer.

Mas gostaria de dizer algo legal pra ela. Vocês podiam dar uma força aí nos comentários, que tal?

Heleninha

heleninha@corporativismofeminino.com
twitter: jules_at_play

Texto da Leitora: Eu, contra mim mesma, puxando meu próprio tapete

Depressão é uma doença séria, mas infelizmente ainda é menosprezada por muitos. Tanto por alheios, que muitas vezes acham que os que sofrem de depressão na verdade estão de frescura, corpo mole, preguiça, e coisas do gênero, quanto por aqueles que a adquirem e muitas vezes não percebem sua mudança de comportamento e acabam se acomodando em um mundo depressivo sem perceber, sem acreditar. Esse foi meu caso por um longo tempo.

A depressão foi me consumindo aos poucos, a perca de interesse pelos estudos, trabalho e hobbies. Vontade extrema de ficar em casa fazendo nada, falta de coragem e de ânimo pra coisas simples como organizar meias ou sair pra uma festa, enfim, desanimo absoluto. Oscilar entre picos de extrema sonolência e insônia, uma vontade imensa e incontrolável de chorar que vem do nada, e mais uma série de coisas que por muitas vezes preferi chamar de preguiça a acreditar que era depressão.

Eu diria que passei anos menosprezando sintomas depressão, que foram aumentando a cada dia, até que cheguei a um ponto em que já estava decidida a procurar ajuda, mas protelei enquanto pude, e quando já estava de consulta marcada com um psiquiatra para o mês seguinte, o que eu menos esperava aconteceu. Sofri uma crise, tremenda (e horrível) provocada pela depressão. Sem dúvidas, foi uma das piores experiências da minha vida.

Além da depressão, sempre sofri de ansiedade, as duas juntas culminaram nesse momento de crise. Foram dias que, juro, nunca imaginei que fosse vivenciar.

Tive ataques de pânico com direito à coração disparado, insônia, dormência - que começou nos dedos e se alastrou pelos braços, pernas, pescoço, cheguei a pensar que fosse ficar inconsciente, mas graças a Deus isso não aconteceu. Tive que parar no hospital algumas vezes para conseguir remédio pra dormir – sem eles, eu passava uma noite que podemos chamar de noite do terror, sem conseguir dormir, respiração ofegante, com sensação de que ia ter um ataque a qualquer momento. Cheguei a pensar que estava ficando louca. Em uma das crises cheguei a tomar seis calmantes fototerápicos de uma só vez – sem que me provocassem qualquer efeito. E confesso, cheguei a ir na cozinha e pegar uma faca. Mas não tive e não teria coragem de fazer nada contra mim. Na verdade eu achava que precisava ser internada, não suportava mais aquela consciência doentia dentro de mim.

Desde então passei a entender melhor as pessoas que comentem suícidios ou que vivem embriagadas. Não cheguei a pensar serialmente em suicidar-me, mas pensaria se a situação tivesse continuado por mais dias. Ou buscaria algum refugio no álcool ou em qualquer outra coisa que pudesse me entorpecer.

E nesses dias que eu soube verdadeiramente o que é ter uma depressão profunda. O que é querer ficar estatelada em um canto qualquer sem vontade de se mexer, sem vontade de comer, de tomar banho, de trocar de roupa, de pentear os cabelos. A vontade de tentar dormir e não conseguir, pois bastavam 15 minutos de cochilo pra acordar com o coração querendo sair pela boca.

A vontade de ler um livro e perceber não consegue prestar atenção em uma linha sequer. A vontade de ver um filme e perceber que não absorvia 0,001% do que os personagens dizem. A vontade de urinar gotinhas a cada 5 minutos, pois o controle do meu corpo já não era meu.

Ficar encostada em um sofá ou uma cama qualquer não era um conforto, e sim, apenas uma tentativa de conforto, mas aquela sensação ruim continuava dentro de mim o tempo todo.

Fui à psiquiatra, que não precisou de muito para diagnosticar o que se passava. Fui medicada, recebi algumas orientações e a garantia de que aquilo tudo ia passar. Voltei pra casa, e felizmente, passou. O pior passou, a crise passou. Mas ainda continuo na luta contra a depressão, uma batalha à favor da felicidade, que, sinto informar, não é fácil ser vencida. Por mais que eu me esforce, não é fácil. Parece mais fácil que o mundo realmente acabe em 2012, ou melhor, que acabe amanhã mesmo. Meus amigos e minha família sabem o quanto tento lutar contra isso, mas infelizmente não é tão fácil quanto muitos pensam.

Enfim, com esse texto eu só queria dizer e pedir que nunca menosprezem uma doença desse tipo, com você, com amigos ou familiares. Depressão não é frescura, não é preguiça, não é corpo mole. Depressão é uma doença real, e só quem passa ou já passou por algo do tipo, sabe o quão difícil é lutar contra ela.

Rose

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Não é para o time que torcemos, mas para QUEM torcemos.

Nunca tive paixão por time nenhum. Meu pai que teoricamente seria a pessoa a me envolver nesse tipo de paixão futebolística, nunca assistia a uma partida de futebol. Depois vieram os namorados e eu, com a mania tosca de me enlaçar no outro, acabava adotando os seus respectivos times. Já fui palmeirense a flamenguista, tudo para fazê-los feliz. Atualmente, o único garoto da minha vida é o meu filho, e é mais que esperado que eu escolha o seu time para chamar de meu. Mas é uma coisa tão superficial que se você me perguntasse quem joga nesse time, eu não saberia dizer sequer o nome de um jogador.

Meu filho joga profissionalmente e eu evito as partidas por motivos óbvios: Eu esqueceria que a criatura chutando as canelas do meu filho é apenas uma criança. A sua paixão por futebol, por seu time, me faz refletir sobre os jogadores. Afinal não torcemos por um time, mas por alguns homens, muitas vezes, oriundos de uma vida difícil e sem infra-estrutura psicológica. É sabido que o futebol é um esporte nascido no seio da periferia e seus operários estão pouco munidos de ginga moral - Não que isso seja determinante e uma verdade indissolúvel. Há os honestos, os ricos de bom caráter! Já pedi para não gastarem seus dedinhos dizendo que O Kaká ou o Lúcio são diferentes. Exceções existem e eu fico verdadeiramente feliz por isso.

Quando o meu filho vibra com sua bandeira e usa suas cores, esses jogadores engordam suas contas e o que fazer com um belo salário de 200 mil mensal para quem não fazia as refeições básicas diárias? Sobe à cabeça. Você não sabe onde enfiar a grana toda. E enfia em coisas que pareciam inalcançáveis, como sexo fácil, carros incríveis, drogas ou lazeres. Sempre digo que é fácil ser um bom caráter quando não há uma grana rebolando bem diante de você. E como é fácil ser fiel se ninguém repara nos seus dotes, além do seu parceiro. É fácil julgar as pessoas sobre seus erros se você nunca esteve aprisionado no mesmo cubículo.

E para quem torcemos? Para que homens com ginga no pé tenham mais grana para alimentar seus anseios outrora reprimidos. Filhos são feitos a esmo. Pensões são recebidas e o amor paterno negligenciado. Às vezes me pergunto se torcemos mesmo por um time ou para que ronaldinhas encham o mundo de novas crianças. E, nessa altura do campeonato, vocês devem achar que o caso Eliza foi que me inspirou a escrever esse texto. Nem tanto. Romário, Adriano, Wagner Love, Ronaldo e uns outros que não me recordo agora conseguem engrossar o caldo do que foi dito acima.

E que não se exima o mau-caratismo das Elizas da vida. Tampouco a monstruosidade do Bruno.

Neymar é a nova promessa das páginas policiais. Quem duvida?


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* E se o jogador muda de time, Zin? A gente torce é pelo time! - Me poupem de comentários assim!

domingo, 1 de agosto de 2010

Príncipe Encantado Syndrome.

A Disney me fez acreditar em príncipes encantados, processo por danos morais?

Fiz esse comentário outro dia com uma amiga e ela concordou comigo, deveríamos todas processar a Disney por danos morais e quase, físicos! Acabaríamos todas ricas, mal amadas e ricas!

Quantos psicólogos você teve que ir, quantos shots de tequila você teve que tomar, engov, potes de sorvete... Vixi, é uma lista gigantesca de despesas.

Comecei a ver alguns vídeos no Youtube e fui percebendo a personalidade de cada príncipe e o tanto de ilusão que é enfiado na cabeça de uma criança que, ainda não sabe filtrar ficção da realidade e acredita que existam homens limpos e delicados cavalgando cavalos brancos. Ah, além da falta de trilha sonora na vida da gente que também não é fácil.

Bom, aí vão algumas conclusões:

Síndrome de Aladin



É todo montado no charme de “pobretão de bom coração”. Ele tem os “moves”, o sorrisinho, a olhada de canto de olho, o topete, o macaco... Aladin é o cara que sabe o que está fazendo e sabe o que vai fazer com você. Quantos caras desses você já não conheceu? Encantadores de menininhas, fazendo a linha “me garanto”? A diferença, para a vida real, que desnorteia a cabeça de adolescentes desavisadas? Ele presta! O Aladin casa com a mulher lá, ele leva ela pra dar um rolê de tapete cacete! E o seu príncipe charmosão, te chama pra ver esfinge ou para um motel de quinta?

Uma lembradinha: http://www.youtube.com/watch?v=uVqoYyJGOco

Síndrome da Fera




Taí um caso bem clássico de inversão de valores. É tudo muito simples; na ficção, o cara é monstro e vira príncipe, na vida real, o cara é príncipe e vira monstro. Tem também aquela coisa de se apaixonar por um homem ,mesmo ele sendo "o cão", só porque ele mandou cozinharem pra você e te tirou pra dançar. E tem mais uma coisa, na vida real se você não tem amigos gays para te ajudarem na conquista, não vão ser os utensílios da casa que vão fazer o trabalho, fica a dica.

Uma lembradinha: http://www.youtube.com/watch?v=3MAhtpxNmnQ

Síndrome de Eric



Outro charmosão, o que, particularmente, me causou mais danos. Ele age como quem não quer nada, faz o bobão a procura do grande amor. Conhece a mulher, não pergunta o nome dela e se apaixona. Ele tem um momento meio #fail onde quase casa com a bruxa, mas abafa, isso só vai acontecer se você fizer um trato e perder sua voz. De resto, tudebão esse homem. Apaixonado decidido, aventureiro, mas tranquilo ao mesmo tempo, tem mordomo, não mora com os pais, tem barco, gosta de cachorros e, enfim, peixes...

Agora, vai achar um nesse modelo que não seja garanhão? Ou, sei lá, um tiozão com crise de meia idade. Não tem! Mulheres, me escutem! Não tem! (e se eu achar um, não vou contar também).

Uma lembradinha: http://www.youtube.com/watch?v=9cVUNN56VIY

Síndrome de Hércules



Não é todo bombadinho de academia que tem o charme do fofíssimo Hércules, até porque ele não usa regata, correntinha no pescoço e ouve pagode. E não, ele não vai usar os músculos dele, nem a força fenomenal para enfrentar nenhum bicho com mais de uma cabeça pra te conquistar. Talvez ele mate um pombo, pra te comer, mas não espere muito mais do que isso. Bobo alegre, bonzinho, apaixonado, corajoso e imortal. Já viu? Nem eu. E aí, vai um passeio de Pégasos ou de motoca?

Uma lembradinha: http://www.youtube.com/watch?v=qRCteeZTrjE

Síndrome dos Príncipes sem Nome




Pois é, gente, para quem ainda não tinha percebido, os príncipes da Cinderela e da Branca de Neve não têm nem nome. As meninas que sofrem dessa síndrome normalmente acabaram virando lésbicas, afinal, nenhum homem nesse mundo é tão sensível quando esses moços aí. É uma loucura de delicadeza. Eles matam dragões na maior classe, dançam, cantam, cavalgam, se vestem bem, são esbeltos e, enfim, gays.

Bom momento reflexivo para vocês e, resumindo: Quer magia? Namore um mágico!


Sigam!! @omerengue

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